CHRISTIAN POLICENO, GABRIELA CECCHIN E JOÃO GABRIEL
FOLHAPRESS
Documentos da Polícia Federal mostram que os deputados federais Julio Arcoverde (PP-PI) e Átila Lira (PP-PI) quitaram parcelas do cartão de crédito do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A descoberta apareceu na investigação da Operação Compliance Zero, que apura possíveis fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Os deputados foram procurados por e-mail desde terça-feira (16) e por telefone na quinta (18), mas não deram resposta até a divulgação da notícia.
Segundo os documentos, Julio Arcoverde pagou, no dia 19 de junho de 2024, uma fatura do cartão de crédito do Banco BRB, que estava no nome de Ciro Nogueira, no valor de R$ 13.693. Neste mesmo mês, o senador fez uma viagem a Lisboa custeada por Daniel Vorcaro.
Julio Arcoverde também mantém outras ligações com o senador: ambos foram sócios da empresa Seven-Bar & Charutaria em Teresina (PI), que funcionou de agosto de 2003 a agosto de 2011. Além disso, o filho do deputado, Julio Ferraz Arcoverde Filho, é assessor parlamentar de Ciro Nogueira, com um salário mensal de R$ 12.360 conforme os documentos da PF.
De acordo com os autos, Átila Lira também pagou uma fatura do cartão do BRB de Ciro Nogueira, no valor de R$ 3.457, também em junho de 2024.
Os documentos revelam que o senador apresentava faturas de cartão de crédito com valores muito altos, incompatíveis com seu salário oficial de R$ 46.366 como senador da República, conforme o Portal da Transparência.
Em junho de 2024, a fatura do cartão de Ciro no Banco BRB foi de R$ 120.839, enquanto no Itaú foi de R$ 14.045. Já em fevereiro do mesmo ano, a fatura do Bradesco chegou a R$ 46.109.
A Polícia Federal interpreta esses pagamentos como uma tentativa de esconder quem realmente arcava com as despesas. Além disso, Ciro Nogueira vinculou seu cartão no nome de outra pessoa, o que seria mais um indicativo da interposição de terceiros para ocultação.
A suspeita é que o objetivo era dificultar o rastreamento dos recursos e esconder que o padrão alto de gastos do senador era sustentado por outras pessoas, diferente do que sua renda formal permite.
Segundo a PF, essa prática visa impedir a identificação da origem, do destino e do beneficiário final do dinheiro.
