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quarta-feira, 20/05/2026

Baixo risco de ebola no Brasil, mas vigilância deve continuar

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Em Brasília

PATRÍCIA PASQUINI
FOLHAPRESS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto atual de ebola na África uma emergência global, mas especialistas afirmam que o risco de a doença chegar ao Brasil é baixo neste momento.

Até esta terça-feira (19), foram notificados 513 casos suspeitos e 131 mortes na República Democrática do Congo.

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) destaca que o alerta da OMS mostra a importância de uma coordenação mundial, aumento da vigilância epidemiológica e ajuda internacional rápida para conter o vírus.

O Ministério da Saúde garante que não há casos de ebola circulando no Brasil ou nas Américas. Porém, em resposta ao alerta da OMS, o país ativou um plano de ação para febres hemorrágicas virais e intensificou a vigilância, especialmente em pessoas que estiveram na República Democrática do Congo ou em Uganda nos últimos 21 dias.

Esse plano inclui identificar rapidamente suspeitas, notificar imediatamente, isolar pacientes com segurança e monitorar contatos para diminuir o risco de transmissão. A OMS recomenda que o Brasil não feche fronteiras nem restrinja viagens e comércio.

Segundo a infectologista e epidemiologista Luana Araújo, presidente do Comitê Científico de Saúde Única da SBI, além da vigilância rigorosa, é essencial manter comunicação aberta e honesta com autoridades internacionais para decisões corretas.

“O maior desafio é que esse surto pode ser o maior desde 2014, porque a região está politicamente e economicamente dividida, com vigilância fragmentada e a OMS com menos recursos após a saída dos Estados Unidos dos financiamentos internacionais de saúde global”, explica a médica.

Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp, afirma que a vigilância da OMS e do CDC dos EUA está reforçada. Ele diz que não há motivo para preocupação com o aumento de turistas na América do Norte durante a Copa do Mundo, em junho e julho.

“Eventos internacionais aumentam o fluxo de pessoas e teoricamente podem aumentar riscos de doenças, mas não o do ebola no Brasil ou nos países-sede da Copa. O melhor é fortalecer a triagem e o acompanhamento de pessoas que estiveram nas regiões afetadas”, afirma.

Sintomas e transmissão do ebola

Os sintomas surgem entre dois dias e três semanas após o contato com o vírus. Inicialmente, aparecem febre alta, dores no corpo, cansaço intenso, dor muscular e dor de cabeça. Depois, podem surgir vômitos, diarreia, dor abdominal, queda da pressão, choque e frequentemente sangramentos nas gengivas, fezes e interior do corpo.

O tratamento principal é suporte médico intensivo, com reposição de líquidos pela veia, equilíbrio de eletrólitos, controle da pressão, oxigênio, suporte renal, transfusões e diálise. Para a cepa Zaire, existem medicamentos nos Estados Unidos que combatem o vírus e reduzem mortes. Para outras cepas, não há tratamento específico aprovado.

Existe também uma vacina eficaz contra a cepa Zaire, chamada rVSV-ZEBOV (Ervebo), já aprovada em mais de 40 países, porém não no Brasil.

O vírus é transmitido pelo contato com animais infectados, como morcegos e primatas, e entre pessoas pelo contato direto com fluidos corporais de doentes vivos ou mortos, como sangue, vômito, fezes, suor e saliva, além de objetos contaminados. Pessoas sem sintomas geralmente não transmitem o vírus.

O ebola não é transmitido pelo ar, o que limita sua propagação mundial. Os surtos mais graves ocorrem em locais com vigilância sanitária precária.

A mortalidade varia de 30% a 80%, dependendo da rapidez do diagnóstico e qualidade do atendimento. Com suporte médico rápido, a mortalidade pode ser reduzida para 30% ou menos.

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