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domingo, 07/06/2026

Estudantes de medicina brasileiros envolvidos com contrabando de canetas paraguaias

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Em Brasília

MARCELO TOLEDO
FOZ DO IGUAÇU, PR (FOLHAPRESS)

Estudantes brasileiros que vão diariamente para o Paraguai para fazer medicina em universidades próximas a Ciudad del Este estão sendo usados pelo crime para contrabandear canetas emagrecedoras para o Brasil. Recentemente, um estudante foi preso tentando entrar no país com medicamentos presos ao corpo.

Esse estudante e uma colega, também estudante de medicina, foram flagrados com 200 caixas de tirzepatida de 15 mg, cada uma com quatro ampolas, vindas do Paraguai. Ela levava os medicamentos escondidos em um casaco e bolsa.

O preço de cada caixa no Paraguai é cerca de R$ 430, totalizando aproximadamente R$ 86 mil em medicamentos. No Brasil, o mesmo medicamento custa cerca de R$ 3.499 nas farmácias.

Os estudantes estavam em um táxi vindo de Ciudad del Este quando foram parados por agentes da Receita Federal na Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, e foram levados à Polícia Federal. O taxista paraguaio foi liberado.

De acordo com Daniel Messias Linck, chefe da aduana na Ponte da Amizade, muitos estudantes de medicina são aliciados para transportar esses produtos, já que muitos jovens brasileiros estudam medicina no Paraguai, onde as mensalidades são mais baratas, cerca de R$ 2.000, contra mais de R$ 10 mil no Brasil.

Em 2025, o Paraguai tinha 43 faculdades de medicina autorizadas, das quais 23 eram acreditadas, com cerca de 35 mil estudantes brasileiros matriculados, o que representa três em cada quatro alunos das instituições.

Esses estudantes são usados para atravessar pequenas quantidades desses medicamentos ilegalmente, que depois são distribuídos em grande escala no Brasil, principalmente para os estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Casos semelhantes ocorreram em outras partes do país, com estudantes pegos transportando essas canetas em cidades como Maracaju (MS) e Almirante Tamandaré (PR). Alguns estudantes alegam vender esses medicamentos para ajudar a pagar suas mensalidades ou conseguir uma renda extra, pois no Paraguai a venda dessas canetas não exige receita médica.

Apesar dos alertas na aduana, o contrabando desses medicamentos segue em crescimento. Em uma recente abordagem, duas mulheres paraguaias foram flagradas carregando cerca de 200 ampolas de tirzepatida misturadas a outros produtos.

Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade, explica que o contrabando acontece por uma razão econômica simples: os produtos são vendidos mais baratos e fora das normas oficiais, o que favorece o comércio ilegal.

A empresa Eli Lilly, fabricante do Mounjaro (tirzepatida), alerta que produtos fora dos canais autorizados podem ser perigosos, pois não passam pelos testes e controles necessários exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e podem representar riscos graves à saúde.

O medicamento precisa ser armazenado e transportado com controle de temperatura rigoroso para garantir sua segurança e eficácia, o que não acontece com os produtos contrabandeados.

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