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sábado, 25/07/2026

Cenipa detecta problemas e cultura de silêncio na queda da Voepass

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O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) finalizou o estudo sobre o acidente com a aeronave PS-VPB, da companhia Voepass, que caiu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, São Paulo. O desastre resultou na morte de 62 pessoas, incluindo quatro tripulantes.

No anúncio dos resultados realizado nesta quinta-feira (23), o Cenipa indicou falhas nos sistemas da aeronave, revisões mecânicas inadequadas e uma cultura organizacional que evita reportar problemas como causas principais do acidente. Foram identificados 19 fatores que influenciaram o ocorrido, destacando-se a repetição de alertas de gelo ignorados em voos anteriores e durante o trajeto final.

As investigações também revelaram que, nos voos anteriores com outras tripulações, os alertas de gelo e falhas no sistema de remoção não foram registrados no livro de bordo. O investigador responsável, tenente-coronel Fróes, afirmou que três equipes diferentes normalizavam procedimentos incorretos, mostrando um padrão dentro da empresa.

Além disso, a manutenção das aeronaves da companhia não obedecia a normas básicas de segurança. Mecânicos entrevistados relataram que peças defeituosas eram trocadas entre aviões antes da aprovação para voo.

Durante o voo de Cascavel para Guarulhos, o sistema alertou várias vezes sobre o acúmulo de gelo e a perda de velocidade causada pelo peso do gelo na fuselagem. O sistema de degelo foi acionado, mas apresentou falha e foi desligado pelos pilotos. O procedimento correto seria reiniciar o sistema e, em caso de nova falha, desativá-lo e descer a níveis mais baixos, o que não foi feito.

Também destacou-se que a aeronave não deveria ter voado devido a uma pane nos limpadores de para-brisa, que restringia a operação a condições específicas sem chuva prevista próximo ao voo.

O Cenipa analisou 15 mil voos da Voepass, identificando que 1.674 apresentaram alertas de desempenho comprometido e que um deles teve perda de controle sem comunicar o órgão.

No trecho final, piloto e copiloto discutiam os alertas enquanto realizavam a descida e solicitavam autorização para pouso. Pouco antes do acidente, o copiloto comentou que havia “muito gelo” na aeronave. Para o órgão, a combinação da demora na liberação para pouso, o acúmulo de gelo, falhas técnicas e a reação lenta da tripulação causaram a perda progressiva de controle do ATR-72 212A, que entrou em parafuso antes de colidir contra o solo.

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