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quarta-feira, 10/06/2026

Seminário destaca a necessidade de regras ambientais para centros de dados

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O seminário organizado pela Frente Parlamentar Ambientalista na Câmara dos Deputados reuniu diversos participantes que defenderam a implementação de uma legislação específica e clara para o setor de data centers, com foco especial nas exigências ambientais. Durante o evento, foram abordados os planos para instalação de três grandes centros de processamento de dados em estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Ceará e Minas Gerais.

Até o momento, o Brasil não possui uma legislação única para os data centers. Segundo Soraya Vanini Tupinambá, consultora do deputado estadual do Ceará Renato Roseno, o licenciamento ambiental destes centros é feito de forma simplificada, o que dificulta avaliar os impactos ambientais reais. Ela destacou a incerteza sobre a quantidade de água necessária para resfriar os equipamentos, a geração de ruídos e outras questões ambientais, já que os relatórios entregues não apresentavam informações suficientes. Inicialmente, estimava-se que o consumo diário de água seria de 19,7 mil litros, depois 30 mil litros, até que um parecer do Ministério Público indicou 88 mil litros.

Soraya Tupinambá relatou que a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará concedeu uma autorização para o uso de 144 mil litros de água para o empreendimento. Ela também comentou que o data center da Tiktok, em construção na cidade de Caucaia, ocupará cerca de 700 m² e terá um consumo energético diário estimado de 300 megawatts.

No Rio Grande do Sul, o coordenador da bancada do Psol na Assembleia Legislativa, Conrado Klöckner, explicou que a situação não difere muito. Em Eldorado do Sul, que abriga o maior data center da América Latina, o consumo anual de energia previsto é de 5 mil megawatts, o que corresponde a quatro vezes o consumo residencial total do estado em um ano. Conrado Klöckner destacou que a ausência de um marco regulatório torna difícil cobrar e fiscalizar as empresas e o poder público.

A vereadora Amanda Gondim ressaltou a preocupação com os impactos ambientais, especialmente quanto ao alto consumo de água e energia dos centros de dados. Ela indicou que a demanda por água pode chegar a 1,7 milhão de litros por dia, valor suficiente para abastecer metade da cidade de Uberlândia. Quanto à energia, a previsão é de um consumo diário de 400 megawatts, o que corresponde ao uso atual de toda a população local.

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