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quinta-feira, 04/06/2026

Brasil vai comprar mais 20 caças Gripen mesmo com cortes na Defesa

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IGOR GIELOW
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Brasil anunciou nesta quinta-feira (4) que pretende adquirir até mais 20 caças Saab Gripen E, modelo monoplace fabricado tanto na Suécia quanto em Gavião Peixoto (SP). Se o negócio for concretizado, o total de aeronaves encomendadas desde 2014 chegará a 56, embora o acordo ainda não esteja fechado.

A notícia surpreendeu pessoas envolvidas no programa, especialmente porque o orçamento da Defesa está apertado: o ministério sofreu o maior corte, perdendo R$ 4,36 bilhões neste ano.

Não foi informado nenhum cronograma para a negociação. “Em Defesa, tudo leva tempo”, afirmou o ministro brasileiro José Mucio Monteiro, ao lado de seu colega sueco Pal Jonson.

A Força Aérea Brasileira (FAB) planejava inicialmente, desde os anos 1990, renovar sua frota com 120 caças modernos, mas em 2013 selecionou 36 Gripen e assinou o contrato no ano seguinte.

Em 2022, o então comandante da FAB, Carlos Almeida Baptista Junior, mencionou interesse em adquirir ao menos mais 30 aviões. Desde então, foi discutida uma venda conjunta revelada por este jornal, na qual o Brasil receberia 14 Gripen adicionais, enquanto a Suécia compraria quatro aviões de transporte Embraer C-390.

Até o momento, os suecos confirmaram a compra dos aviões, mas o Brasil ainda não definiu como financiará a aquisição dos novos caças do modelo E, para um piloto, conforme explicou Jonson.

Inicialmente, a intenção era fazer um aditivo ao contrato original de 2014, avaliado em R$ 29,5 bilhões. Pela legislação, é permitido um acréscimo máximo de 25%, cerca de R$ 7,3 bilhões, financiados ao longo dos anos.

Não está claro se esse modelo será usado, embora o governo sueco tenha mencionado essa possibilidade em comunicado. O Ministério da Defesa brasileiro não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

O tema é complexo e sensível, especialmente em ano eleitoral, pois é difícil justificar o gasto. Essas dificuldades atrasaram decisões semelhantes no passado.

O orçamento do programa já teve 57% do valor previsto gasto até março, mas só entregou 11 dos 36 aviões em operação. Até 2025, foram feitos 12 aditivos ao contrato, aumentando o custo equivalente a mais seis aviões.

Embora tenham ocorrido algumas dificuldades financeiras, o programa Gripen é considerado um dos mais eficientes em termos de execução financeira nas Forças Armadas, contando com dotação autorizada de R$ 1,36 bilhão para este ano.

Outro fator importante é o tempo e custo para desenvolver os modelos Gripen E e F, que são versões quase todas novas em comparação com gerações anteriores. O programa inclui transferência tecnológica, o que aumenta a complexidade.

Produzir o avião com componentes mais maduros em ritmo maior seria mais rápido e barato. Em Gavião Peixoto, onde o Gripen é fabricado no Brasil, existem três unidades em construção. Essa linha também produzirá os 15 modelos E encomendados pela Colômbia, enquanto os dois caças F serão fabricados em Linköping.

José Mucio afirmou que os eventuais 20 caças adicionais serão produzidos no Brasil, o que exigiria ampliar a capacidade produtiva. A Saab justifica essa expansão pelo aumento da demanda global do Gripen, incluindo um pedido recente da Ucrânia por 20 aviões, embora o foco da fábrica brasileira seja a América Latina.

O anúncio não mencionou o pedido dos militares por pelo menos 12 Gripen C/D, modelos mais antigos, para substituir a capacidade de ataque ao solo que será perdida com a aposentadoria dos caças AMX em 2027.

Como a Suécia planeja doar 16 dos seus 96 caças C/D para a Ucrânia, é improvável que o Brasil consiga adquirir os mesmos, pois isso prejudicaria a defesa sueca.

Ambos os ministros confirmaram que a Saab abrirá um novo centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, em São José dos Campos (SP), local de origem da Embraer, principal parceira na fabricação do Gripen E no país. O primeiro avião fabricado no Brasil foi concluído em março.

José Mucio também participou do lançamento do Gripen F na Suécia. A aeronave, feita em Linköping com auxílio de brasileiros, levou cinco anos para ser desenvolvida e foi apresentada no dia 2 de junho. A FAB receberá oito unidades.

O ministro sueco Pal Jonson destacou que estes resultados evidenciam a cooperação entre os países e anunciou o início da operação do primeiro Embraer C-390 pela Força Aérea Sueca em 2028.

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