JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS
As canetas emagrecedoras não só aumentam as vendas das farmácias, mas também incentivam a compra de outros produtos. De acordo com Jonas Marques, CEO das Farmácias Pague Menos, para cada R$ 1 investido em medicamentos que atuam no receptor GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, os clientes acabam gastando mais R$ 8,14 em outros itens, uma prática conhecida como venda cruzada.
Jonas Marques explicou em um evento da 27ª Conferência Anual do Santander que, por exemplo, usuários das canetas geralmente também compram Glifage, que ajuda a controlar o açúcar no sangue, e Nugenix, um suplemento de óxido nítrico.
Além desses medicamentos, alimentos fazem parte das compras associadas. Um dos produtos mais frequentes adquiridos junto com o Mounjaro é um sorvete de 2 litros. Segundo Marques, isso acontece porque as pessoas usam a medicação para se permitirem comer o que gostam, não apenas para emagrecer.
O faturamento com a venda das canetas emagrecedoras chega a R$ 134 milhões por mês, representando cerca de 10% do total da rede Pague Menos.
Apesar das vendas altas, Jonas Marques destacou que é necessário um grande investimento para comercializar esses produtos, como a estrutura para armazenamento em câmeras frias. O primeiro pedido do Wegovy custou R$ 70 milhões, e os prazos oferecidos pelos fornecedores são curtos, exigindo grande capital de giro.
O CEO também mencionou os prejuízos causados por furtos: cada farmácia perde cerca de R$ 100 mil em estoque desses medicamentos.
Mesmo com os riscos do varejo físico, Marques ressalta que possuir mais de 1.700 lojas proporciona um poder de negociação significativo para a empresa.
Ele criticou a proposta de liberar a venda desses medicamentos em marketplaces e e-commerces, chamando-a de “irresponsabilidade sanitária”. Segundo ele, as farmácias, devidamente certificadas, devem continuar sendo responsáveis pela armazenagem e dispensação, garantindo a segurança dos clientes.
A Anvisa abriu a possibilidade para que plataformas de delivery como iFood e Rappi, e marketplaces como Mercado Livre, Americanas e Shopee possam vender medicamentos, mas ainda aguarda a definição de regras para essa comercialização. Até o momento, não há previsão para a publicação dessas normas.
