Um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser evitado, apontou o relatório Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer, divulgado em 3 de abril. O estudo também revela que muitos desconhecem hábitos que aumentam o risco da doença, como falta de exercícios, excesso de peso e consumo de alimentos processados.
A pesquisa, que foi a primeira do tipo realizada em todo o país, foi feita pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e auxílio técnico do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Foram ouvidas 6,5 mil pessoas em todas as regiões do Brasil.
O Inca estima que haverá 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, um aumento de 10,9% em comparação com o período anterior. Esse crescimento é ligado ao envelhecimento da população e aos hábitos de vida.
Dentre os riscos mais conhecidos, o tabagismo se destaca: 90,5% das pessoas sabem que fumar causa câncer. A herança genética foi mencionada por 89,4% e a exposição excessiva ao sol por 88,3%. Em contrapartida, apenas 48,3% reconhecem a falta de exercícios como um risco. Outros fatores como consumo de álcool, embutidos e alimentos industrializados foram citados por menos de 72%.
O estudo também mostrou que muitas pessoas não sabem que o aleitamento materno ajuda a proteger contra o câncer de mama — 4 em cada 10 entrevistados desconhecem essa informação. Já o excesso de peso é visto como risco por 54,1% dos brasileiros.
Sobre hábitos e tentativas de mudança, cerca de 45% dos participantes afirmaram consumir alimentos processados e tentar diminuir seu consumo, enquanto 33% disseram não consumir esses produtos. Quase 53% consomem bebidas açucaradas e procuram reduzir, e 27% afirmaram não consumir. Já a carne vermelha é consumida por muitos, e a maior parte não tenta diminuir.
Os jovens até 24 anos são os mais resistentes em mudar hábitos que aumentam o risco, destacando-se entre os que consomem ultraprocessados, bebidas adoçadas, embutidos e carne vermelha sem intenção de reduzir. Metade da população não consome álcool, porém entre os que bebem, os jovens são maioria entre os que não querem diminuir o consumo.
O estudo também indica que pessoas com maior renda associam mais a atividade física à prevenção do câncer. Enquanto 45% dos que ganham até R$ 2 mil reconhecem o sedentarismo como risco, essa taxa sobe para 59,6% entre os que ganham R$ 10 mil ou mais. Sobre o peso corporal, 48,8% disseram estar com peso saudável.
Para a chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, Luciana Grucci Moreira, os resultados mostram que é essencial ampliar campanhas e políticas públicas voltadas para a prevenção do câncer. Luciana Sardinha, da Vital Strategies, destacou que divulgar o estudo ajuda a conscientizar a população sobre os fatores de risco do câncer.

