MÁRCIA MAGALHÃES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A indústria brasileira está enfrentando um problema sério: os produtos feitos no país estão perdendo espaço no mercado interno para produtos importados da China. As entidades que representam vários setores da indústria pedem que o governo tome medidas mais fortes para proteger as empresas nacionais.
Essas entidades afirmam que a questão não é a entrada de produtos importados, mas sim a competição injusta causada pelas importações que recebem benefícios, como subsídios, custos de produção menores e vantagens fiscais, o que prejudica a indústria local.
Recentemente, o governo federal eliminou um imposto sobre pequenas importações, o que gerou críticas do comércio e aumentou a preocupação da indústria brasileira sobre a desigualdade tributária no comércio eletrônico.
Estimativas indicam que o déficit comercial na área de produtos manufaturados vai crescer em 2026, ultrapassando os valores negativos registrados em 2025, o que pode impactar negativamente o crescimento econômico do país.
De acordo com as entidades, o excesso de produtos chineses tem inundado o mercado global, incluindo o brasileiro, onde as medidas para proteger a indústria não estão sendo eficazes contra essa competição predatória.
A Coalizão Indústria reúne diferentes setores, como aço, alimentos, automóveis, brinquedos, calçados, cimento, eletrônicos, farmacêuticos, máquinas, têxtil e plástico. Juntos, esses setores são responsáveis por quase metade do PIB industrial do Brasil, geram milhões de empregos diretos e indiretos e contribuem com uma grande parte dos tributos pagos ao governo.
Para 2026, projeta-se que muitos desses setores terão crescimento baixo ou até retração, o que demonstra a dificuldade enfrentada pela indústria nacional para competir em igualdade de condições.
Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq, destacou que a indústria brasileira não busca privilégios, mas demanda condições justas para competir com os concorrentes estrangeiros.
Em 2025, o desempenho médio dos setores industriais representados ficou abaixo do crescimento do PIB nacional, e há preocupações sobre a perda da participação da indústria brasileira na economia global.
Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalizão Indústria, ressaltou que as importações predatórias já tomaram uma grande parte do mercado brasileiro de aço.
Para o próximo ano, a previsão é de crescimento modesto da produção industrial, enquanto as importações devem crescer mais rapidamente, indicando que a indústria nacional está sendo superada pela entrada de produtos importados.
As entidades pedem o fortalecimento de instrumentos legais de defesa comercial, como medidas antidumping, além de redução dos juros, controle das contas públicas e diminuição do custo Brasil, que inclui impostos, burocracia, logística e energia elevados.
José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast, explicou que os altos juros prejudicam os investimentos, o consumo e o crescimento econômico, já que uma grande parte dos gastos do país é direcionada ao pagamento de juros de dívidas de empresas e famílias.
Para a coalizão, o desempenho da indústria de transformação tem relação direta com o crescimento do país, já que historicamente, o crescimento do PIB acima de 4% esteve associado ao crescimento industrial.
Apesar dos desafios, os setores representados mantêm planos de investir trilhões de reais nos próximos cinco anos.
No evento, a entidade também lançou um manifesto defendendo que o Brasil alcance um crescimento econômico sustentável de pelo menos 3,5% ao ano nos próximos cinco anos, alertando que a falta desse avanço comprometeria o futuro do país.
