A Universidade Católica de Brasília (UCB) finalizou a entrega de um estudo detalhado sobre o Polo Criativo Tecnológico localizado no Setor Comercial Sul (SCS). O projeto recebeu apoio financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e contou com a colaboração da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) e da Universidade de Brasília (UnB) através do Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (Pisac/UnB).
Esse trabalho faz parte do programa Desafio DF, que investiu R$ 1,5 milhão para elaborar relatórios técnicos focados na criação, organização e implementação do polo. O material reúne diagnósticos, diretrizes de administração, plano estratégico, estudos urbanísticos e propostas de ações para o desenvolvimento futuro do Setor Comercial Sul, uma área central importante de Brasília.
O SCS é uma região com grande movimentação de pessoas, diversidade de serviços, empresas e atividades culturais, porém enfrenta desafios como imóveis desocupados, degradação de espaços, baixa permanência de público em certos horários e necessidade de melhoria nos espaços urbanos. Os estudos indicam que é preciso um esforço conjunto focado em planejamento, gestão colaborativa, ocupação qualificada e impulso econômico.
A primeira fase do projeto consistiu em um diagnóstico completo da área, utilizando dados quantitativos e qualitativos, entrevistas, grupos de discussão, mapeamento social, fotos e observações diretas. Foram registrados mais de 5.500 CNPJs na região e realizadas 482 entrevistas com estabelecimentos locais, revelando a presença de atividades diversas como comércio, alimentação, saúde, educação, cultura, tecnologia e economia criativa.
O levantamento comprovou que o polo já possui uma base consolidada, com restaurantes, bares, cafés, pequenos comércios, centros culturais, galerias de arte, teatros, espaços artísticos e eventos, além de empresas ligadas à tecnologia, como desenvolvimento de software e negócios criativos. O objetivo é conectar essas iniciativas existentes a novas oportunidades de crescimento, formação, empreendedorismo e inovação.
A segunda etapa focou no desenvolvimento do plano estratégico para o Polo Criativo Tecnológico, abrangendo o período de 2026 a 2036. O documento traz diretrizes para governança, operação, sustentabilidade, infraestrutura, inclusão produtiva, indicadores, metas e projetos prioritários.
O plano considera o Setor Comercial Sul como um ecossistema urbano, produtivo e cultural, propondo ações em curto, médio e longo prazo. Entre as propostas estão a criação de hubs, reocupação de imóveis, incentivo ao retrofit, capacitação de talentos, atração de novos negócios, ampliação de serviços de apoio ao empreendedorismo e o desenvolvimento de ferramentas para monitoramento dos avanços.
Além disso, a iniciativa integra o polo às políticas e programas já existentes no Distrito Federal, incluindo ambientes de inovação, incubadoras, espaços maker, laboratórios, programas de pré-incubação, iniciativas educacionais e ações para fortalecer negócios criativos e tecnológicos.
A terceira fase envolveu a criação de um modelo urbanístico digital e físico para o SCS, em colaboração com o Pisac/UnB. Foram realizados levantamentos do espaço urbano, considerando aspectos arquitetônicos, urbanísticos, construtivos, de infraestrutura e paisagismo. O relatório inclui laudo técnico, levantamento topográfico, zoneamento, maquetes física e digital em 3D, e apresenta cenários de intervenção para melhorar o espaço público, acessibilidade, mobilidade, áreas de convivência, aproveitamento de imóveis desocupados e integração com o entorno.
O projeto ainda destaca a importância de estabelecer uma governança permanente, unindo diferentes instituições e atores envolvidos no SCS, para garantir coordenação, dinamismo, segurança e conexão com novas economias.
De acordo com o professor Alexandre Schirmer Kieling, coordenador do projeto na UCB, o objetivo é reposicionar o Setor Comercial Sul no imaginário da população e visitantes de Brasília, oferecendo uma base sólida para as próximas etapas do Polo Criativo Tecnológico. Os documentos completos do estudo estão disponíveis no site da FAPDF.
