De acordo com as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as redes sociais devem excluir os perfis de candidatos de seus sistemas de recomendação durante o período eleitoral.
Isso significa que o conteúdo desses perfis não pode ser mostrado para usuários que não seguem esses candidatos.
O objetivo é garantir que os algoritmos das redes sociais não favoreçam nenhuma candidatura, exceto quando o candidato paga por anúncios impulsionados.
Uma análise recente mostrou que até o dia 25 de agosto, o X (antigo Twitter) não estava aplicando essa regra corretamente para todos os candidatos que registraram seus perfis no TSE.
Após questionamentos, a plataforma atualizou o algoritmo para incluir mais perfis na lista de bloqueio.
Inicialmente, o X havia divulgado um documento com cerca de 665 contas com o filtro aplicado, mas havia mais de 2.100 perfis registrados no TSE como candidatos na plataforma.
Ou seja, mais de 1.400 perfis de candidatos ainda apareciam nas recomendações para usuários, mesmo durante campanha eleitoral.
Após contato da reportagem com o X, a lista de perfis bloqueados foi ampliada para quase 2.400, e depois disso, as recomendações de candidatos foram interrompidas.
Os candidatos que tiveram seus perfis bloqueados desde o início da campanha ficaram em desvantagem durante esse período diante dos que ainda eram recomendados.
Além disso, algumas contas recomendadas que apareceram não tinham sido declaradas corretamente ao TSE ou foram registradas com erros.
Para testar, a reportagem criou duas contas no X e não seguiu nenhum candidato. Mesmo assim, vários perfis declarados ao TSE apareciam na aba “Para Você”, onde os perfis deveriam ser bloqueados.
Entre os candidatos recomendados antes da atualização estavam Fernando Haddad (PT), Guilherme Derrite (PL), Erika Hilton (PSOL), Carlos Viana (PSD), Bruno Engler (PL) e Marcelo Freixo (PT).
Depois do ajuste no algoritmo, a reportagem não encontrou mais essas recomendações.
A organização Sleeping Giants Brasil também identificou perfis de diferentes partidos aparecendo na aba recomendada, incluindo vice de chapa, postulantes ao Senado e candidatos à Câmara dos Deputados.
Humberto Ribeiro, cofundador do Sleeping Giants Brasil, destaca que a plataforma tratou candidatos de forma desigual, bloqueando alguns e permitindo a recomendação de outros.
Percebe-se que o problema de transparência e aplicação das regras pode ser ainda maior em outras plataformas de redes sociais.
Alguns nomes importantes, como Ronaldo Caiado (PSD) e Pablo Marçal (PRTB), além de vices como Alfredo Gaspar e Gilberto Kassab (PSD), não estavam no algoritmo de bloqueio até o dia 25 de agosto.
Também não estavam bloqueados o nome de esquerda Erika Hilton e o popular candidato à direita Nikolas Ferreira (PL).
A reportagem questionou o X sobre o fato de os perfis continuarem aparecendo em funcionalidades como “Quem seguir” e “Talvez você curta”, que também sugerem contas para usuários, mas não recebeu resposta.
A atualização do X gerou reações políticas, inclusive de figuras internacionais que classificaram a medida como censura.
Embora o objetivo da regra seja garantir equilíbrio nas eleições digitais, existe a crítica de que isso pode prejudicar candidaturas com menor alcance, que ficam mais dependentes de anúncios pagos para alcançar eleitores.
