MARIA CLARA MATOS
FOLHAPRESS
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo está organizando uma ação legal para evitar que ocorram demissões em grande número entre os funcionários do Grupo Casas Bahia.
A empresa, que entrou com um pedido de recuperação judicial no último domingo (16), enfrentando dívidas que ultrapassam R$ 13 bilhões, anunciou o fechamento de 298 lojas e o desligamento de 1,9 mil trabalhadores no país. O grupo lembra que demissões em grande escala precisam ser comunicadas antes aos sindicatos.
A reportagem tentou contato com as Casas Bahia por email às 11h47, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
De acordo com o sindicato, que foi pego de surpresa com a decisão, uma reunião está marcada para amanhã, terça-feira (18), às 10h, com representantes da empresa. O objetivo é esclarecer detalhes como o total de funcionários afetados, se algum será remanejado para outras unidades, se as verbas rescisórias estão sendo pagas corretamente e se os planos de saúde permanecem ativos pelo tempo devido.
Um levantamento inicial do sindicato indica que 12 lojas foram fechadas na capital paulista, principalmente em shoppings, devido ao alto custo do aluguel. Algumas unidades fechadas ficam nos shoppings Interlagos, Aricanduva e Central Plaza.
Na última quinta-feira (13) foram realizados 600 desligamentos, e cerca de 1.300 na sexta (14) pelo país. Conforme relato do Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) à Folha de S. Paulo, muitos trabalhadores foram surpreendidos ao chegar para trabalhar e encontrarem as lojas fechadas sem aviso prévio ou assistência da empresa.
“Podemos pedir a anulação com base na Constituição, que estabelece regras para dispensa em massa. Nenhuma delas foi respeitada, simplesmente fecharam as lojas, sem avisar os sindicatos”, explicou Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da UGT (União Geral dos Trabalhadores).
Fechamento de lojas, demissões e resultados negativos
No pedido de recuperação judicial, o grupo informa a dispensa de cerca de 3.000 funcionários, de um total de 30.117 colaboradores, e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo o documento, as Casas Bahia têm mais de 700 lojas físicas e o Ponto Frio mais de 65.
A empresa registra seu oitavo trimestre consecutivo de prejuízo.
No pedido inicial para recuperação judicial, a Casas Bahia solicita medidas urgentes para evitar a paralisação imediata das operações.
A principal preocupação da empresa é o risco de vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais. Segundo a companhia, se os bancos bloquearem as garantias dos cartões de crédito e do Pix, até 60% do caixa mensal seria comprometido, ameaçando a continuidade do negócio.
Nas redes sociais, ex-funcionários compartilharam suas experiências com as demissões. “É uma notícia muito triste para mim. Trabalhei 21 anos nas Casas Bahia, receber essa notícia é muito difícil”, disse Edson Silva, funcionário de uma loja em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul.
