Os Estados Unidos decidiram taxar em 25% os produtos que o Brasil exporta, alegando que o país permite o desmatamento. Para Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, essa justificativa do governo Donald Trump não é verdadeira e serve como desculpa para criar barreiras comerciais.
Astrini destacou que os EUA usam o tema ambiental para justificar a tarifa, mas não aplicam as mesmas críticas a outros países que também desmatam. Ele também criticou a falta de ações concretas dos EUA para proteger o meio ambiente, como a redução de emissões de carbono.
Ele ressaltou que o Ibama tem um papel essencial na queda do desmatamento no Brasil, contando com o apoio financeiro do Fundo Amazônia para aumentar a fiscalização.
Segundo dados do MapBiomas, em 2025 o desmatamento no Brasil ficou abaixo de um milhão de hectares, totalizando 984.794 hectares, o que representa uma queda de 20,6% em relação a 2024. As regiões da Amazônia e do Cerrado corresponderam a mais de 84% dessa área desmatada.
O Cerrado foi o bioma com maior área desmatada, com 540.614 hectares, cerca de 54,9% do total, apesar da redução de 16,9% em relação ao ano anterior. Na Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares, uma diminuição de 23,5%. O Pantanal teve a maior queda proporcional, com uma redução de 48,4%, totalizando 12.260 hectares perdidos.
O MapBiomas aponta que mais de 97% do desmatamento no Brasil nos últimos sete anos está associado à expansão da agropecuária, sendo 99% da área desmatada em 2025 relacionada a essa atividade. O desmatamento causado pelo garimpo concentrou-se principalmente na Amazônia, especialmente no Pará. Já o desmatamento ligado a projetos de energia renovável ocorreu quase que totalmente na Caatinga, representando 97% dessa área. A expansão urbana cresceu 7% em relação a 2024, concentrando-se principalmente no Cerrado e na Amazônia, que juntos foram responsáveis por mais de 60% da área desmatada por urbanização.
Informações divulgadas pela Agência Brasil
