NATHALIA GARCIA E ISABELLA MENON
FOLHAPRESS
O representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, informou ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que será mantida a recomendação para aplicar novas tarifas sobre produtos do Brasil. A decisão deve ser anunciada nesta quarta-feira (15) e a lista de produtos que ficarão isentos deverá ser maior, segundo uma fonte brasileira. O setor privado acredita que outros setores também poderão ser poupados da sobretaxa de 25%.
A investigação terminou no começo de junho. Depois disso, foram abertas consultas públicas e realizadas audiências em Washington. O setor privado, tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos, em sua maioria, manifestou-se contra as tarifas.
As tarifas podem começar a valer imediatamente ou poucos dias após a publicação da decisão, conforme a mesma fonte.
A apuração da seção 301 foi iniciada em julho de 2025, como parte das ações do governo republicano em resposta ao que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No ano passado, um republicano declarou que a forma como o Brasil tratou o ex-presidente Bolsonaro — que foi um líder muito respeitado no país e também pelos Estados Unidos — foi uma vergonha internacional. Ele defendeu que esse processo terminasse imediatamente.
Desde maio deste ano, o governo brasileiro tem feito reuniões com autoridades americanas. Esses encontros começaram após a visita do presidente Lula à Casa Branca, quando foi criado um grupo de trabalho com representantes dos dois países para discutir juntos os assuntos relacionados ao processo.
O grupo pretendia trabalhar por um mês, mas a investigação foi concluída antes desse prazo. As conversas continuaram, mas, segundo aliados do governo do PT, não havia espaço para negociações e os Estados Unidos aplicariam a tarifa de qualquer forma.
Na terça-feira (14), houve uma última reunião. Em uma nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o governo brasileiro reafirmou sua posição contra a aplicação das tarifas.
O Ministério afirmou que nenhuma das justificativas usadas na seção 301 sustentam a criação das novas tarifas. A orientação do presidente Lula é que a sobretaxa é injusta e não é o caminho para um acordo bilateral satisfatório para os dois países.
Uma reportagem recente mostrou que membros do governo planejam sugerir ao presidente a adoção de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou essa possibilidade.
Dario Durigan explicou que o processo de reciprocidade já havia sido iniciado no passado, mas foi suspenso conforme a legislação do Congresso Nacional, depois que o tarifaço foi revertido. Com a nova situação, é provável que o processo seja retomado, após consulta ao presidente Lula.
