NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS
A Petrobras anunciou na última terça-feira (30) um novo sistema que tem como objetivo diminuir os efeitos das oscilações do preço do petróleo sobre o gás natural, um combustível essencial para cozinhas, transporte e para algumas indústrias como a química e a de vidro.
O valor do gás vendido para as distribuidoras costuma mudar a cada três meses e estava previsto um aumento de 22% para agosto, causado pelo aumento dos preços internacionais do petróleo após o início do conflito no Irã.
Com o novo sistema, a Petrobras estabeleceu um limite máximo e mínimo para o preço do gás. Isso fará com que o aumento previsto para agosto seja reduzido para 6%. Da mesma forma, quando o preço do petróleo cair, a redução no preço do gás também será menor.
“O principal objetivo do sistema é diminuir temporariamente os efeitos das variações dos preços internacionais, especialmente em momentos de forte alta do petróleo Brent, proporcionando mais estabilidade e previsibilidade para os consumidores”, explicou a Petrobras em comunicado.
A empresa também destacou que esse sistema ajuda a manter a demanda no médio e longo prazo ao evitar aumentos bruscos e ainda garante a competitividade da Petrobras no mercado. Além disso, o preço mínimo protege a rentabilidade da companhia.
É importante destacar que esse sistema de limite de preços não é obrigatório: as distribuidoras de gás canalizado que quiserem participar precisam manifestar interesse e concordar em modificar seus contratos.
“Essa iniciativa mostra o compromisso da Petrobras em atender as necessidades dos clientes e reforça sua atuação competitiva no mercado de gás natural”, afirmou a companhia.
A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) declarou que vê as medidas tomadas pela Petrobras de forma positiva.
“A solução criada pela Petrobras reduz temporariamente o impacto dos aumentos internacionais, que normalmente são refletidos no preço do gás de forma trimestral e com atraso, trazendo mais previsibilidade e evitando aumentos repentinos”, disse a associação.
O cálculo do reajuste do gás natural leva em conta a variação dos preços do petróleo no trimestre anterior. Portanto, o aumento previsto para agora reflete os efeitos do recente conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
O petróleo Brent manteve-se por bastante tempo próximo a US$ 100 por barril, chegando a quase US$ 120, antes de cair nas últimas semanas. No último dia da semana passada, o preço estava em torno de US$ 73 por barril.
Durante o último trimestre, o preço do gás que a Petrobras vendeu às distribuidoras já sofreu o impacto da guerra, com aumento de 19,2%. Para evitar um novo aumento forte, a empresa criou o mecanismo de limites para o preço.
O aumento que chega ao consumidor final depende dos contratos das distribuidoras. Em alguns estados, o reajuste acontece imediatamente; em outros, só na data de revisão anual das tarifas. Por exemplo, no Rio de Janeiro o ajuste é automático, enquanto em São Paulo ocorre anualmente.
