O dólar caiu pelo terceiro dia seguido e fechou em R$ 5,10 nesta sexta-feira, o menor valor desde junho. A queda aconteceu em meio a um cenário externo positivo para moedas de países emergentes e a uma baixa na inflação no Brasil, medida pelo IPCA de junho.
Apesar da possibilidade de menos cortes na taxa Selic, que pode reduzir o atrativo para investimentos em moedas estrangeiras, o cenário econômico está melhorando e deve atrair mais investimentos na bolsa local, o que ajuda o real.
O dólar terminou o dia em queda de 0,28%, cotado a R$ 5,1084. Na semana, a moeda americana caiu 1,17% e 1,06% no mês de julho, acumulando uma queda de 6,93% no ano.
O IBGE divulgou que o IPCA desacelerou para 0,16% em junho, menos do que a esperada, principalmente devido à queda nos preços dos alimentos.
Segundo a economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico, a baixa inflação reforça a expectativa de mais um corte da Selic.
Enquanto isso, o índice DXY, que mede o dólar contra moedas fortes, teve leve alta, mas as moedas emergentes, como o peso colombiano, ganharam valor. Os preços do petróleo recuaram, com contrato Brent em US$ 76,01 o barril.
O estrategista de câmbio Francesco Pesole, do banco ING, destacou que o menor risco geopolítico e a queda no preço do petróleo melhoraram o clima global, beneficiando moedas de países emergentes.
Dev Ashish e Brendan McKenna, economistas do Société Générale, estão otimistas com o real, considerando que as taxas de juros reais permanecem altas, mas alertam para riscos fiscais ligados às eleições brasileiras.
Mercado de ações
O Ibovespa subiu 2,97% na sexta-feira, fechando em seu maior valor desde maio, impulsionado pela inflação mais baixa que reforça a expectativa de cortes na taxa Selic. O índice acumula altas em julho e no ano.
Apesar de tensões geopolíticas recentes, a queda no preço do petróleo indica que o mercado acredita que os conflitos são temporários. O volume financeiro das ações foi de cerca de R$ 24,99 bilhões.
Para o estrategista Nicolas Gass, da GT Capital, a inflação mais fraca abre espaço para novos cortes de juros, o que beneficia a bolsa de valores.
O IPCA acumulado em 12 meses até junho foi de 4,64%, abaixo das expectativas.
Matheus Spiess, da Empiricus Research, observa que o espaço para cortes na Selic pode ser maior do que o previsto inicialmente devido ao atual cenário.
Rafael Stephano, da Blue3 Investimentos, destaca que juros menores ajudam as ações ao reduzir as expectativas de dívida e aumentar o valor presente dos lucros futuros das empresas.
Felipe Camargo, da Oxford Economics, reafirmou a previsão de que a taxa Selic poderá cair para 13,50% ao ano em 2026, considerando também a queda nos preços do petróleo.
Mercado de juros
O Índice Oficial de Preços (IPCA) de junho, abaixo do esperado, animou o mercado de juros futuros, que viu queda nas taxas para os anos futuros, impulsionadas também pela queda do petróleo e pela estabilidade do dólar.
Espera-se um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom em agosto, com uma probabilidade crescente no mercado.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro para 2027, 2029 e 2031 apresentaram quedas importantes, refletindo o movimento do mercado.
A desaceleração do IPCA deve-se principalmente à queda nos preços de alimentação e bebidas, que tiveram deflação em junho. Também houve redução na inflação dos preços de serviços, que são importantes para a política monetária.
Marco Mecchi, CIO da Azimut Brasil Wealth Management, comentou que o dado do IPCA, junto com outros indicadores, dificultou a alta dos juros, mesmo com os recentes conflitos internacionais.
Ele destaca que o Banco Central está aberto para novos cortes na Selic, mas que as próximas decisões serão tomadas com cautela, levando em conta fatores fiscais, eleitorais e outros choques econômicos.
Gustavo Danilo Guimarães, da Manchester Investimentos, afirmou que o resultado do IPCA aliviou o mercado de juros, mas alerta que ainda é preciso cautela quanto a próximos cortes.
Este conjunto de dados sugere que o mercado está otimista, mas ainda vigilante quanto aos próximos passos da política monetária no Brasil.
