Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi preso nesta quinta-feira (16/4) pela Polícia Federal em Brasília. A ação faz parte da fase atual da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, com apoio da Procuradoria-Geral da República.
Além dele, o advogado Daniel Monteiro, ligado a negociações entre o BRB e o Banco Master, também foi detido em São Paulo. A operação está sob sigilo.
Informações indicam que a prisão está relacionada a suspeitas de pagamento de propina em negociações envolvendo seis imóveis avaliados em R$ 140 milhões.
Investigações e Crise no BRB
Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, tanto no Distrito Federal quanto em São Paulo. As investigações abrangem crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB em 2019 e esteve à frente da tentativa de compra do Banco Master pela instituição. A aquisição de ativos problemáticos do Banco Master, cuja propriedade pertencia a Daniel Vorcaro, está no centro da atual crise do BRB.
O banco enfrenta um desafio financeiro significativo, precisando provisionar cerca de R$ 8,8 bilhões, conforme informou o atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza. Os ativos do Master adquiridos foram inicialmente avaliados pelo BRB em R$ 21,9 bilhões.
Em novembro de 2025, Paulo Henrique Costa foi afastado do cargo pela Justiça. Durante depoimento à Polícia Federal, ele negou que a compra do Master tivesse o objetivo de salvar a instituição de Daniel Vorcaro.
Na audiência de 30 de dezembro, Costa defendeu a operação de aquisição, classificando-a como técnica e afirmou que a tentativa de compra do Banco Master foi uma das opções do BRB para ampliar sua competitividade e presença no mercado.
Respondendo sobre a possibilidade do Master quebrar antes da negociação ser concluída, ele disse que isso seria problema do banco adquirido. Segundo Paulo Henrique Costa, o BRB nunca teve intenção ou compromisso de salvar o Master e que a proposta final excluía bilhões de reais em ativos e passivos da negociação.
