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BC: cartão de crédito começa o ano em queda; juros médios sobem

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A taxa média na modalidade rotativo – quando não há pagamento integral da fatura – passou a 327,9% por ano; a média de juros ao consumidor subiu a 55,8%

Os juros cobrados na modalidade rotativo do cartão de crédito tiveram queda de 6,9% entre dezembro e janeiro. O valor médio passou de 334,8% a 327,9%, segundo dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira. Esse tipo de taxa é a cobrada quando as dívidas na fatura não são quitadas no vencimento.

A taxa média de juros cobrados das pessoas físicas em todas as modalidades dos chamados recursos livres subiu, de 55,1% para 55,8% no período. A conta exclui linhas de crédito com uso direcionado por lei, como financiamento habitacional, por exemplo.

Em relação ao cheque especial, os valores médios subiram 1,7% no período, passando de 323,0 para 324,7% ao ano. Essa modalidade e o cartão são as que cobram as maiores taxas de juros dentre as disponíveis aos consumidores.

Apesar da baixa no juro total do rotativo, a taxa “regular” – quando há pagamento de ao menos 15% da fatura – subiu 7,1%, a 241%. As taxas para as demais situações (“não regular”), caiu de 401,7% para 387,1% ao ano.

Os juros do rotativo acumulam queda de 169,8% em doze meses. Desde abril, as instituições financeiras só podem manter os clientes nessa forma de financiamento por até um mês após o vencimento da fatura.

Analistas do mercado financeiro estimam que a expansão do crédito neste ano, por fatores como aumento do emprego formal, impulsionará o consumo das famílias.

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Economia argentina sai da recessão, mas tem caminho difícil à frente

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Crescimento da Argentina foi de 0,6% no segundo trimestre deste ano, com um forte desempenho do setor agrícola, mas perspectivas seguem preocupantes

Pesos argentinos: economia da Argentina segue com perspectivas preocupantes (Agustin Marcarian/Reuters)

Buenos Aires — A combalida economia da Argentina saiu da recessão no segundo trimestre deste ano, expandindo-se 0,6% na esteira de um forte desempenho do setor agrícola, mas as perspectivas econômicas seguem preocupantes.

A expansão, revelada pela agência oficial de estatísticas da Argentina nesta quinta-feira, marcou o primeiro crescimento trimestral do Produto Interno Bruto (PIB) desde o início de 2018, com o país abalado por crises cambiais e recessão.

O crescimento econômico modesto no período de abril a junho vem em um momento em que o país se prepara para as eleições de 27 de outubro, após uma derrota esmagadora do presidente Mauricio Macri na votação primária de agosto, que afetou negativamente os mercados locais.

O resultado primário levou a um ressurgimento da inflação e a um forte colapso do peso argentino e levantou preocupações de que o país poderia deixar de pagar suas dívidas, o que abalou as perspectiva para a terceira maior economia da América Latina.

A economia do país encolheu 2,5% no ano passado e 5,8% no primeiro trimestre de 2019. O governo espera uma contração de 2,6% neste ano.

A taxa de desemprego da Argentina também subiu para 10,6% no segundo trimestre, ante 9,6% no mesmo período do ano passado, informou a agências de estatísticas na quinta-feira.

 

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Economia

Dólar ensaia estabilização após superar 4,16 reais na véspera

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Na quinta-feira (19), o dólar à vista saltou 1,50%, para 4,1642 reais na venda, com a divisa brasileira registrando o pior desempenho global na sessão

Câmbio: dólar operava entre estabilidade e leve alta nesta sexta-feira (Pleasureofart/Getty Images)

São Paulo — O dólar operava entre estabilidade e leve alta nesta sexta-feira (20), depois de na véspera sofrer a maior valorização em um mês e para o maior patamar desde o começo de setembro, na esteira de expectativas de mais cortes de juros pelo Banco Central.

Às 9:24, o dólar avançava 0,05%, a 4,1663 reais na venda.

Na B3, o dólar futuro rondava estabilidade, a 4,1705 reais.

Na quinta-feira (19), o dólar à vista saltou 1,50%, para 4,1642 reais na venda, com a divisa brasileira registrando o pior desempenho global na sessão, em meio à leitura de que novos cortes de juros vão reduzir ainda mais o estímulo a apostas favoráveis ao câmbio, uma vez que diminuem o prêmio de risco de se ficar posicionado à espera de valorização do real.

“Agressivo corte de juros (ou seja, derrubar a Selic para a casa de 4%) poderia ser contraproducente… porque pode imprimir mais volatilidade ao real devido ao limitado ‘carry’”, disse o Goldman Sachs em nota.

O banco notou que o real tem ficado atrás de seus pares depois dos recentes cortes de juros, tanto em termos nominais quanto em retorno total.

“Acho que o BC pesou a mão. A impressão que dá é que não está ‘ligando’ para o dólar. E isso chama o mercado para ‘atacar’” o real”, disse um gestor em São Paulo.

 

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Economia

Reforma tributária promete eficiência e justiça, mas deve gerar chiadeira

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A PEC 45, em tramitação na Câmara, é elogiada por especialistas mas tem pontos que desagradam a estados, municípios e alguns setores como o de serviços

Bernard Appy: O mentor da PEC 45/2019 – em tramitação na Câmara dos Deputados – participou nesta quinta-feira (19) de evento da Amcham, em SP (Mario Miranda/Amcham/Divulgação)

São Paulo – Nem todo mundo ficará feliz com a reforma tributária num primeiro momento. Mas isso mudaria com o tempo, de acordo com Bernard Appy, diretor do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF).

O mentor da PEC 45/2019 – em tramitação na Câmara dos Deputados – participou nesta quinta-feira (19) de evento promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo.

O texto da PEC cria um Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) nos moldes de um Imposto sobre Valor Agregado, usado na maior parte dos países desenvolvidos. Ele substituiria cinco tributos já existentes: os federais PIS, Cofins, IPI e os estaduais ICMS e ISS.

Por mexer com impostos estaduais, essa proposta pode gerar resistência dos entes federativos que ao invés de receber os recursos diretamente, teriam que participar de uma comissão para decidir, em conjunto com a União, qual parte lhes cabe do dinheiro de um fundo único.

O imposto seria cobrado no destino da mercadoria e não no local de produção. Uma das vantagens da proposta, que seria o fim da guerra fiscal entre os estados e das ineficiências que ela traz para a organização da atividade produtiva, é também uma de suas vulnerabilidades políticas.

Alguns setores da economia também prometem chiadeira pela frente. O de serviços, por exemplo, reclama que terá, de cara, um aumento de 30% na sua carga com a criação do IBS.

Empresas beneficiadas com incentivos também devem resistir, porque a proposta acabaria com os incentivos regionais. “O sistema de tributação que temos atualmente cria distorções alocativas e perturba o crescimento do país”, diz Appy.

Para ele, os benefícios são uma forma ineficiente de fazer politica de desenvolvimento regional. “Só alcança indústria e centro de distribuição. Mas muitas vezes, o desenvolvimento regional está em estimular o setor de serviços, por exemplo, o que a gente nunca consegue fazer com a política atual”, diz.

No Brasil, afirma Appy, a grande maioria das empresas monta o cento de distribuição onde ela recebe benefícios fiscais, aumentando o custo de logística. “Ou seja, pra poder economizar imposto, a empresa gasta mais com caminhão, caminhoneiro, mais com estradas, num país conhecido por estradas ‘maravilhosas’, por conta de distorções no sistema tributário”, afirma.

Outro problema desse modelo, segundo Appy, é que as regiões acabam atraindo empresas que não necessariamente têm vocação para estar ali. “O estado de São Paulo dá incentivo para frigorifico. Sem benefício, eles estariam no centro-oeste, onde está o boi. O centro-oeste, por sua vez, dá incentivo para montadora, que sem beneficio provavelmente estaria em São Paulo”.

Do ponto de vista da empresa, o custo está caindo, explica o especialista. Do ponto de vista do país, no entanto, “é um desastre, porque aumenta o custo da produção”, diz. Appy diz que essa distorção não aconteceria com um Imposto do tipo IVA.

Em vez disso, a PEC 45 sugere substituir esse modelo de incentivos pela alocação através de um fundo de desenvolvimento regional. “Um fundo daria uma bela racionalização no movimento de desenvolvimento regional brasileiro”, diz.

Para Appy, esses problemas não existiriam num sistema baseado no imposto sobre valor adicionado, que é o padrão mundial. “O grande problema, no entanto, é que não é fácil de se migrar para um modelo como esse, por causa dos impactos federativos e porque afeta setores da economia de formas diferenciadas”.

O setor de serviços é um dos que podem sofrer mais num primeiro momento, mas que teria o impacto amenizado por uma transição, segundo ele.

Em geral, serviços pagam menos impostos do que mercadorias no sistema atual. De fato, com uma tributação uniforme, haveria um rebalanceamento dessa cobrança. Serviços passariam a recolher mais tributos e mercadorias, menos.

“Há uma mudança de preços relativos. Mas isso é ruim para a economia?”, diz Appy. Ele traz o dado de que os mais pobres gastam 24% do seu orçamento com cesta básica. Os mais ricos, 5%.

Enquanto os mais pobres gastam 7% do consumo com serviços, os mais ricos gastam 26%. “Aquilo que o rico consome paga menos imposto do que aquilo que o pobre consome. É o mais justo?

A transição que está sendo proposta é de 10 anos, com um período de teste de 2 anos. Os primeiros anos serviria para avaliar o potencial de arrecadação do imposto e o impacto nas receitas sobre estados e municípios. O IBS não afetaria os entes federativos nesse período. A parir daí há um período de transição de 8 anos, em que as alíquotas dos impostos são reduzidas e a do IBS elevada.

Durante essa transição, explica Appy, pode haver mudanças de preços relativos. “Uns vão cair, outros vão subir, mas, ao mesmo tempo, estaríamos eliminando um monte de ineficiências do sistema tributário. Por isso dizemos que o efeito da PEC 45 é deflacionário”. Ou seja, segundo ele, hoje, pagamos, além do custo dos tributos, o custo de ineficiência do sistema tributário.

A transação longa também daria segurança jurídica para as empresas que já tiverem investimentos programados.

Segundo Appy, o Brasil tem o maior contencioso tributário no mundo e isso faz com que nas empresas de capital aberto (exceto as financeiras), em 2014, o valor dos litígios tributários seja equivalente a 32% do valor de mercado das empresas. “Que país é esse em que um terço do valor de uma empresa está em litígio tributário?”, diz.

Além da proposta da Câmara, há outra proposta de reforma em tramitação no Congresso, cujo parecer foi apresentado ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Os dois textos são similares e podem convergir à frente.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre chegou a dizer que o Congresso discute criar uma comissão mista de deputados e senadores para elaborar uma proposta única. Falta só a proposta do governo, que ainda não foi apresentada e que passou por polêmicas recentes envolvendo um impopular imposto sobre transações financeiras, que lembra a extinta CPMF.

“Vamos construir nas duas casas um diálogo. A questão de quem vota primeiro é 100% irrelevante”, diz o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que também participou do evento.

O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, foi demitido na semana passada por defender a nova  CPMF, disse Bolsonaro, apesar do novo imposto também ser defendido publicamente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

De acordo com o ranking de competitividade do Banco Mundial, o Brasil é líder global em tempo gasto por uma empresa apenas para cumprir com obrigações tributárias. São 2 mil horas por ano, o dobro do segundo colocado e 10 vezes mais do que a média mundial – e isso sem falar no tamanho da carga.

A agenda tributária é vista como prioritária após a aprovação da reforma da Previdência, mas há dúvidas sobre até que ponto o sistema político será capaz de fazê-la avançar e em qual prazo.

 

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