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quarta-feira, 22/07/2026

Por que o Brasil enfrenta muitos golpes online e roubos de celular?

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O Brasil enfrenta um grave aumento nos golpes virtuais e nos roubos de celulares, que chegam a milhões de casos registrados anualmente. Os criminosos utilizam métodos cada vez mais sofisticados, incluindo inteligência artificial, e conseguem até enganar sistemas de reconhecimento facial, assustando pela complexidade dos ataques.

Os roubos de celulares acontecem frequentemente de forma rápida e, em alguns casos, violenta, com cerca de 900 mil ocorrências por ano no país.

Para discutir soluções, o Brasil Adiante, uma série de eventos promovida pelo Estadão, reúne especialistas para propor ações eficazes para o próximo governo.

Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que o crime cibernético tem crescido muito, pois os criminosos sabem que a chance de serem punidos é pequena e o investimento do governo para combater esses crimes é baixo.

Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com o Instituto Datafolha aponta que 15,8% dos brasileiros, aproximadamente 26,3 milhões de pessoas, já foram vítimas de golpes pela internet ou celular.

As polícias enfrentam dificuldades para se adaptar às investigações desses crimes, que exigem novas habilidades e tecnologias. Para isso, é essencial que o governo invista em capacitação policial com o uso de softwares avançados e inteligência artificial.

A tecnologia também ajuda a identificar padrões dos criminosos e a integrar dados entre órgãos públicos, como a ANPD, Anatel e Coaf, além de parcerias com entidades privadas, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Rafael Alcadipani também aponta que a legislação atual dificulta o combate, já que para rastrear as finanças de um criminoso em várias contas é preciso uma série de quebras de sigilo, o que precisa ser reformado com urgência.

Como crimes virtuais ultrapassam fronteiras, é necessário ampliar cooperações internacionais para localizar os responsáveis e executar mandados judiciais.

Parte dos recursos obtidos com os golpes ajudam a financiar facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho.

Celulares são como caixas eletrônicos para bandidos

Os golpes virtuais levam a uma migração dos crimes comuns para a internet, com exceção dos roubos de celulares, que continuam acontecentes nas ruas. Isso ocorre porque, com o uso crescente do Pix e aplicativos bancários no celular, esses aparelhos se tornaram alvo valioso para os criminosos.

Jorge Lordello, especialista em segurança, explica que o celular guarda a carteira digital da pessoa, o que atrai os bandidos pelo valor do aparelho e pelo dinheiro acessível nos apps bancários.

Os criminosos normalmente agem disfarçados, como entregadores, utilizando motos ou bicicletas. Muitas vezes, há violência e até mortes em tentativas de conseguir um celular desbloqueado.

Em São Paulo, investigações revelaram quadrilhas organizadas que financiam roubos de celulares, como a chamada “Mainha do Crime”, presa em 2025.

Uma forma de combater esses crimes é o programa Celular Seguro, que bloqueia rapidamente aparelhos roubados e já foi testado com sucesso no Piauí antes de ser adotado em todo o país.

Especialistas recomendam esforços para rastrear e desmantelar centros que recebem celulares roubados, usados para golpes e vendidas ilegalmente, inclusive para o exterior, onde alguns países não possuem sistemas eficazes de identificação.

Em maio, a pena para receptação de celulares roubados foi aumentada para 2 a 6 anos de prisão, além de multa, em vigor para tentar controlar o crime.

Próximo encontro do Brasil Adiante

  • Data: 23 de julho;
  • Local: Espaço JK Eventos;
  • Endereço: Rua Professor Atílio Innocenti, 780 – Itaim Bibi;
  • Horário: Das 8h às 11h30;
  • Onde assistir: Transmissão ao vivo nas plataformas do Estadão.

Painel 1: Por que o Brasil não consegue reduzir a violência?
Painelistas: Joana Monteiro, professora do FGV/Ebape; Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; e Rodrigo Pimentel, capitão veterano do Bope e escritor. Mediação de Victor Vieira, editor do Estadão.

Painel 2: O crime organizado está mais preparado que o Estado?
Painelistas: Cristina Pinotti, economista; Fábio Diniz, presidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime; e Lincoln Gakiya, promotor de Justiça. Mediação de Marcelo Godoy, repórter do Estadão.

Cronograma do Brasil Adiante

  • 27 de maio: Encontro 1: Estabilidade Institucional e Crescimento;
  • 11 de junho: Encontro 2: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde);
  • 23 de julho: Encontro 3: Segurança Pública e Crime Organizado;
  • 19 de agosto: Encontro 4: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;
  • 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação e divulgação da agenda;
  • Novembro: Entrega da agenda ao presidente eleito.

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