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Separatismo catalão quer ser cavalo de Troia nas eleições na Espanha

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Questão ocupa o centro da campanha eleitoral para as eleições de domingo no país que vive um bloqueio político

Protestos em Barcelona: confrontos já deixaram mais de 600 feridos (Jon Nazca/Reuters)

São Paulo — Depois de participar de vários protestos em Girona, um reduto separatista catalão, Carla Costa propõe continuar atacando a Espanha “de todas as frentes”, enviando também os membros mais radicais do movimento como cavalos de Troia ao Congresso de Madri.

“Temos que atacar em todas as frentes. Ser capazes de entrar no coração da fera e destruí-la de lá também é importante”, diz essa estudante de 22 anos, concentrada em solidariedade às pessoas detidas pelas mobilizações das últimas semanas.

A jovem, de cabelos raspados nas laterais e vários “piercings”, protesta por um amigo seu, atualmente preso. Na praça em que está podem ser ouvidos os gritos de “liberdade” das dezenas de pessoas reunidas.

Os prédios vizinhos estão cheios de bandeiras e slogans separatistas que inundam esta fortaleza nacionalista ao norte da região.

De uma das pontes que cruza o rio Onyar, três bonecos foram pendurados, como se fossem enforcados, com as palavras “democracia”, “liberdade” e “direito à manifestação”.

Conhecida por suas ruas medievais e sua catedral gótica, cenário da série Game of Thrones, nessa cidade começou a carreira política de Carles Puigdemont, que era presidente regional durante a tentativa de secessão de 2017 e atualmente está foragido na Bélgica.

Assim como Barcelona e outras cidades catalãs, Girona foi palco de protestos pacíficos e de confrontos após a decisão da Suprema Corte em 14 de outubro, condenando nove líderes separatistas entre nove e treze anos de prisão por essa tentativa fracassada.

“Curto-circuito” na Espanha

Essa questão ocupa o centro da campanha eleitoral para as eleições de domingo no país que vive um bloqueio político. Em abril, o chefe de governo Pedro Sánchez (PSOE) venceu, mas não conseguiu ter apoio suficiente no Congresso.

Nesse contexto, a anticapitalista Candidatura de Unidade Popular (CUP), formação independentista mais radical, concorre pela primeira vez.

Seu desejo é “bloquear” mais a política espanhola, embora as pesquisas prevejam poucos assentos.

“Nosso lema é ingovernáveis. O que queremos dizer? Que até que não sejamos livres, seremos ingovernáveis”, resume Non Casadevall, candidato da CUP pela província de Girona.

“Vamos a Madri com a intenção de provocar um curto-circuito nesse sistema que não funciona (…) O que queremos é dinamitá-lo por dentro”, explica esse professor após um encontro na cidade.

Seu peso eleitoral é escasso, mas nos últimos anos a CUP conseguiu levar suas posições para o restante dos partidosseparatistas que, segundo as pesquisas, podem ter um papel chave na governabilidade.

Partidária de “gerar instabilidade” na rua e nas instituições, Carla Costa votará neles. “Tem que criar o caos”, insiste.

Sua postura encaixa na estratégia de “mobilização constante” dos separatistas para “desgastar o Estado”, como reconheceu a presidente da influente associação ANC, Elisenda Paluzie.

Um ex-ministro foragido na Bélgica com Puigdemont, Toni Comín, pediu “desgaste econômico” da Espanha para forçar a negociação, embora repercuta no emprego e no nível de vida na Catalunha.

Sem diálogo
Pouco resta da distensão que surgiu com a chegada de Pedro Sánchez em junho de 2018.

Os distúrbios, com um balanço de mais de 600 feridos, levaram a um endurecimento do discurso do líder espanhol, coincidindo com um revés do PSOE nas pesquisas.

E os separatistas, que apoiaram a moção de censura do socialista contra o conservador Mariano Rajoy, agora descartam ajudá-lo.

“Você não poderá contar com o nosso apoio”, disse Puigdemont em referência a Sanchez.

Até a esquerda republicana moderada da Catalunha (ERC), que seria a mais votada no movimento, argumenta que “com este Sánchez não se pode falar” enquanto meses atrás queria facilitar sua posse.

“Há muito sentimento, muito ressentimento, isso levará tempo para passar”, diz José Muñoz, um eleitor do PSOE que chegou a flertar com a independência.

Ele participa de um ato de Pedro Sánchez em Viladecans, sul de Barcelona, onde algumas centenas de separatistas provocam os participantes, chamando-os de “fascistas”.

“Antes da independência parecia atraente para mim, agora é exclusiva. Sinto que, se não penso assim, não sou catalã”, lamenta.

 

 

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Sydney se prepara para enfrentar situação ‘catastrófica’ por incêndios

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O governo declarou estado de emergência, uma situação inédita para a maior cidade australiana. As autoridades advertiram que “vidas e casas estão em risco”

Mais de 350 escolas não terão aulas, e o Exército foi encarregado de dar apoio logístico aos bombeiros.
(foto: Peter Parks / AFP)

Os habitantes da região de Sydney se preparavam, nesta segunda-feira (11/11), para enfrentar uma situação “catastrófica”, devido ao recrudescimento dos incêndios.
O governo declarou estado de emergência, uma situação inédita para a maior cidade australiana. As autoridades advertiram que ”vidas e casas estão em risco”.
“Nada está construído, ou concebido, para resistir ao tipo de situação catastrófica que podemos esperar”, declarou Shane Fitzsimmons, responsável pelos Bombeiros do estado de Nova Gales do Sul (sudeste), que inclui Sydney.
As elevadas temperaturas e os fortes ventos, esperados para esta terça-feira (12/11), devem atiçar os incêndios que levaram a primeira-ministra do estado, Gladys Berejiklian, a declarar Estado de emergência por sete dias.
Mais de 350 escolas não terão aulas, e o Exército foi encarregado de dar apoio logístico aos bombeiros.
Dezenas de focos não controlados no norte deste estado deixaram desde sexta-feira três mortos e mais de 150 casas destruídas, obrigando milhares de habitantes a fugir.

Nos últimos dias, cerca de 11 mil km2 – equivalente à Jamaica – foram queimados, de acordo com o serviço estadual dos bombeiros.
Após uma situação de maior calma nesta segunda, amanhã as zonas mais afetadas podem ser as Blue Mountains, ao oeste de Sydney; o vale vitícola de Hunter, ao norte; e a região de Illawarra, ao sul da cidade.
“Amanhã (terça) será preciso proteger a vida, os bens, e tentar deixar todo o mundo o mais seguro possível”, declarou Berejiklian.
Algumas regiões, já afetadas pelos incêndios dos últimos duas, preparam-se para enfrentar esta nova ameaça.
Na cidade costeira de Old Bar, ao norte de Sydney, os bombeiros estavam de volta para queimar zonas até agora não afetadas pelos incêndios.
“Nós as queimamos para que não sejam uma ameaça para os próximos dias”, explicou o bombeiro Brett Slavin.
 Fumaça tóxica
Depois de ter sido forçada a sair de casa, Shirley Murphy, de 82 anos, voltou para sua residência e reconhece que teve “sorte” que o imóvel continue de pé.
Nesta época do ano, os incêndios são frequentes no país, mas a temporada começou mais cedo desta vez.
A mudança climática e dos ciclos meteorológicos gerou uma seca excepcional, baixa taxa de umidade e fortes ventos, fatores que contribuem para espalhar incêndios nas matas.
Segundo Paul Read, um especialista da Universidade Monash, este ano, “diante dos incêndios antecipados”, a situação “vai-se agravar, à medida que o verão se aproxima”.
Além da ameaça à vida da população, Read destaca os riscos das nuvens de fumaça tóxica geradas pelo fogo para a saúde.
“Um índice de qualidade do ar superior a 300 é considerado perigoso para todo o mundo, e não apenas para as pessoas vulneráveis”, explica.
Segundo ele, este nível foi superado em vários lugares, inclusive em Sydney.
A presença de nuvens de fumaça tóxica foi registrada até na Nova Caledônia, a cerca de 1.500 quilômetros do outro lado do mar.
Estes incêndios, particularmente violentos, geraram polêmica, já que o governo conservador é acusado de minimizar a ameaça da mudança climática.
O vice-primeiro-ministro Michael McCormack, líder do Partido Nacional Rural na coalizão governista, foi criticado por ter dado a entender que não é o momento de falar de clima.
“Não nos interessam agora os delírios sobre algumas capitais puras, iluminadas e verdes, enquanto as pessoas tentam salvar suas casas”, declarou.
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Protestos contra o governo deixam 319 mortos e 15 mil feridos no Iraque

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Altas taxas de desemprego e corrupção são alguns dos motivos dos protestos

A Comissão de Direitos Humanos do Iraque afirmou, nesta segunda-feira (11), que os protestos antigoverno – que já duram um mês no país – deixaram 319 pessoas mortas e cerca de 15 mil feridas.

Só no último sábado (9), pelo menos 4 pessoas morreram quando forças de segurança entraram em conflito com manifestantes perto de pontes que levam a um distrito da capital, que abriga edifícios governamentais e embaixadas estrangeiras.

Protestos

Pessoas frustradas com altos índices de desemprego e corrupção começaram a tomar as ruas no início de outubro na capital Bagdá e em cidades nas regiões central e sul do país.

O governo do Iraque diz que vai responder às demandas dos manifestantes por meio da condução de reformas políticas, mas ainda não está claro em que consistem esses planos, já que os partidos políticos permanecem em desacordo sobre os laços do país com o vizinho Irã.

*Com informações da Agência EFE

 

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Bolsonaro e Putin conversarão sobre a Bolívia durante cúpula do Brics

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A reunião contará com a participação dos líderes da Rússia, Índia, China e África do Sul, além do Brasil. O encontro será na próxima quarta e quinta-feira, em Brasília

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira (11) que conversará com o presidente Jair Bolsonaro sobre a situação na Bolívia durante a cúpula do Brics, que reúne os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que será realizada na próxima quarta e quinta-feira, em Brasília.

“Com Bolsonaro já houve uma reunião em Osaka. Agora será uma conversa mais profunda. A agenda será fundamentalmente bilateral e, é claro, questões internacionais e regionais também serão tocadas, levando em conta a situação na Bolívia”, afirmou Yuri Ushakov, assessor presidencial para Assuntos Internacionais.

Putin se reunirá com Bolsonaro na próxima quinta (21), no final da cúpula, onde também se reunirá com o presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, informou nesta segunda que a situação na Bolívia, onde neste domingo (10), Evo Morales renunciou à presidência, não afetará a viagem de Putin, que cancelou sua passagem pelo Chile pouco antes da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

“Estamos preocupados com a evolução dos eventos. Pedimos que as forças políticas bolivianas se acalmem e busquem um acordo baseado no diálogo e na cooperação, no interesse de uma pronta restauração da ordem constitucional e da garantia de direitos dos cidadãos”, disse Ushakov

O diplomata russo expressou sua confiança de que a comunidade internacional e, em particular, os países da região e vizinhos da Bolívia ajam com responsabilidade.

Sobre a situação de Morales, o porta-voz do Kremlin negou que a Rússia manteve contato com Morales e que este tenha solicitado asilo.

Ele defendeu que o conflito fosse resolvido sem interferência externa, enquanto o Ministério das Relações Exteriores russo disse que o ocorrido na Bolívia seguiu “um padrão de golpe de estado”.

*Com informações da EFE

 

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