Nossa rede

Saúde

Vacina não causa autismo, novo estudo comprova

Publicado

dia

O maior estudo já realizado sobre o assunto reforça que a vacina contra caxumba, rubéola e sarampo não aumenta o risco de autismo em crianças

Os pesquisadores não encontraram maior incidência proporcional do diagnóstico entre as crianças vacinadas e não vacinadas. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em tempos de fake news, disseminação de grupos anti-vacina e epidemia de sarampo, notícias boas e confiáveis sobre o assunto são sempre bem vindas. Um novo estudo – o maior já feito sobre o assunto – acaba de comprovar que a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, não causa autismo.

“A tríplice viral não aumenta o risco para o autismo, não desencadeia o autismo em crianças suscetíveis e não está associada ao agrupamento de casos de autismo após a vacinação.”, escreveram os autores do estudo.

Embora estudos anteriores já tenham mostrado que a vacina não está associada ao autismo, muitos pais insistem em não imunizar seus filhos – prejudicando não só estes, mas também outras crianças – com essa justificativa. Para acabar de uma vez por todas com esse mito disseminado por um charlatão em 1998, pesquisadores do Instituto Statens Serum, na Dinamarca, acompanharam por dez anos, 657.461 crianças nascidas no país entre 1999 e 2010.

A Dinamarca tem um programa nacional de vacinação gratuito e voluntário. Do total, 31.619 crianças não foram vacinadas e 6.517 receberam o diagnóstico de autismo.  Isso corresponde a uma taxa de incidência de 129,7 a cada 100.000. Os pesquisadores não encontraram maior incidência proporcional do diagnóstico entre as crianças vacinadas e não vacinadas.

“A comparação entre crianças vacinadas e não vacinadas produziu uma razão de risco de autismo de 0,93. Nenhum risco aumentado de autismo após a vacinação foi consistentemente observado em subgrupos de crianças definidas de acordo com a história de autismo dos irmãos, fatores de risco do autismo (com base em um escore de risco de doença) e outras vacinações ou durante períodos específicos após a vacinação”, afirma o estudo publicadona segunda-feira na revista científica Annals of Internal Medicine. 

Em entrevista à rede americana CNN, Paul Offit, diretor do Centro de Educação em Vacinas do Hospital Infantil da Filadélfia, afirma que a maior contribuição do estudo foi a avaliação de crianças com risco aumentado de autismo, como as que já têm um irmão com o diagnóstico.

Anders Hviid, líder do estudo e pesquisador do departamento de epidemiologia do Instituto Statens Serum acredita que o novo estudo oferece dados confiáveis e tranquilizadores ​​de que o vínculo entre vacina e autismo não existe.

O mito

O mito que associa vacinas e autismo surgiu de um estudo publicado em 1998 na revista científica The Lancet. O médico britânico Andrew Wakefield alegava, em seu estudo, que 12 crianças que eram normais até receberem a vacina tríplice viral se tornaram autistas depois de desenvolverem inflamações intestinais causadas pelo imunizante.

Depois da publicação, muitos pais deixaram de vacinar seus filhos contra as infecções infantis, contribuindo para um aumento de casos de sarampo nos Estados Unidos e na Europa. Anos depois, uma reportagem publicada no periódico científico BMJ, feita pelo jornalista Brian Deer, mostrou que cinco das 12 crianças já tinham problemas de desenvolvimento, fato encoberto por Wakefield.

Várias pesquisas e investigações (britânica, canadense e americana) publicadas depois do controvertido estudo – que só levou em conta essa amostragem de 12 crianças – não encontraram qualquer correlação entre o aparecimento do autismo e a vacina tríplice. Em 2010, a revista médica britânica The Lancet, onde o estudo foi originalmente publicado, se retratou formalmente e retirou o artigo de seus arquivos. Wakefield também perdeu o direito de praticar medicina.

Apesar de todos os esforços da ciência e das autoridades de saúde, o estrago feito pelo artigo fraudulento de Wakefield permanece até hoje. “Os pesquisadores dos EUA concluíram que uma redução de 5% na cobertura vacinal triplicaria os casos de sarampo, com custos econômicos significativos para a saúde. Um dos principais motivos pelos quais os pais evitam ou estão preocupados com a vacinação infantil tem sido a ligação percebida com o autismo.”, disse Hviid.

Casos de sarampo têm aumentado em todo o mundo, em parte, pela não vacinação. A gravidade do problema fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca a relutância ou a recusa em vacinar como uma das 10 principais ameaças à saúde global em 2019.

Dez países, incluindo o Brasil, foram responsáveis ​​por quase 3/4 do aumento total de casos da doença em 2018. O país aparece na 3ª posição com o maior número de casos. Até o dia 21 de janeiro, 10.302 casos da doença foram confirmados no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde.

Fonte Veja

 

Comentário

Saúde

“Eles vivem agora o que vivemos na época do zika”, diz secretário

Publicado

dia

Secretário do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, compara surto de coronavírus ao do zika, em 2015

Coronavírus: “A gente tem que tomar muito cuidado para não promover a xenofobia”, afirmou o secretário (Cnsphoto/Reuters)

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, faz um alerta aos brasileiros ao comparar o surto de coronavírus ao do zika, responsável por uma epidemia no Brasil em 2015. Em entrevista ao programa Impressões, da TV Brasil, que vai ao ar hoje (10), às 21h, ele diz que é preciso evitar o preconceito.

“A gente tem que tomar muito cuidado para não promover a xenofobia, porque eles [os chineses] estão vivendo agora o que nós vivemos na época do zika. Muitas pessoas questionavam se teria copa do Mundo e se teria Olimpíada”, lembra. Wanderson diz que chegou ir à Genebra com o ministro da Saúde para esclarecer as pessoas de que o risco de vir ao Brasil e contrair a doença era muito baixo. “E assim foi, né? Tivemos uma Olimpíada com muita tranquilidade, tivemos várias medalhas”.

Para o secretário, é preciso evitar o pânico ao lidar com casos de epidemias. “É preciso muita calma e muita prudência, aconselha. “Eu quero chamar a atenção para a gente tratar com muito respeito os chineses, os que moram no Brasil, que já estão aqui morando conosco, ou aqueles que, por características fisionômicas, possam parecer chinesas”.

Desafio

Wanderson Oliveira afirma que “o Brasil está preparado para enfrentar esse desafio junto com as outras nações e está contribuindo com a OMS [Organização Mundial da Saúde] para a capacitação dos países do Mercosul”. Sobre os riscos de o país ser atingido pela nova doença, ele analisa: “Não temos a circulação do vírus no Brasil até o momento. Mas há probabilidade de um dia, ou de, em algum momento, ele chegar. Vivemos em uma comunidade em que as pessoas estão circulando”. Ainda assim, o secretário diz que não há motivos para preocupação. “Pelos relatos e pelas características do surto que está acontecendo neste momento na China, a letalidade é menor do que comparativamente com outras doenças”.

Tratamento

Para combater o novo coronavírus, o secretário diz que há uma série de medicamentos que estão sendo estudados, principalmente alguns antirretrovirais. “A gente tem vários testes, alguns medicamentos que são utilizados para outras doenças e que estão começando a apresentar resultados promissores, mas ainda não há nenhum tratamento específico para o coronavírus. Ainda não tem nenhum medicamento, nem uma vacina própria para isso”.

Caso a doença chegue ao Brasil, o secretário acredita que o país estará apto ao desafio. “O Brasil está preparado para a identificação do vírus e para essa fase de contenção de uma maneira muito precisa. Todos os estados estão desenvolvendo planos de contingência”.

No entanto, ele explica o que pode ser feito em casos de possíveis contaminações. “Se a pessoa precisar ser internada, vai receber o monitoramento sintomático para diminuir o desconforto da febre, da dor no corpo, da tosse, do desconforto respiratório. Há estratégias e instrumentos para fazer isso, preservar a vida e garantir a eliminação do sofrimento. Então, existe tratamento, mas não é aquele tratamento que vai matar o vírus”. Wanderson diz que o atendimento ao doente pode ser feito até em casa, em uma espécie de isolamento domiciliar. Numa situação mais crítica, há a possibilidade de UTIs, em caso de mudanças no cenário epidemiológico.

No Brasil, o novo coronavírus também levantou suspeitas sobre a compra de produtos de origem chinesa. Sobre isso, o secretário esclarece: “Não há nenhum risco de, numa importação de um produto, ter contaminação do vírus. O vírus tem uma vida fora do organismo muito pequena, de horas. A importação desses produtos demora alguns dias. Então é uma situação completamente sem sentido”.

Fakenews

Para combater as fake news, além do site da saúde, o ministério conta com um número de Whatsapp para esclarecer a população sobre a nova doença. “As pessoas podem enviar para a gente as perguntas. Se recebeu um vídeo, saber se é verdadeiro ou não é verdadeiro… Nós temos recebido com frequência muitos pedidos de verificação, então as pessoas não devem acreditar no que receberem”, alerta o secretário. “Chequem as informações no site do Ministério da Saúde, ou da secretaria municipal, ou de uma instituição como a Fiocruz ou hospitais que tenham e compartilhem informações verídicas e oficiais”, sugere.

Wanderson Oliveira lembra que a prevenção ainda é a melhor forma de evitar a contaminação pelo coronavírus e que a adoção de medidas básicas podem diminuir o risco de ter a doença.

“Lavar as mãos com frequência, antes de comer e depois de ir ao banheiro. Cobrir a boca ao tossir e espirrar, evitar ficar tocando os olhos e o nariz com as mãos, não ir trabalhar caso esteja doente. Se estiver doente, não ir a locais com aglomeração, e usar álcool gel”, conclui.

“Na época da pandemia de influenza, em 2009, criamos o hábito de usar álcool gel. É uma ação barata, simples de ser feita. As crianças podem aprender de forma muito rápida e podem ensinar também para os seus pais”.

Ver mais

Saúde

EUA trabalha com farmacêutica em tratamento contra novo coronavírus

Publicado

dia

Mais de 400 pessoas morreram infectados desde que o novo coronavírus apareceu pela primeira vez na China

Partículas do coronavírus da MERS (National Institute for Allergy and Infectious Diseases/Handout via Reuters/Reuters)

Os Estados Unidos estão trabalhando com uma companhia farmacêutica no desenvolvimento de um tratamento para o novo coronavírus 2019, utilizando um tipo de droga que aumentou as taxas de sobrevivência entre os pacientes com ebola, disseram autoridades nesta terça-feira (4).

A cooperação entre o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) e a Regeneron Pharmaceuticals desenvolverá anticorpos monoclonais para combater a infecção, uma linha de tratamento diferente dos antirretrovirais e medicamentos contra a gripe que também surgiram como possíveis defesas contra a doença.

Mais de 400 pessoas morreram como resultado do vírus desde que apareceu pela primeira vez em um mercado chinês no fim do ano passado.

“As doenças infecciosas emergentes podem apresentar ameaças sérias à segurança da saúde de nossa nação”, disse Rick Bright, funcionário do HHS.

“Trabalhando como sócios público-privados como fizemos com a Regeneron desde 2014, podemos agir rapidamente para responder às novas ameaças à saúde global”.

Os anticorpos monoclonais, cópias produzidas em laboratório de um só tipo de anticorpo, representam uma forma de imunoterapia.

Elas acompanham certas proteínas em um vírus, neutralizando a capacidade do patógeno para infectar células humanas.

No ano passado, o REGN-EB3 da Regeneron, um coquetel de três anticorpos monoclonais, demonstrou aumentar significativamente as taxas de sobrevivência entre os pacientes com ebola na República Democrática do Congo.

A companhia também desenvolveu um tratamento para o coronavírus da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) em linhas similares.

“Os resultados salvadores de vidas vistos com nossa terapia de investigação do ebola no ano passado destacam o potencial impacto da plataforma de resposta rápida da Regeneron para abordar surtos emergentes”, disse o presidente e diretor científico da empresa, George Yancopoulos.

Em última instância, o tratamento para o novo coronavírus poderia envolver uma mistura de diferentes classes de drogas.

Os médicos chineses administraram medicamentos contra o HIV a pacientes com coronavírus em Pequim, baseando-se no estudo de 2004 publicado depois do surto de Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars) que mostrou que esse tipo de tratamento produziu respostas “favoráveis”.

Quando combinados, o lopinavir e o ritonavir diminuem a quantidade de células de HIV no sangue de um paciente, eliminando a capacidade do vírus para se reproduzir e atacar o sistema imunológico.

Os médicos também combinaram o tratamento com outro medicamento contra a gripe chamado oseltamivir, na esperança de que o coquetel possa enfraquecer o novo coronavírus.

A Gilead Sciences, empresa biofarmacêutica com sede na Califórnia, disse que está trabalhando com as autoridades chinesas em testes clínicos para determinar se o remdesivir, medicamento antiviral utilizado para tratar o Sars, é efetivo contra o vírus.

 

Ver mais

Saúde

Levantar menos peso pode garantir melhores resultados na academia

Publicado

dia

Uma pesquisa realizada por cientistas esportivos do Reino Unido aponta que levantar menos peso durante treinos pode aprimorar resultados

Treinos: levantar menos peso durante treinos semanais garante maior ganho de força, diz estudo (Flickr/Reprodução)

São Paulo – Levantar mais peso na academia nem sempre é o que pode trazer os melhores resultados de ganho de força. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Lincoln, no Reino Unido, mostra que as pessoas que fazem exercícios físicos com pesos conseguiriam melhores resultados ao realizar as séries de levantamentos com menos carga, mas alterando o peso a cada sessão de acordo com o limite de cada pessoa. Segundo os pesquisadores, que são cientistas esportivos, os atletas que alternam a quantidade de peso a cada treino de musculação podem garantir resultados melhores em menos tempo.

Para testar a tese apresentada na pesquisa, os cientistas compararam, em média, os pesos levantados por dois grupos distintos de atletas durante seis semanas. O primeiro grupo levantava o peso máximo determinado para atletas, enquanto o segundo alterava o peso a cada treino, fazendo assim um treino com menos velocidade do que o do primeiro grupo.

No fim do período de avaliação, os atletas que participaram do segundo grupo – ou seja, os que não levantavam a carga máxima e realizavam treinos mais curtos – acabaram ficando mais fortes do que os participantes do grupo que utilizou o método de carga máxima. Depois do primeiro resultado, os cientistas decidiram que os dois grupos utilizariam um peso máximo fixo. Para isso, eles utilizaram um cronômetro especializado e uma fita métrica para registrar o tempo gasto para levantar o peso e a distância que o peso foi movido. Com isso, foi possível medir uma velocidade de carga fixa para os atletas dos dois grupos.

Comparando com o resultado do primeiro teste, eles conseguiram ajustar a carga de treinamento dos participantes de acordo com o desempenho diário. Segundo Harry Dorrell, professor da Escola de Esporte e Ciência do Exercício da Universidade de Lincoln e líder do estudo, as descobertas da pesquisa ajudam a melhorar o ganho de massa muscular e o controle de fadiga. “Existem muitos fatores que podem contribuir para o desempenho dos atletas em um dia específico, como o tempo de sono que tiveram, a nutrição ou os fatores motivacionais. Mas, com os métodos tradicionais baseados em porcentagem, não teríamos conhecimento de como isso afeta a força”, diiz Dorrell, em nota, justificando o motivo da realização do estudo.

Ainda de acordo com o autor da pesquisa, é importante definir o limite de peso de cada atleta, para que o cansaço não cause lesões nas articulações. No entanto, ele destaca que o cansaço é relativo. “O treinamento baseado na velocidade nos permitiu ver se eles estavam acima ou abaixo do desempenho normal e, assim, ajustamos a carga. É importante garantir que o atleta esteja levantando a carga ideal para ele naquele dia em particular. Se ele levantar pesos leves demais, não estimulará o corpo como pretende. Se levantar peso demais, ficará fadigado, o que aumenta o risco de lesões”, complementou.

Participaram do estudo 16 homens, com idades entre 18 e 29 anos que pesavam entre 70 a 120 quilos e que já tinham experiência com levantamento de pesos. Entre os exercícios realizados, estavam: agachamento livre, levantamento terra, supino reto e levantamento militar, além de countermovement jump (exercício que consiste em um salto com as mãos na cintura). Os homens que participaram do segundo grupo, após o fim dos testes, conseguiram levantar 15 quilos a mais no agachamento livre do que os do primeiro grupo, além de aumentarem 6% a carga do supino reto a cada treino.

Apesar das limitações do estudo, que foi feito com um grupo pequeno de participantes e somente com homens, a descoberta aponta um caminho para entender como a velocidade de execução dos movimentos pode impactar o exercício físico. “A ideia do treinamento baseado em movimentos de maior velocidade já existe há algum tempo, mas até agora a ciência não provava isso – até agora”, disse Dorrell.

Ver mais

Disponível nosso App

Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade