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Mídia internacional destaca suspeitas e pedidos pela renúncia de Moro

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A imprensa internacional repercutiu o vazamento de mensagens trocadas pelo então juiz federal, Sergio Moro, e por integrantes do Ministério Público Federal

A imparcialidade do julgamento do ex-presidente Lula foi um dos assuntos levantados pela imprensa internacional (Adriano Machado/Reuters)

São Paulo — Os questionamentos sobre a imparcialidade do julgamento que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão, a nova investida da defesa do petista para conseguir a sua libertação e os pedidos pela renúncia do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, são algumas das abordagens adotadas pela imprensa internacional para repercutir o vazamento de mensagens trocadas pelo então juiz federal e por integrantes do Ministério Público Federal, como o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba. O conteúdo foi publicado no último domingo, 9, pelo site The Intercept Brasil.

No Reino Unido, o Financial Times destacou como a defesa de Lula pediu que ele seja solto “imediatamente” após as conversas vazadas virem à tona e “remexerem a controvérsia” sobre o processo no qual ele foi preso depois de ser condenado em segunda instância, no caso do triplex do Guarujá (SP).

O diário berlinense Tagesspiegel, da Alemanha, fala na “roupa suja” do “homem da limpeza” Sérgio Moro ao escrever que, mesmo que as consequências do vazamento ainda não sejam integralmente conhecidas, “está claro que o Brasil vive um escândalo de Justiça que coloca o governo do presidente Jair Bolsonaro sob pressão”.

Para o New York Times, as mensagens que, segundo a reportagem do The Intercept Brasil, foram trocadas ao longo de anos entre o atual ministro e Dallagnol “colocam em dúvida a integridade de uma vasta investigação de corrupção”, referindo-se à Lava Jato.

O argentino Clarín é mais um veículo a ressaltar os trechos das mensagens vazadas que se referem ao julgamento de Lula. “(Dallangol) expressou dúvidas a Moro sobre a consistência das provas” contra o ex-presidente, aponta o diário, lembrando também a “indignação” com que o Partido dos Trabalhadores recebeu a reportagem.

“Lula foi condenado erroneamente? A mão dos juízes está por trás da vitória da extrema direita de Jair Bolsonaro?”, questiona o Corriere della Sera, da Itália, nas duas primeiras linhas da matéria que fez sobre o caso, comentando já no título que o furo de reportagem “reabilita” Lula.

O site da emissora Al Jazeera, do Qatar, destaca que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, pediram o afastamento de Moro até que o caso seja devidamente elucidado.

Na França, Le Monde também inicia sua matéria com uma pergunta: “E se o maior escândalo de corrupção na história do país tivesse sido manipulado?”

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Bolsonaro vai assinar MP para vender bens apreendidos do tráfico de drogas

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Em solenidade agendada para as 17h30 no Palácio do Planalto, a assinatura da nova MP contará com a participação de Moro e Onyx

Bolsonaro: presidente vai assinar MP que facilita a venda de bens confiscados de traficantes (Alan Santos/PR/Flickr)

Brasília — O presidente Jair Bolsonaro assina nesta segunda-feira uma medida provisória que acelera o processo de venda de bens apreendidos do tráfico de drogas e autoriza a contratação temporária de engenheiros em projetos de construção de presídios.

Em solenidade agendada para as 17h30 no Palácio do Planalto, a assinatura da nova MP contará com a participação dos ministros da Justiça e Segurança Publica, Sergio Moro, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Moro, que já havia se pronunciado em favor dessas iniciativas capitaneadas por sua pasta, estará novamente em um evento público ao lado de Bolsonaro após a revelação de supostas conversas dele quando era juiz da Lava Jato com procuradores da força-tarefa da operação em Curitiba.

Apesar do episódio, o presidente tem dado respaldo a Moro e na sexta-feira disse ser “zero” a possibilidade de demiti-lo.

Segundo o Ministério da Justiça, as novas regras sobre itens confiscados dão maior eficiência e racionalidade na gestão de bens apreendidos como produtos de crimes relacionados a drogas.

“Será possível transformar, mais rapidamente, os bens apreendidos em recursos financeiros para aplicação em investimentos sociais. Os valores arrecadados com a venda já poderão ser utilizados em políticas públicas antes mesmo do fim do processo judicial”, disse o ministério em comunicado.

“Além disso, os Estados receberão recursos para estruturar as polícias de modo mais célere e para aplicação em ações mais direcionadas. Por fim, serão reduzidos os custos de manutenção de espaços para guarda desses bens, gerando economias que permitirão a União e os Estados investir em outras necessidades”, acrescentou.

O ministério disse ainda que a MP também inclui, no âmbito do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), autorização para contratação temporária de engenheiros, o que vai agilizar a análise dos projetos de construção de presídios.

 

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Guedes quer ajustar relatório da reforma

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Equipe do ministro vê “pegadinha” em cálculo; relator Samuel Moreira diz que está aberto ao diálogo, mas que não vai abandonar seu relatório

Paulo Guedes: equipe do ministro vai buscar negociar ajustes no relatório da reforma da Previdência com o relator da proposta (: Andrew Harrer/Bloomberg/Bloomberg)

Brasília — A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, vai buscar negociar ajustes no relatório da reforma da Previdência com o relator da proposta, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). O relator e o secretário Especial de Previdência, Rogerio Marinho, já conversaram informalmente neste fim de semana, depois das duras críticas ao parecer feitas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Samuel disse no domingo, 16, que está aberto ao diálogo. “Meu relatório está sujeito a mudanças. Não é um decreto. Preciso proteger o relatório e não vou abandoná-lo. Mas vou para o diálogo novamente”, afirmou. Nesta segunda-feira, o relator se reúne com sua equipe para fazer um balanço.

Segundo apurou a reportagem, Marinho se reuniu NP domingo com técnicos para uma análise dos pontos que poderão sofrer ajustes. A preocupação agora, de acordo com uma fonte, é evitar um desgaste maior.

BPC

Guedes passou a concordar com a retirada das mudanças do BPC, benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, depois que percebeu a importância dessa assistência nas regiões mais pobres do País.

Ele foi contra a exclusão das regras que abrangiam Estados e municípios – pois muitos estão quebrados e é “lá onde o povo vive” – e às mudanças nas regras para servidores, que possibilitam antecipar os privilégios de se aposentar com o último salário da carreira aos servidores mais antigos.

O que desagradou à equipe econômica e pegou os técnicos de surpresa foram outros pontos que, mesmo fora da mira dos partidos que compõem o Centrão (hoje os principais fiadores na negociação pela aprovação da reforma), foram alterados na versão do texto apresentada na última quinta-feira.

Embora a criação de um regime capitalizado, segundo o qual os novos trabalhadores contribuiriam para contas individuais e poupariam para suas aposentadorias futuras, fosse uma das principais bandeiras de Guedes, a sinalização de Maia de que a discussão poderia ficar para o segundo semestre já havia dado o tom do desfecho para esse ponto.

 

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Ministério Público Federal vota lista tríplice à PGR nesta terça-feira

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Procuradores federais de todo o país vão às urnas nesta terça-feira (18) para escolher a lista tríplice com os nomes dos indicados à Procuradoria-Geral da República (PGR). Neste ano, nove homens e uma mulher estão inscritos para a disputa promovida pela Associação Nacional dos Procuradores da República, a ANPR.

O mandato da atual procuradora-geral Raquel Dodge termina em setembro. Desde 2001, a lista é feita para que integrantes do Ministério Público Federal (MPF) indiquem quem acreditam ser o mais preparado para comandar a instituição.

Três nomes são escolhidos e enviados ao presidente da República, que tem a palavra final. Neste ano, no entanto, a eleição tem como pano de fundo a possibilidade de Jair Bolsonaro(PSL) indicar alguém que não esteja na lista.

A professora de direito comparado da USP, Maristela Basso, acha difícil o presidente fugir das três indicações. Para ela, ignorar a lista não seria uma boa estratégia de Jair Bolsonaro e o nome escolhido poderia encontrar dificuldades na liderança do MPF.

“Ele traria um constrangimento para a classe dos procuradores se dissesse que ‘nenhum dos três que sugeriram eu quero, eu quero outro’, já que esse outro pode não ser o líder dos procuradores da República. Pode acontecer, mas não seria uma boa estratégia. Traria um certo mal-estar”, afirmou Maristela.

Além do receio de Bolsonaro não escolher alguém da lista tríplice, há também a possibilidade de Raquel Dodge permanecer no cargo pela via direta do presidente, já que não se inscreveu para concorrer na eleição.

A procuradora-geral da República sinalizou que está disposta a comandar a PGR por mais dois anos. “Eu estou à disposição tanto da minha instituição quanto do país para uma eventual recondução, não sei se isso vai acontecer”.

Desde a tradição de formação da lista tríplice, o vencedor para o cargo não foi acolhido pelo presidente apenas duas vezes: na primeira edição do documento e, mais recentemente, em 2017, quando o então presidente Michel Temer escolheu Raquel Dodge.

A votação desta terça-feira ocorre das 10 horas às 18 horas nas unidades do MPF de todo o país.

*Com informações da repórter Marcella Lourenzetto

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