A Biblioteca Nacional digitalizou 114 edições produzidas em São Paulo e Rio Grande do Sul do jornal O Pasquim, publicadas em 1986, e as adicionou à sua coleção digital. Este trabalho celebra 40 anos dessas edições regionais e amplia o acesso ao conteúdo do jornal alternativo.
O Pasquim, que ganhou destaque no Rio de Janeiro durante a ditadura militar por sua postura crítica e irreverente, já tinha 1.072 edições da capital fluminense disponíveis no acervo digital. As versões regionais, apesar de breves, foram uma tentativa de expandir o jornal para novas regiões em um período de abertura política no Brasil.
Em São Paulo, nomes como Paulo Markun, Manoel Canabarro e Dante Matiussi colaboraram no projeto. No Rio Grande do Sul, Flávio Braga conta que viajou ao Rio de Janeiro para convencer Jaguar, diretor do Pasquim, a permitir a criação da sucursal gaúcha. As edições locais mantiveram o estilo satírico e abordaram temas regionais, além de publicarem entrevistas, reportagens, charges e textos de jornalistas e cartunistas da região.
As pautas incluíram política local, comportamento e movimentos culturais, como liberdade sexual e uso recreativo de drogas. As sátiras criticavam políticos como Paulo Maluf e discutiam conflitos entre diferentes grupos e personalidades de São Paulo e do Rio Grande do Sul.
Essas versões regionais duraram pouco mais de um ano devido a dificuldades financeiras. No Sul, a redação ficava em Porto Alegre e contou com apoio de empresas como a Varig. Em São Paulo, as vendas foram razoáveis, mas insuficientes; os anunciantes evitavam se associar ao jornal.
A digitalização das edições regionais foi feita de forma voluntária por Fernando Coelho dos Santos, que também participou da digitalização das edições carioquinhas. Apenas duas edições locais não foram encontradas. Seu trabalho garantiu que 100% das edições principais e 98% das regionais estejam disponíveis online na Biblioteca Nacional Digital.
Essa iniciativa acontece enquanto o Tribunal Regional Federal da 2ª Região manteve a decisão que obriga uma produtora cultural a devolver R$ 812 mil captados para um projeto de digitalização do Pasquim, aprovado pelo Ministério da Cultura e patrocinado pela Petrobras. Houve questionamentos porque o acesso ao acervo pela internet não foi totalmente gratuito.
