O dólar fechou em alta, ultrapassando R$ 5,05 nesta sexta-feira, devido a uma valorização da moeda americana no mercado internacional. O aumento dos preços do petróleo, causado pelo conflito no Oriente Médio, elevou as taxas dos títulos americanos, prejudicando moedas de países em desenvolvimento.
O aumento dos juros globais e o medo no mercado internacional pesaram mais que o efeito positivo da alta do petróleo sobre o real. A moeda brasileira também sofreu com a venda de ativos causada pela corrida presidencial, especialmente após revelações sobre a proximidade entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O dólar alcançou uma máxima de R$ 5,0818 durante a tarde e encerrou o dia em alta de 1,63%, o maior valor desde abril. Moedas como o peso chileno, o rand da África do Sul e o florim da Hungria também tiveram desempenho ruim.
Na semana, o dólar subiu 3,55%, e em maio o avanço foi de 2,32%, após uma queda em abril. No ano, ainda registra perda de 7,67%, após quedas superiores a 10% anteriormente.
Segundo Felipe Izac, da Nexgen Capital, o cenário externo se mantém de aversão ao risco devido ao impasse entre EUA e Irã. O fortalecimento do dólar é causado pela alta das taxas de juros nos EUA e pela incerteza sobre cortes futuros.
Flávio Bolsonaro afirmou à CNN Brasil que as conversas com Daniel Vorcaro não prejudicam sua candidatura à presidência. A mídia divulgou mensagens sobre pedido de recursos para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, Flávio nega proximidade próxima com o banqueiro e defende sua candidatura.
Relatório da Wagner Investimentos indica que o otimismo com o real diminuiu após essas notícias, gerando dúvidas sobre o futuro das eleições e possíveis elevações na taxa de juros americana, o que poderia elevar ainda mais o dólar.
O preço do petróleo Brent subiu 3,35% e acumulou valorização semanal de quase 8%, influenciado pelo conflito no Oriente Médio e declarações do ex-presidente Donald Trump contra o Irã. A tensão na relação entre EUA e China também contribui para a pressão no mercado.
O índice que mede o valor do dólar frente a várias moedas fortes avançou mais de 1,4% na semana, refletindo a alta das taxas de juros americanas e a força do dólar. Segundo André Perfeito, da Garantia Capital, o real tem comportamento mais sensível no mercado interno, e apesar da volatilidade, tende a se valorizar no longo prazo.
Bolsa
A tensão global e as incertezas políticas afetaram negativamente o Ibovespa, que teve queda de 0,61% na sexta-feira e acumula perda de quase 4% na quinta semana seguida. O mercado registrou saída de recursos estrangeiros em maio, e investidores mostram cautela diante do cenário geopolítico complexo.
Isabel Lemos, da Fator Gestão, comenta que os fundos internacionais já lucraram tanto com a alta da bolsa quanto com a valorização do real, mas atualmente reduzem a exposição devido ao risco elevado.
O aumento do preço do petróleo, próximo a US$ 101 por barril, causa receios inflacionários e pressiona os juros para níveis altos por mais tempo. A relação entre os Estados Unidos e a China também permanece tensa, não apresentando avanços significativos nas negociações recentes.
No âmbito doméstico, denúncias envolvendo a família Bolsonaro e o banco Master elevaram a incerteza sobre a política fiscal. Embora Flávio Bolsonaro tenha defendido seu irmão Eduardo Bolsonaro quanto a recursos levantados para o filme biográfico, a instabilidade política influencia o mercado.
Juros
O mercado de juros futuros sofreu forte pressão com a onda de vendas nos mercados externos, causada por temores inflacionários ligados ao conflito no Oriente Médio e incertezas políticas globais.
As taxas brasileiras para vencimentos intermediários e longos subiram para seus maiores níveis do ano, impulsionadas por notícias relacionadas a Flávio Bolsonaro e os efeitos do conflito.
O contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 subiu para 14,235%, e os contratos para 2029 e 2031 também apresentaram alta significativa.
O preço do petróleo Brent mantém-se elevado, consolidando preocupações sobre o impacto inflacionário e a hesitação dos bancos centrais em reduzir juros. Caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado, pode ocorrer escassez crítica de estoques de petróleo ainda em junho, elevando ainda mais os preços.
Carla Argenta, da CM Capital, destaca a ausência de avanços nas negociações entre Estados Unidos e China, o que pressiona os mercados, especialmente os setores de tecnologia.
No Brasil, notícias sobre as ligações financeiras da família Bolsonaro mantêm o mercado em alerta, embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenha divulgado desempenho abaixo do esperado na atividade dos serviços, adicionando pressão aos juros.
