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Pequenos comerciantes da Argentina tentam se equilibrar no caos

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A desvalorização histórica do peso – com baixa acumulada de 22% desde sexta-feira – se traduziu em perdas imediatas para alguns donos de lojas

Buenos Aires: “A Argentina é uma gangorra que sobe e desce”, disse Ruben Haleblian, vendedor de uma loja de eletrônicos na capital argentina (Sarah Pabst/Bloomberg)

Depois de dois defaults da dívida soberana neste século, pequenos comerciantes na Argentina sabem navegar muito bem em tempos de crise. Mas mesmo eles foram abalados pela nova turbulência.

A desvalorização histórica do peso argentino – em forte queda pelo segundo dia, com baixa acumulada de 22% desde sexta-feira – se traduziu em perdas imediatas para alguns donos de lojas. Outros faziam cálculos para saber o quanto pagar por seus ingredientes básicos. Com as eleições presidenciais programadas para daqui a dez semanas, todos ficaram imaginando o quanto pode piorar.

“A Argentina é uma gangorra que sobe e desce”, disse Ruben Haleblian, vendedor de uma loja de eletrônicos em Buenos Aires.

O peso em queda significa que mercadorias atreladas ao dólar sobem de preço. Com a moeda em queda livre, Haleblian foi instruído pelo dono da loja a precificar todos os produtos, que são importados, a 62 pesos por dólar. O resultado: todas as mercadorias, de um cartão de memória SD a um celular Samsung, ficaram 40% mais caras – e os clientes foram embora da loja assim que souberam o preço.

’Fora de controle’

Outro exemplo é o de Pablo Ricatti: sua empresa faz pães para hambúrgueres e cachorros-quentes na província de Buenos Aires, mas o colapso cambial significa que agora ele não tem como saber o preço justo da farinha. Depois que os mercados fecharam, Ricatti descobriu que seu fornecedor havia aumentado o preço em 59% na sexta-feira.

“Não vou aceitar esse preço, é muito mais do que a desvalorização do peso”, disse Ricatti, que enfrenta o próprio desafio de decidir o que cobrar dos clientes. “Temos suprimentos suficientes para vender para as próximas duas semanas e podemos manter nossos preços por enquanto”, disse. “Mas, se o peso continuar fora de controle, vamos aumentar os preços.”

Os argentinos já enfrentaram crises cambiais antes, como em agosto do ano passado, quando uma depreciação de 25% em um único dia levou o governo a aumentar o tamanho de um empréstimo recorde com o Fundo Monetário Internacional.

Em 2015, quando o presidente Mauricio Macri eliminou o controle de capitais, a moeda se desvalorizou 30%. Esse tipo de oscilação torna mais difícil para os argentinos conduzirem seus negócios com normalidade.

Eleições

A onda vendedora da segunda-feira fez parte de uma ampla fuga de ativos da Argentina depois que o candidato da oposição Alberto Fernández venceu Macri nas eleições primárias do fim de semana, consideradas um prenúncio para as eleições presidenciais de outubro.

Os rumores sobre o tipo de política populista para a economia que poderia ser implementado por Fernández e, especialmente, por sua vice na chapa, a ex-presidente Cristina Kirchner, alarmaram os investidores.

No entanto, embora o resultado tenha surpreendido institutos de pesquisa e investidores, os números refletiram o descontentamento da população em relação ao comando da Argentina em meio à recessão, austeridade e inflação acima de 50%.

O resultado é uma desconexão entre a preferência do eleitorado por um governo potencialmente protecionista e intervencionista para ajudar a tirá-los das dificuldades econômicas e o desejo dos investidores por uma continuidade das políticas pró-mercado de Macri para recuperar a confiança dos mercados internacionais.

Essa divergência pode agravar a crise econômica no curto prazo.

“O movimento repentino da moeda não está apenas prejudicando a economia hoje, mas talvez 2020 não traga a recuperação que esperávamos”, disse Jimena Blanco, diretora de pesquisa da Verisk Maplecroft, em Buenos Aires. “As decisões de investimento serão suspensas até o segundo semestre do ano que vem.”

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Ousado, projeto de brasileiro propõe cobrir Notre-Dame com vitrais

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Quatro meses depois do incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre-Dame, em Paris, um arquiteto brasileiro apresentou um projeto para reconstrução do local. A proposta é usar vitrais para refazer o teto e a agulha, as partes mais prejudicadas pelo fogo.

Em uma postagem no Instagram, o arquiteto responsável pelo projeto explicou que a ideia é usar a iluminação natural, que ao passar pelos vitrais, se multiplicará em diversas cores. Alexandre Fantozzi completou que para a parte da noite, a iluminação interior se tornaria uma grande cobertura retroiluminada.

O projeto, batizado de Couronne Divine – ou Coroa Divina – tem como objetivo exaltar uma das características mais importantes do estilo Gótico, que norteia a Catedral. A proposta é usar materiais mais tecnológicos para isso.

O arquiteto reforçou que não pretende intervir no design e não tem aspirações artísticas. Fantozzi afirmou que quer respeitar o significado sagrado de Notre Dame, uma Catedral inaugurada nos anos 1345.

O governo francês pretende entregar as obras de recuperação da estrutura em até cinco anos, mas ainda não deu detalhes da escolha de um projeto de reconstrução.

 

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Impasse político na Itália mantém navio com 134 imigrantes à deriva

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Em meio a uma batalha entre ex-aliados políticos, o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, impediu o desembarque do navio com imigrantes na Itália

Itália: a imigração se tornou um tema central do plano de Salvini para impor novas eleições (Guglielmo Mangiapane/Reuters)

Itália – Um navio de resgate com 134 imigrantes a bordo, a maioria africanos, aguardava no litoral da Itália nesta sexta-feira em meio a uma batalha entre ex-aliados políticos que impediu a embarcação de atracar em Lampedusa, ilha do sul do país.

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, determinou que suas autoridades impeçam o navio de desembarcar os imigrantes, que foram resgatados no litoral da Líbia 16 dias atrás, desafiando seu próprio primeiro-ministro e apesar de seis nações da União Europeia terem concordado em recebê-los.

O sofrimento dos imigrantes ressalta o colapso da coalizão governista italiana e como a imigração se tornou um tema central do plano de Salvini de impor novas eleições à nação e voltar ao poder como premiê.

Cinco pessoas seriamente traumatizadas foram retiradas do navio Open Arms, operado por uma organização espanhola homônima, na quinta-feira, acompanhados de quatro familiares. Outras três pessoas que necessitavam cuidado médico urgente foram levadas à terra firme durante a noite com um acompanhante, informou o Open Arms no Twitter.

“Elas estão se flagelando e ficando com raiva de outras pessoas do grupo”, explicou Alessandro di Benedetto, psicólogo do grupo humanitário italiano Emergency, à rádio RAI depois de examinar as cinco pessoas desembarcadas na quinta-feira.

“Algumas delas estão tendo pensamentos suicidas, então pensam que é melhor morrer aqui do que voltar.”

 

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Israel autorizará visita de congressista americana por razão ”humanitária”

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O ministro Aryeh Dery decidiu nesta sexta-feira autorizar a entrada de Rashida Tlaib “para uma visita humanitária a sua avó”

(foto: Ahmad Gharabli/AFP)

Israel autorizará a entrada em seu território da congressista democrata americana Rashida Tlaib para uma “visita humanitária”, anunciou nesta sexta-feira o ministro do Interior.
As autoridades israelenses haviam proibido na quinta-feira as visitas de Tlaib e de outra congressista americana, Ilhan Omar, devido a seu apoio à campanha de boicote ao Estado hebreu e após um pedido do presidente americano, Donald Trump.
Mas o ministro Aryeh Dery decidiu nesta sexta-feira autorizar a entrada de Rashida Tlaib “para uma visita humanitária a sua avó”.
A própria congressista “prometeu não estimular a causa do boicote a Israel durante sua estadia”, afirma um comunicado divulgado pelo ministério.
Rashida Tlaib é a primeira congressista americana de origem palestina. O território de Israel é a porta de entrada para os Territórios Palestinos.
O movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) defende o boicote econômico, cultural e científico de Israel para protestar contra a ocupação dos Territórios Palestinos.
Israel aprovou em 2017 uma lei que permite a proibição de entrada em seu território dos partidários do BDS, que o país denuncia como antissemitas, acusações que os ativistas rejeitam.
Rashida Tlaib escreveu na quinta-feira às autoridades israelenses para solicitar autorização para visitar sua família, em particular sua avó, que mora em Beit Ur al Fauqa, perto da Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
“Pode ser minha última oportunidade para visitá-la”, escreveu a congressista. “Me comprometo a respeitar todas as restrições e a não promover o boicote contra Israel durante minha visita”, completou no texto.
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