Maeli Prado
Folhapress
Os Estados Unidos aplicaram tarifas de 12,5% para o Brasil, enquanto outros países pagam tarifas menores de 10% e ainda receberam exceções adicionais, o que piora a situação dos exportadores brasileiros.
A lista de produtos que o Brasil pode exportar sem tarifas adicionais inclui 2.113 itens, mas países como Argentina, Reino Unido e Malásia ganharam isenções maiores em várias categorias.
Um dos setores mais afetados é o de madeira para a construção civil, onde concorrentes receberam mais isenções nos EUA.
Além disso, o Brasil perde competitividade em produtos como pedras preciosas, próteses médicas, diamantes, esmeraldas e leveduras, conforme análise do economista Sergio Vale.
Os 13 países favorecidos adotaram políticas contra o trabalho forçado, o que ajudou eles a obterem melhores condições comerciais.
Sergio Vale estima que cerca de 3,4% das exportações brasileiras, equivalentes a US$ 470 milhões, serão afetadas negativamente por essa desigualdade nas tarifas.
Para Welber Barral, advogado especializado em comércio exterior, essa diferença cria uma desvantagem significativa para o Brasil em comparação a esses países.
Por exemplo, Argentina e Brasil competem em vários setores, e a Argentina tem vantagem em agroindústria, produtos químicos, madeira tropical e outros itens.
No Reino Unido, os benefícios extras incluem produtos médicos e hospitalares, criando uma competição desleal para o Brasil.
A Malásia e a Indonésia também são concorrentes em produtos florestais e têxteis, setores nos quais receberam isenções importantes.
Países como Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia ainda terão tarifas zeradas futuramente em setores têxteis e de vestuário, enquanto o Brasil enfrenta tarifas elevadas.
Essa diferença será especialmente sentida em confecções, tecidos e produtos vendidos para redes varejistas nos EUA.
Sergio Vale ressalta que o maior problema não são as listas de exceção, mas a tarifa adicional de 25% aplicada ao Brasil, somada à de 12,5%, gerando uma desvantagem de até 27,5 pontos percentuais para o país.
Welber Barral concorda, apontando que o Brasil ficou com a tarifa cheia, enquanto seus concorrentes receberam melhores condições.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que essas medidas reduzem a competitividade dos exportadores brasileiros, pois outros países terão custos menores para acessar o mercado dos EUA.
Os EUA justificam as tarifas citando a falta de uma legislação semelhante à americana que proíba importações feitas com trabalho forçado.
Um relatório americano afirma que o Brasil não possui legislação que impeça legalmente a importação de produtos fabricados com trabalho forçado, provocando a imposição das tarifas.
O governo brasileiro rejeita essas acusações. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que sanções unilaterais são injustas e que o Brasil é um exemplo no combate ao trabalho escravo.
Especialistas veem essa investigação dos EUA como uma forma de substituir tarifas globais que expiraram recentemente, mantendo barreiras comerciais contra o Brasil.
