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domingo, 05/04/2026

Neuroestimulação pode melhorar seu desempenho em matemática

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Você tem dificuldade em matemática? Um leve estímulo elétrico no cérebro pode ajudar, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (1º) por uma equipe internacional de cientistas. A pesquisa mostra a conexão entre a atividade cerebral e o aprendizado.

Publicado na revista PLOS Biology, o estudo pode contribuir para diminuir as diferenças cognitivas e promover uma sociedade com mais igualdade intelectual, afirmam os autores.

Roi Kadosh, neurocientista da Universidade de Surrey e líder do estudo, destaca que “cada pessoa possui um cérebro único, que controla muitos aspectos da vida”. Ele explica que o ambiente educacional importa, mas a biologia também tem um papel fundamental.

A equipe recrutou 72 estudantes da Universidade de Oxford e analisou a conectividade cerebral entre três áreas importantes. Os participantes resolveram problemas matemáticos que exigiam cálculos ou memorização de soluções.

Conexões mais fortes entre o córtex pré-frontal dorsolateral, responsável pelas funções executivas, e o córtex parietal posterior, ligado à memória, indicavam melhor desempenho em matemática.

Quando aplicaram uma estimulação cerebral indolor por meio de eletrodos, utilizando a técnica chamada estimulação transcraniana por ruído aleatório, estudantes com baixo desempenho tiveram um aumento de 25% a 29% nas pontuações.

Os pesquisadores acreditam que o estímulo potencializa a excitabilidade dos neurônios ao interagir com o Gaba, uma substância cerebral que regula a atividade neuronal, compensando a conectividade fraca em alguns participantes.

Essa técnica ajudou alunos com dificuldades a alcançar resultados semelhantes aos daqueles com conexões cerebrais naturalmente mais fortes. Já os que apresentavam bom desempenho não tiveram melhora.

Roi Kadosh comenta que “algumas pessoas enfrentam dificuldades e, se pudermos ajudar o cérebro delas a atingir seu máximo potencial, abriremos muitas oportunidades”. Ele define como “emocionante” o avanço na pesquisa de estimulação cerebral.

Porém, Kadosh também alerta para uma questão ética: o risco de que essa tecnologia se torne acessível apenas para pessoas com recursos financeiros, o que ampliaria as desigualdades de acesso.

“Se nossa pesquisa for aplicada fora do laboratório, podemos ajudar quem tem dificuldades de aprendizado a alcançar seus objetivos e usufruir de oportunidades antes inacessíveis”, afirma Kadosh.

© Agence France-Presse

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