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Sandra Faraj: mulheres têm muito espaço a conquistar

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Ex-administradora do Lago Norte e candidata bem votada a distrital na eleição passada, Sandra Faraj acredita que as mulheres ainda não conquistaram seu espaço como deveriam ter dentro da política. A eleição da presidente Dilma Rousseff é considerada por ela um momento importante, mas elas ainda podem mais. “Em alguns momentos nós não somos vistas como capazes. É como se nós estivéssemos sempre à sombra do homem, como se a gente puder ir sempre até certo ponto, já delimitado.

Tanto é que, no mundo corporativo, poucas mulheres têm destaque, assim como no mundo empresarial, jurídico”, afirmou. Apesar de lamentar a pouca participação feminina, Sandra acredita que estão aumentando, no Distrito Federal, as chances de se ter a primeira governadora eleita para um mandato integral — Maria de Lourdes Abadia já administrou a capital, mas assumiu como vice de Joaquim Roriz, para completar seu mandato. Sandra  é hoje vice-presidente regional do novo Solidariedade. Na eleição passada recebeu 11.091 votos, ficando acima de quatro distritais que se elegeram.

Por que existe pouca participação das mulheres na política?

Estamos com direito de voto há 82 anos e há 80 foi eleita a primeira brasileira deputada federal. Apesar desse tempo todo, acontece que nós ainda carregamos o estigma da cultura da mulher criada para assuntos domésticos. A mulher ainda carrega esse ranço. Embora uma ou outra ainda se destaque e tenha relevância maior na sociedade e na política, nós ainda carregamos esse carma, essa cultura das atividades domésticas e familiares. Por isso acho que existe o preconceito de que nós não seríamos capazes de levar a dupla ou tripla jornada, embora já tenhamos provado que somos capazes, sim. Também existe o agravante de que a mulher tem que querer, porque tem capacidade para estar dentro da política. A mulher precisa querer sair um pouco dessa rotina para a qual ela foi criada, afinal somos geradoras de vida, temos a missão de gerar filhos, algo dado somente a nós. Os filhos se amamentam em nós, do nosso corpo. Mas a mulher também precisa sair do casulo e abraçar as causas sociais.

De onde se origina a dificuldade para a mulher se fazer representar? Da organização dos partidos políticos ou de quem vota?

Acho que a sociedade ainda tem um certo preconceito com a mulher. Em alguns momentos nós não somos vistas como capazes. É como se nós estivéssemos sempre à sombra do homem, como se a gente puder ir sempre até certo ponto, delimitado. Tanto é que no mundo corporativo são poucas as mulheres que têm destaque, assim como no mundo empresarial ou no jurídico. Existe uma cultura que subsiste, como se a mulher não pudesse ainda estar nesses cargos de maior projeção, em várias esferas, senão em todas.

O que as mulheres conseguiram acrescentar ao mundo político desde que conquistaram  maior espaço?

A mulher tem a mesma capacidade do homem, mas tem uma maior sensibilidade para as causas sociais. Ela tem uma inclinação maior para sentir a dor do próximo. Eu percebo que a mulher tem isso e é extremamente capaz. A mulher consegue cuidar da casa, dos filhos, estudar, fazer faculdade, colocar comida para dentro de casa, trabalhar, trazer recursos e pode estar envolvida com as causas sociais, o que a rodeia. As mulheres têm tanto para contribuir à política quanto o homem também tem. Não existe dificuldade. Muitas vezes, o homem tem um olhar mais genérico e muitas vezes a mulher consegue olhar as árvores de uma floresta, enquanto o homem vê a floresta como um todo. São visões diferentes, monofocal e bifocal. Existe uma paixão e sensibilidade da mulher, então ela pode contribuir tanto quanto o homem, da mesma maneira. Não existe uma competição sobre isso. Sei que existe uma Proposta de Emenda Constitucional tramitando para determinar maior participação da mulher na representação política. Está nas comissões temáticas da Câmara e no Senado. Atualmente, as mulheres são só 9% dos integrantes da Câmara e 13% do Senado. E são cerca de 10% dos cargos eletivos ocupados por mulheres.

A eleição da presidente Dilma foi um ponto de mudança da participação feminina na política?

Acho que sim. Temos aí um marco, a partir do momento que temos uma presidente mulher e ela também fez questão de colocar mulheres em cargos de alta relevância, como as ministras que ela nomeou. Isso é um ponto muito positivo porque, independentemente da posição partidária, se a gente é a favor ou contra o partido dela, não quero nem me posicionar a respeito disso, porque tenho minhas convicções, mas a postura dela, de mulher forte como tem mostrado todos os dias, governando um país grande como o nosso, mostra que estamos evoluindo. Precisamos lembrar que este não é um país fácil de governar, porque tem todo tipo de problema social. Então, ela tem se mostrado muito esforçada e competente.

Existe uma exigência de 30% de candidaturas de mulheres. Isso chega a ajudar efetivamente o acesso das mulheres a essa disputa?

Não vejo dificuldade. É preciso ser transparente. Quando eu fui lançada em 2010 para participar do processo eletivo, não tive dificuldades de entrar em um partido e ter legenda. Hoje pela necessidade de se cumprir essa regra, eu acho mais fácil a mulher ser aceita. Creio que a essa regra veio para ajudar.

É possível esperar que as mulheres tenham mais destaque nas urnas esse ano?

Tenho observado o cenário político e não estou vendo muita diferença ainda, não. Não tenho visto muitas mulheres se levantarem com as bandeiras das causas que interessam à população. Só consigo ver uma ou outra mulher com relevância maior, de militância, que a gente pode ver como uma figura expressiva nas urnas. Mas acredito que nós ainda não estamos no nível que precisamos estar, estamos, infelizmente, subrepresentadas.

Na Câmara Legislativa são poucas mulheres, mas um fato curioso é a oposição ter se mostrado predominantemente feminina. Como você avalia essa situação?

Eu não acho que seja uma oposição feminina. É uma oposição partidária mesmo. Não se veem causas do gênero feminino sendo levantadas. Algumas por serem de oposição mesmo, da família do ex-governador, outra que fazia parte daquele grupo. É uma questão basicamente partidária.

Com a oposição pequena, o barulho que as deputadas fazem acaba tendo destaque. Isso é positivo ou negativo?

Independentemente de ser oposição ou situação, o que mais vai haver relevância para nós na sociedade são os projetos que estão sendo apresentados, é a avaliação sobre qual o resultado do mandato de cada uma de nós, mulheres. A gente se destaca por aquilo que a gente consegue aprovar na Câmara. Não o fato de ser oposição ou situação. Isso foi a conveniência delas no momento. O que nós temos que observar, o que tem de chamar atenção da sociedade é o que foi a atuação delas como deputadas, o que elas trouxeram de resultado para a comunidade, para aquele grupo de pessoas que elas representam.

O DF é uma das unidades da Federação que até agora não conseguiram eleger uma governadora para mandato completo. Isso ainda está distante?

Acredito que é possível, sim. Existem dois nomes que querem se levantar como candidatas. Uma delas tem mandatos bem reconhecidos e a outra tem um legado, uma herança política expressiva. Só que hoje a oposição está bastante dividida, não está com uma trajetória clara. O posicionamento das chapas, dos partidos ainda está indefinido. Que eu me lembre, essa é a primeira vez que duas mulheres tentam se lançar como candidatas a governadora aqui no DF. Acho que está chegando perto. Estamos começando a nos aproximar dessa realidade de ter uma governadora. Acho que é bem possível. Não vou dizer que vai ser agora ou em 2018. Não sei, mas agora está começando.

É um cenário atípico neste ano, com poucas definições em relação às alianças políticas?

Realmente, está bastante obscuro. Quando você olha para uma chapa e pensa “essa chapa vai ser de oposição”, você acaba descobrindo que o vice pode ser candidato ao Senado em outra chapa e etc. Estou na esperança de que no mês de maio agora se acalmem e se posicionem com clareza. A única chapa que nós temos certeza é a do atual governo. O restante está conversando muito, indo para um lado e para o outro e está, de fato, indefinido.

Isso é bom ou ruim?

Eu diria que é ruim, porque vai acabar que as decisões de coligações vão ser definidas muito em cima da hora nas convenções. Isso pode atrapalhar boas decisões. Não gosto das decisões tomadas no calor da pressão, aquela coisa dos últimos minutos do segundo tempo. Como sou administradora de formação, eu costumo brincar que tenho um fluxograma e um organograma dentro da minha cabeça. Então gosto de tomar decisões extremamente bem calculadas, bem pensadas e a gente não sabe como isso vai ser.

Ainda sobre a Câmara Legislativa, como não estão despontando lideranças femininas, é possível que esse número de deputadas permaneça o mesmo ou que diminua?

O que eu falei é que não há muitas mulheres novas no cenário atual se propondo a serem candidatas. Você vê uma ou outra que tem tentado. Acho que é bem capaz de aumentar, do número atual, no máximo 15%. Acho que a nossa cultura de mulheres ainda está nos bastidores das decisões.

A partir de 2015, o que deve ser prioridade ao governo?

Como eu mencionei, eu gosto de planejamento. A melhor coisa a ser feita logo no começo de 2015 é um levantamento das áreas críticas da cidade. Uma apuração realmente minuciosa das questões de habitação, saúde, segurança. E pensar em um planejamento com no máximo dois anos para ser executado. Isso é a primeira coisa que nós precisamos fazer. Não podemos ter um governo reativo, que só age diante dos problemas. Temos que ter um governo voltado para o planejamento, proativo, de quem está governando uma cidade para o futuro e se antecipa aos problemas, possibilitando o desenvolvimento da cidade. Se toda vez um órgão para acudir uma situação e não deixa que as outras áreas continuem esse desenvolvimento. Isso é muito prejudicial.

Fonte: Jornal de Brasília

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Bolsonaro vai escolher nomes alinhados ao governo para agências

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O presidente Jair Bolsonaro diz que seguirá critérios técnicos no preenchimento de vagas nos órgãos, mas deixa claro que não escolherá quem diverge da agenda do Executivo. Ele terá de fazer 23 indicações até o fim deste ano

Intenção é de que integrantes de agências tenham perfil similar ao do diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres: veto ao cultivo de maconha para fins medicinais
(foto: Leopoldo Silva/Agencia Senado)

O presidente Jair Bolsonaro terá 23 indicações a fazer até o fim de 2020 em agências reguladoras — conforme o Correio antecipou no último sábado — e promete obedecer critérios técnicos no preenchimento das vagas. O objetivo é evitar órgãos com um “perfil complicador”, de empecilho ao desenvolvimento. Ele destacou que as agências são “importantes”, “autônomas”, mas não “soberanas”, deixando claro que pautará as escolhas dos nomes por perfis que respeitem não apenas a liberdade econômica, mas, também, a agenda moral, de valores e costumes.

A postura de Bolsonaro ficou clara ao fazer menção à escolha do médico Antônio Barra Torres, contra-almirante da Marinha, para o cargo de direção na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Aprovado em julho do ano passado pelo Senado, ele teve atuação direta na decisão da agência que avalizou, com restrições, a liberação da venda em farmácias de produtos cuja composição tem canabidiol, substância química encontrada na cannabis sativa, a maconha.

Os medicamentos com canabidiol estão liberados para uso medicinal, porém o cultivo de maconha para fins medicinais, não. A proposta foi arquivada pela Anvisa por três votos a um. Torres foi um dos que votaram favoravelmente pelo arquivamento. Dessa forma, fabricantes que quiserem se inserir no mercado precisarão importar o extrato da planta, o que torna mais caros os produtos comercializados no país. Para Bolsonaro, contudo, é a medida ideal.

O presidente disse que não é contra o tratamento via canabidiol. “Mas não da forma como queriam fazer por lá”, afirmou, em referência à rejeição do cultivo da maconha para fins medicinais. “Então, ele (Torres) ajudou e muito, de modo que o placar final foi três a um contra o que podia ser o plantio de maconha no Brasil”, ressaltou. O perfil na Anvisa é o almejado por ele em outras reguladoras. “Tenho conversado com alguns integrantes da atual agência, está sendo muito boa a conversa, em especial a Anvisa, e, lógico, as 20 e poucas indicações deste ano seguirão o critério técnico”, avisou.

Impactos

As agências passam “despercebidas” perante a sociedade, mas suas decisões, “em grande parte”, podem causar impactos à vida dos cidadãos, ponderou Bolsonaro. Ele citou, como exemplo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No órgão, há um debate sobre a taxação da energia solar. Na semana passada, o chefe do Executivo conversou sobre o assunto com um dos diretores da reguladora e relator da proposta, Rodrigo Limp Nascimento, reforçando sua absoluta contrariedade em tarifar. “Tem muita gente boa lá dentro, mas as decisões, muitas vezes, não são aquelas que interessam ao povo brasileiro. Povo, esse, ao qual devemos lealdade”, destacou.

O comandante do Planalto sinalizou que, 30 dias antes de vencer o prazo para as indicações, ele costuma se debruçar sobre a escolha. “Eu não conheço gente para indicar, eu tenho que procurar a pessoa. (Preciso) indicar pessoas que queiram, realmente, assumir esse compromisso, porque as agências mexem, algumas, com centenas de bilhões de reais”, sustentou. A Anvisa, frisou, é uma delas. Para ele, o órgão não pode protelar por muito tempo a “liberação das pautas que interessam à sociedade”.

Entre essas pautas está a regulamentação de um tratamento experimental para pessoas que sofrem fratura séria. “Tem um médico que já fez uma prova fora do Brasil, um cidadão que se acidentou e teve fratura da cervical. Então, se for esse tratamento iniciado até o quarto dia, ele pode ser uma pessoa normal em um ano e pouco. Isso está parado na Anvisa. Eu, por exemplo, vamos supor, se eu sofrer um acidente, agora, eu quero esse produto”, disse, sem citar o nome do procedimento.

Pílula contra câncer

Outra crítica de Bolsonaro à Anvisa é referente ao uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula contra o câncer”. Ele lembrou que, enquanto deputado federal, aprovou a matéria em “tempo recorde”, mas lamentou que a agência entrou com processo e ganhou uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o uso. “A mesma fosfo é feita nos Estados Unidos e vem para cá como complemento, suplemento alimentar. Tem certas coisas que não dá para esperar”, criticou.

O governo e as agências, defendeu o chefe do Executivo, precisam garantir que cada cidadão tenha liberdade de procurar uma cura, ainda que experimental. “Quem está morrendo, quem vai ficar tetraplégico a vida toda, tem pressa, e ele aceita muitas vezes (procedimentos experimentais), porque não vai ser cobaia. O que vai ser ministrado a ele não tem efeito colateral”, defendeu. “Pode ou não restabelecer aquele canal ali que leva aos movimentos, aos demais membros.”

 

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”É um direito dele”, diz Bolsonaro sobre Toffoli adiar juiz de garantias

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A decisão do presidente do STF e do CNJ foi adotada, na quarta-feira (15/1), determinando o adiamento do vigor em seis meses

(foto: José Cruz/ Agência Brasil)

A decisão do presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, em adiar o período de implantação do juiz de garantias é um direito dele. Assim definiu o presidente Jair Bolsonaro, limitando-se a dizer que ele tem a prerrogativa de intervir para ajudar a colocar em prática em um “prazo exequível”. Mas evitou se prolongar na avaliação sobre o tema, ao ser questionado na saída do Palácio da Alvorada, nesta quinta-feira (16/1).

A decisão de Toffoli foi adotada, na quarta-feira (15/1), determinando o adiamento do vigor em seis meses. após fazer uma consulta a magistrados de todo o país e de criar um grupo de trabalho para tratar do assunto. O juiz de garantias, previsto na lei do pacote anticrime, foi aprovado pelo Congresso e sancionado por Bolsonaro. Na prática, é um magistrado que atua no caso durante o inquérito policial, determinando medidas cautelares, como busca e apreensão contra investigados, por exemplo.

Quando o Ministério Público oferece denúncia, esse magistrado deixa o caso e outro juiz julga a ação penal em si. Toffoli voltou a ressaltar que a criação do instituto não cria gastos extras, o que poderia gerar sua inconstitucionalidade. “Trata-se de matéria processual penal. A efetiva implementação do juiz das garantias não demanda, necessariamente, a contratação de novos servidores. Passa muito mais por uma gestão judiciária”, declarou.

Questionado sobre o assunto, Bolsonaro foi sucinto. “É um direito dele, ele pode intervir para ajudar a começar a funcionar o juizado de garantias em um prazo exequível, nada mais além disso. É decisão dele, eu costumo não discutir (as decisões do Judiciário)”, destacou.

 

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Se for ilegal, a gente vê lá na frente, diz Bolsonaro sobre chefe da Secom

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Presidente disse que o auxiliar continuará no cargo, pois não há ilegalidade na relação das empresa de Wajngarten com emissoras de TV e agências que recebem recursos do governo

Bolsonaro cumprimenta populares na entrada do Palácio da Alvorada
(foto: José Cruz/Agência Brasil)

O titular da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Fabio Wajngarten, continua no cargo até segunda ordem. É o que afirmou o presidente Jair Bolsonaro, embora tenha sinalizado que o exoneraria caso fosse identificado algo irregular ligado a ele. A Folha de São Paulo publicou reportagem que o aponta como beneficiário de dinheiro de emissoras de TV e de agências de publicidade contratadas pela própria secretaria por meio de uma empresa da qual é sócio, a FW Comunicação e Marketing.

Em nota, a Secom informou, nessa quarta-feira (15/1), que Wajngarten se afastou da gestão da empresa e nomeou um administrador no lugar. E informou que os contratos que ela mantém com diferentes veículos de comunicação e agências de publicidade ocorreram “bem antes” dele assumir o cargo. Em discurso, ele também explicou que a criação da empresa e declarou que a reportagem é fantasiosa. Frisou, ainda, que “continuará enfrentando grupos monopolistas e poderosos” enquanto Bolsonaro o quiser no cargo.

Ao que sinalizou, nesta quinta-feira (16/1), Bolsonaro deseja a permanência de Wajngarten no cargo. “Se for ilegal, a gente vê lá na frente, mas o que eu vi até agora está tudo legal com o Fábio, vai continuar, é um excelente profissional. Se fosse um porcaria, igual alguns que tem por aí, ninguém estaria criticando ele”, sustentou. Antes, ele criticou duramente a Folha de São Paulo, chegando a adotar um tom agressivo com uma jornalista do veículo de comunicação ao ser questionado sobre o secretário.

O capitão reformado chegou a questionar a repórter se ela não tem “vergonha na cara” para fazer a tradicional portaria no Palácio da Alvorada, onde jornalistas ficam no aguardo de sua saída. Em seguida, Bolsonaro procurou se retratar com a profissional. “Eu sei que você não é dona da Folha, desculpa, você, como pessoa, não tenho nada contra você, mas você está cumprindo aqui o seu papel para tentar infernizar o governo. Qual pauta positiva a Folha teve no governo até hoje? Nada, zero. Zero”, acusou. No entanto, não deixou ela fazer outras perguntas, como quando quis questionar sobre a sanção do fundo eleitoral.

Entenda o caso

Wajngarten é sócio da FW Comunicação e Marketing,dona de contratos com ao menos cinco empresas que recebem recursos direcionados pela Secom, entre elas as redes de TV Band e Record, como revelou o jornal Folha de S.Paulo. O secretário afirmou que os acordos comerciais foram feitos antes de seu ingresso na Secom – o da Band, por exemplo, há 16 anos. Esses contratos, segundo ele, “não sofreram qualquer reajuste ou ampliação” desde então.

A quarta-feira no Palácio do Planalto foi marcada por reuniões convocadas por Bolsonaro para tratar da nova crise. A comunicação do governo está sob fogo cruzado e é atacada pelo grupo do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), que já a definiu no Twitter como “uma bela de uma porcaria”.

Em seu lugar na companhia, Wajngarten deixou Fabio Liberman, irmão do número 2 da Secom, Samy Liberman. Adjunto de Wajngarten, Samy trocou Miami por Brasília para assumir o cargo e é visto no Planalto como o braço direito do chefe. Seu irmão aparece nos registros da Receita Federal como dono ou sócio de dez firmas, que atuam em setores variados, de reprodução humana a negócios imobiliários.

Na quarta, no início da noite, o chefe da Secom utilizou o canal oficial de TV do governo para se defender da reportagem sobre sua atividade empresarial. A emissora, controlada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), está subordinada à sua secretaria. O pronunciamento de 18 minutos foi veiculado no canal TV Brasil 2. O chefe da Secom afirmou que todas as contas dele são “100% abertas”, admitiu que não sabia como funcionava o processo de nomeação para o cargo, mas que foi orientado pelos órgãos da Presidência.

Wajngarten não teria avisado a Comissão de Ética sobre os negócios da FW. O colegiado deve discutir, em reunião no próximo dia 28, se há elementos para abrir um processo por conflito de interesse. Nesses casos, se for instaurado processo, a punição costuma ser uma advertência. Questionado sobre a falta de comunicação sobre seus negócios à Comissão de Ética, Wajngarten não se manifestou.

 

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