FOLHAPRESS
O dólar mantém-se quase estável nesta terça-feira (2), acompanhando o cenário internacional, após notícias de que o Irã está avaliando uma proposta de acordo com os Estados Unidos.
No Brasil, o mercado está atento às consequências da proposta do governo do então presidente Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre vários produtos brasileiros, alegando práticas comerciais injustas.
Por volta das 14h23, o dólar apresentava queda de 0,02%, cotado a R$ 5,020. O índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas fortes, subia 0,05%, alcançando 99,23 pontos. A Bolsa de Valores crescia 1,02%, chegando a 173.964 pontos.
O Irã analisa uma oferta dos Estados Unidos para encerrar o conflito que já dura mais de três meses, conforme informou a agência iraniana Mehr.
Segundo fontes ouvidas pela agência, o governo iraniano tem adotado uma postura rígida nas negociações, devido a uma longa desconfiança com os EUA e histórico de descumprimento por parte destes.
Donald Trump afirmou na segunda-feira que as negociações prosseguem e que um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Hormuz pode ser firmado na próxima semana.
Trump reiterou que ambas as partes estão próximas de um acordo de paz. No entanto, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou que, apesar do Irã estar disposto a discutir seu programa nuclear, isso não garante o fim do conflito.
“As notícias variam o tempo todo, mas o mercado hoje mostra interesse em assumir riscos diante da esperança de um cessar-fogo”, declarou Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos.
Investidores permanecem cautelosos devido às divergências entre os discursos do Irã e dos Estados Unidos e ausência de avanços efetivos para finalizar a guerra. Houve enfrentamentos recentes entre os países, mesmo com as negociações em andamento.
O mercado espera que a cadeia global de fornecimento e o tráfego no Estreito de Hormuz, rota marítima responsável por 20% da produção mundial de petróleo e gás, sejam normalizados.
Com o transporte das commodities restrito e o aumento dos preços, os investidores temem uma nova alta inflacionária global e a manutenção de juros elevados em grandes economias, principalmente nos EUA.
Em cenários de juros altos nos EUA, investidores tendem a optar por renda fixa americana, considerada segura. Com a perspectiva de cessar-fogo, retornam a ativos de maior risco, como os dos mercados emergentes.
No âmbito doméstico, o foco está na conclusão da investigação comercial dos EUA sobre o Brasil, vinculada à Seção 301 da Lei de Comércio, que propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
As tarifas são uma resposta às práticas comerciais consideradas desleais pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A decisão final cabe ao presidente Trump.
O USTR abrirá consulta pública para que o setor privado se manifeste antes da publicação do relatório final, prevista para 15 de julho.
Mesmo sendo preliminar, a decisão é negativa para o Brasil e ocorre após os EUA terem classificado o CV e PCC como organizações terroristas, aumentando a pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em comunicado, o USTR, liderado pelo embaixador Jamieson Greer, afirmou que propôs as medidas para consulta pública, destacando que os EUA mantêm negociações intensas com o Brasil para resolver as preocupações comerciais.
“Iniciei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para lidar com questões antigas e persistentes em relação a certas políticas comerciais brasileiras. Nos últimos meses, tive várias reuniões produtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros”, disse Greer.
O mercado ainda assimila a decisão, com poucos impactos nos ativos até o momento, segundo Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

