FÁBIO PESCARINI E PAULO EDUARDO DIAS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Na zona rural de Orlândia, no interior de São Paulo, uma imagem de gasolina vazando como em filmes chamou a atenção em outubro do ano passado. Esse episódio ajudou a mostrar que os furtos de combustível aumentaram no Brasil recentemente.
De acordo com a Transpetro, empresa da Petrobras que cuida do transporte de combustíveis, em 2025 foram registrados 31 casos de furtos em dutos, enquanto em 2024 foram 25. Esse aumento interrompe uma sequência de quedas desde 2018, quando houve um recorde de 261 casos.
Mesmo investindo cerca de R$ 100 milhões por ano em segurança, com sensores, inteligência artificial, drones e escolta armada, os furtos continuam crescendo.
Segundo Sérgio Bacci, presidente da Transpetro, esses furtos podem causar mortes, danos ao meio ambiente e problemas no abastecimento de combustível.
As empresas não divulgaram o prejuízo financeiro, pois temem que esses dados incentivem o crime.
São Paulo é o estado com mais casos, responsável por 70% dos furtos no país no ano passado, com 22 registros. Já o Rio de Janeiro teve uma queda significativa, de 13 casos em 2020 para 1 em 2025, resultado de ações de segurança pública eficazes.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirma que intensificou as ações contra esse tipo de crime, que representa risco à população, ao meio ambiente e à infraestrutura do estado.
Sérgio Bacci destaca que o aumento dos furtos em São Paulo é um problema sério e contínuo, já que o estado tem importantes dutos e a maior malha de transporte de combustíveis do país.
Na fazenda em Orlândia, onde o furto ocorreu, havia forte cheiro de gasolina e risco de explosão. Um homem foi preso, após afirmar que estava com outros quatro comparsas que fugiram. Um caminhão-tanque usado para transportar o combustível foi abandonado no local.
A Secretaria de Segurança Pública do estado informou que as investigações continuam, com análise de um celular apreendido e contatos com a Transpetro.
Grupos criminosos geralmente agem à noite, usando caminhões-tanque ou veículos adaptados para transportar o combustível furtado. Eles contam com pessoas que perfuram os dutos e instalam válvulas improvisadas, usando mangueiras para extrair o combustível.
No pedido, Sérgio Bacci cobra mais ações das forças de segurança e leis mais rígidas para combater esses crimes. Existem dois projetos no Congresso para criminalizar o furto e roubo de combustível: um do deputado Juninho do Pneu (União-RJ) e outro da senadora licenciada Simone Tebet (MDB-MS), atual ministra do Planejamento. O projeto do deputado aguarda votação no Senado, enquanto o da senadora está na Câmara dos Deputados.
