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sexta-feira, 24/07/2026

CVM investiga saída de conselheiro da Vale

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NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) iniciou um processo nesta quinta-feira (23) para investigar a remoção do vice-presidente do conselho da Vale, Marcelo Gasparino, que foi anunciada pela empresa na noite de quarta-feira (22).

A CVM já pediu informações à mineradora, que acusa Gasparino de divulgar informações confidenciais para a imprensa. A assessoria de imprensa da Vale afirmou que não vai comentar o caso.

Gasparino trabalha na Vale há seis anos e participou da eleição para presidente do conselho em assembleia de acionistas realizada na quarta-feira, sendo derrotado por Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie. Ollie propôs a remoção de Gasparino em sua primeira reunião à frente do conselho.

Gasparino demonstrou oposição à troca de presidente da mineradora, apoiada pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Ele chamou a iniciativa da Previ contra o então presidente do conselho de ‘aventura societária’ e questionou a eleição de Ollie.

O voto contra a substituição do antigo presidente do conselho, Daniel Stieler, foi registrado por Gasparino durante a reunião de aprovação da assembleia que decidiu a troca. Contatado pela Folha, ele preferiu não comentar.

Este é o segundo processo da CVM relacionado à mudança na liderança do conselho. Em outro procedimento, a CVM investiga o pagamento de compensação financeira a Stieler, que resistiu à pressão, mas renunciou no começo do mês.

A Vale não possui política que preveja pagamento pós-emprego a conselheiros, mas remunerou Stieler com base em seu conhecimento de informações confidenciais da empresa.

A empresa negou à CVM que o pagamento tenha sido um acordo relacionado à renúncia e explicou que o contrato se refere a cláusulas de confidencialidade, não competição e não difamação. Como presidente do conselho, Stieler recebia R$ 267 mil mensais.

A troca no comando do conselho ocorreu apenas oito meses antes do término dos mandatos, surpreendendo investidores e analistas. A Previ, maior acionista individual da Vale, busca aumentar a independência do conselho.

A Previ perdeu um assento no conselho, pois seu candidato para substituir Stieler, João Maurício Coelho, foi derrotado por Ieda Gomes, indicada pelo conselho.

A destituição de Gasparino ainda depende da confirmação dos acionistas, que deverão ser convocados para uma nova assembleia.

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