Leonardo Vieceli
Folhapress
A economia brasileira mostrou uma desaceleração no segundo trimestre, após um crescimento de 1,1% do PIB nos primeiros três meses de 2026, segundo analistas econômicos.
Especialistas afirmam que, embora o pacote de incentivos do governo Lula (PT) antes das eleições de outubro possa amenizar essa queda, não evitará a desaceleração gradual esperada ao longo do ano.
Um levantamento recente da Folha indicou que o governo mobilizou mais de R$ 180 bilhões em incentivos este ano, incluindo linhas de crédito com juros abaixo do mercado, renúncias fiscais e subsídios.
Na quarta-feira (22), o governo anunciou mais R$ 18,5 bilhões para financiar empresas prejudicadas pela tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Os recursos vêm de sobras de programas anteriores, como o Brasil Soberano 1, e da renegociação de dívidas rurais.
De acordo com o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, essas medidas vão aliviar, mas não impulsionar significativamente a economia, que ele prevê um avanço de 0,5% no PIB do segundo trimestre.
O crescimento do primeiro trimestre foi impulsionado principalmente pela safra agrícola, com aumento superior a 1%.
Contudo, os juros permanecem altos para conter a inflação. A política monetária é vista como a principal razão da perda de ritmo na economia.
O Copom do Banco Central começou a reduzir a taxa básica (Selic) em março, mas ela ainda está em 14,25% ao ano após o corte recente de 0,25 ponto percentual em junho.
Em maio, a economia teve um leve crescimento de 0,1% em comparação a abril, segundo o IBC-Br divulgado pelo BC em 17 de julho, indicando estabilidade.
Pesquisas setoriais do IBGE mostraram variações próximas de zero entre abril e maio no comércio varejista (+0,1%), produção industrial (-0,2%) e serviços (-0,4%), reforçando a percepção de desaceleração.
A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, ressalta que apesar dos juros altos, o mercado de trabalho e os incentivos do governo devem manter alguma resistência na atividade econômica.
O C6 Bank projeta um crescimento de 0,7% no PIB do segundo trimestre em relação ao primeiro e avanço de 2,4% comparado ao mesmo período do ano passado.
Claudia afirma: “A desaceleração está acontecendo, mas é gradual e os dados recentes não são tão preocupantes.”
O IBGE divulgará o PIB do segundo trimestre em 1º de setembro. Indicadores como o IBC-Br ajudam a entender a atividade econômica antes da divulgação oficial do PIB.
Preocupações com contas públicas e inflação
O economista-chefe da Way Investimentos, Alexandre Espirito Santo, prevê crescimento entre 0,4% e 0,5% para o segundo trimestre em relação ao primeiro.
Alexandre observa que a economia está claramente desacelerando, e que os incentivos do governo ajudam a evitar um desempenho ainda pior, mas podem prejudicar as finanças públicas no futuro.
Ele relata preocupação com o aumento da dívida causado pelos estímulos fiscais.
Segundo o boletim Focus do BC, a mediana das previsões do mercado espera crescimento de 1,99% para o PIB em 2026, abaixo dos 2,3% registrados em 2025. O Ministério da Fazenda estima crescimento de 2,3% e o FMI prevê alta de 2,4%.
Juros elevados dificultam o crescimento por encarecer crédito para empresas e famílias, mas ajudam a controlar a inflação ao reduzir a demanda e a pressão sobre preços.
Analistas alertam que o controle da inflação pode ficar mais difícil com os incentivos fiscais, embora o governo discorde.
Alexandre Espirito Santo compara a relação entre política fiscal e monetária a um casal que deve andar unido, afirmando que se uma política estiver frouxa e a outra apertada, ambas perdem efeito.
Ele também menciona incertezas para o segundo semestre, incluindo a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as eleições no Brasil.
Após o fim da trégua entre Estados Unidos e Irã, os ataques econômicos se intensificaram, afetando o preço do petróleo.
