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domingo, 26/07/2026

Brasil perde isenções extras dos EUA e sua competitividade diminui

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Maeli Prado
Folhapress

Os Estados Unidos aplicaram tarifas de 12,5% para o Brasil, enquanto outros países pagam tarifas menores de 10% e ainda receberam exceções adicionais, o que piora a situação dos exportadores brasileiros.

A lista de produtos que o Brasil pode exportar sem tarifas adicionais inclui 2.113 itens, mas países como Argentina, Reino Unido e Malásia ganharam isenções maiores em várias categorias.

Um dos setores mais afetados é o de madeira para a construção civil, onde concorrentes receberam mais isenções nos EUA.

Além disso, o Brasil perde competitividade em produtos como pedras preciosas, próteses médicas, diamantes, esmeraldas e leveduras, conforme análise do economista Sergio Vale.

Os 13 países favorecidos adotaram políticas contra o trabalho forçado, o que ajudou eles a obterem melhores condições comerciais.

Sergio Vale estima que cerca de 3,4% das exportações brasileiras, equivalentes a US$ 470 milhões, serão afetadas negativamente por essa desigualdade nas tarifas.

Para Welber Barral, advogado especializado em comércio exterior, essa diferença cria uma desvantagem significativa para o Brasil em comparação a esses países.

Por exemplo, Argentina e Brasil competem em vários setores, e a Argentina tem vantagem em agroindústria, produtos químicos, madeira tropical e outros itens.

No Reino Unido, os benefícios extras incluem produtos médicos e hospitalares, criando uma competição desleal para o Brasil.

A Malásia e a Indonésia também são concorrentes em produtos florestais e têxteis, setores nos quais receberam isenções importantes.

Países como Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia ainda terão tarifas zeradas futuramente em setores têxteis e de vestuário, enquanto o Brasil enfrenta tarifas elevadas.

Essa diferença será especialmente sentida em confecções, tecidos e produtos vendidos para redes varejistas nos EUA.

Sergio Vale ressalta que o maior problema não são as listas de exceção, mas a tarifa adicional de 25% aplicada ao Brasil, somada à de 12,5%, gerando uma desvantagem de até 27,5 pontos percentuais para o país.

Welber Barral concorda, apontando que o Brasil ficou com a tarifa cheia, enquanto seus concorrentes receberam melhores condições.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que essas medidas reduzem a competitividade dos exportadores brasileiros, pois outros países terão custos menores para acessar o mercado dos EUA.

Os EUA justificam as tarifas citando a falta de uma legislação semelhante à americana que proíba importações feitas com trabalho forçado.

Um relatório americano afirma que o Brasil não possui legislação que impeça legalmente a importação de produtos fabricados com trabalho forçado, provocando a imposição das tarifas.

O governo brasileiro rejeita essas acusações. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que sanções unilaterais são injustas e que o Brasil é um exemplo no combate ao trabalho escravo.

Especialistas veem essa investigação dos EUA como uma forma de substituir tarifas globais que expiraram recentemente, mantendo barreiras comerciais contra o Brasil.

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