PAULO RICARDO MARTINS
FOLHAPRESS
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou nesta sexta-feira (24) que o Brasil possui uma das leis trabalhistas mais modernas do mundo e que a nova tarifa imposta pelo governo dos Estados Unidos é injusta e não faz sentido.
“É absurdo esse argumento de trabalho forçado. O Brasil tem uma das legislações mais avançadas na proteção aos trabalhadores. Estamos aprovando o fim da escala 6×1”, afirmou Alckmin durante visita à fábrica da Avibras em Jacareí (SP).
Ele também disse que o governo brasileiro está em favor da continuação das negociações com o governo americano e apoia os setores afetados.
Alckmin informou que o presidente Lula decidirá se o Brasil aplicará a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, mas ressaltou que a decisão envolverá audiências públicas e um processo mais longo.
Os Estados Unidos começaram a cobrar uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros nesta sexta-feira (24), após investigação sobre a suposta utilização de trabalho forçado na produção desses itens.
Na quarta-feira (22), outra tarifa de 25% já havia sido aplicada com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, devido a práticas comerciais consideradas injustas.
As tarifas impactam diversos setores, como máquinas agrícolas, madeira processada, etanol, papel e roupas. Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a tarifa de 12,5% atinge cerca de US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos EUA. Para 85,3% dessas vendas, envolvendo US$ 10,7 bilhões, as tarifas podem somar-se às de 25%, totalizando uma taxa de 37,5%.
Durante a visita à Avibras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou satisfação com o acordo entre a Avibras, uma empresa brasileira de defesa, e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que permitiu a retomada das atividades da empresa.
A Avibras voltou a funcionar em maio deste ano, produzindo mísseis, foguetes, veículos e lançadores espaciais civis, entre outros produtos.
A empresa esteve paralisada por cerca de três anos devido a uma greve dos funcionários causada por falta de pagamento.
O acordo firmado estabelece o pagamento da dívida trabalhista acumulada desde 2022, que soma R$ 230 milhões, por meio de uma indenização social, conforme informou o sindicato.
