Os dados recentes do IBGE mostram que o setor de Moradia teve um aumento de 0,63% em junho, sendo o maior entre os grupos analisados. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo custo da energia elétrica residencial, que mesmo desacelerando no aumento, ainda foi o principal fator individual que influenciou o índice de preços.
Por outro lado, o preço dos alimentos e bebidas caiu 0,24%, ajudando a compensar a alta em habitação.
O grupo Despesas Pessoais teve alta de 0,25%, com destaque para os serviços domésticos e cuidados pessoais, incluindo aumento em higiene pessoal e planos de saúde, este último refletindo reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Os preços dos Transportes subiram 0,17% em junho, após a queda registrada no mês anterior, contribuindo positivamente para o índice geral.
Mesmo com essas variações, especialistas notaram uma melhora na qualidade do índice, visto que a proporção de itens que apresentaram alta diminuiu de 65% em maio para 54% em junho, indicando uma desaceleração mais ampla dos preços.
Perspectiva Econômica
A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, avaliou que o índice apresentou um “bom aspecto qualitativo”, com resultados favoráveis também nos núcleos de inflação, o que reforça a expectativa de estabilidade ou leve redução na inflação em 2026. No entanto, ela alerta para a necessidade de cautela devido a fatores como o cenário fiscal e a proximidade das eleições.
Além disso, o ASA destacou que a melhora foi observada além dos itens mais voláteis, com os núcleos avançando 0,21% em junho, a menor alta desde setembro de 2025, destacando a desaceleração nos serviços de alimentação.
O economista Alexandre Maluf, da XP, comentou que os bens industrializados, como roupas, automóveis e eletrodomésticos, permaneceram estáveis, contribuindo para um cenário favorável.
Para as consultorias Capital Economics e XP, esses resultados indicam possibilidade de um novo corte na taxa Selic em agosto, dependendo dos próximos dados econômicos.
