O Brasil enfrenta uma alta no número de pessoas com dívidas atrasadas, chegando a 82,8 milhões, o que representa quase metade da população adulta do país. Segundo dados divulgados pela Serasa em maio, esse número cresceu 1,35% em relação a fevereiro. Além disso, o valor médio da dívida por pessoa aumentou quase 2%, chegando a R$ 6.728,51.
Cada indivíduo endividado possui, em média, quatro dívidas, com valores médios em torno de R$ 1.647,64. No total, o montante das dívidas chega a R$ 557 bilhões, um crescimento de 3,35% em comparação ao início deste ano.
A pesquisa realizada pela Serasa entrevistou 1.904 pessoas com dívidas em todo o Brasil em abril. Entre os principais motivos apontados para a inadimplência estão o desemprego ou perda de renda, mencionados por 38% dos entrevistados. Outros fatores significativos incluem gastos emergenciais (16%), desorganização financeira (13%), ajuda a familiares ou amigos (10%) e atraso no pagamento de contas básicas (7%).
Aline Maciel, diretora da Serasa, destacou que apesar da melhora no mercado de trabalho, o endividamento continua um problema preocupante: “Mesmo com os índices de desemprego bons, o desemprego ainda pressiona a inadimplência, o que deve nos manter em alerta.”
Os dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a taxa de desemprego ficou em 6,1% no primeiro trimestre do ano. A maior parte das dívidas, 47%, concentra-se no setor financeiro, incluindo bancos, cartão de crédito, serviços essenciais e financeiras.
Programa Desenrola para limpar o nome
O governo federal lançou um programa chamado Novo Desenrola Brasil, que visa ajudar pessoas com renda de até cinco salários mínimos a renegociar dívidas com descontos que podem chegar a 90%. O programa tem duração de 90 dias e oferece condições especiais, como juros limitados a 1,99% ao mês e prazos de pagamento que podem alcançar 48 meses.
O Desenrola atende dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal atrasadas entre 90 dias e dois anos, desde que contratadas até janeiro de 2026. Além dos descontos, o programa prevê que dívidas de até R$ 100 sejam perdoadas e destina 1% do valor renegociado à educação financeira.
Também está prevista uma suspensão do acesso dos beneficiados a plataformas de apostas on-line por um ano, para evitar novos ciclos de endividamento, conforme explicado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Quem pode participar e como acessar
- Pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).
- Dívidas elegíveis são aquelas atrasadas entre 90 dias e dois anos, contraídas até janeiro de 2026.
- Renegociação pode ser feita pelos canais oficiais dos bancos participantes.
Expectativas dos endividados
Pesquisa da Serasa revela que 71% dos endividados já tentaram negociar suas dívidas. Para 45% dos entrevistados, para aumentar a confiança na negociação, é importante ter acordos com descontos, redução de juros, parcelamento acessível e aumento da renda.
Aline Maciel ressalta que o programa do governo é um passo importante, mas outras iniciativas são necessárias para melhorar a situação financeira da população, incluindo educação financeira e taxas de juros mais baixas. Ela alerta: “O programa sozinho não faz milagres, é preciso um conjunto de ações para realmente reverter a crescente dívida das famílias.”
Renegociação facilitada pelo aplicativo
Parte das instituições financeiras do país possuem convênios com a Serasa e oferecem opções de renegociação através do aplicativo oficial da instituição. Lá é possível acessar milhares de ofertas, incluindo as condições do Novo Desenrola Brasil, facilitando o processo para os consumidores.
