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quarta-feira, 25/02/2026

queda forte do dólar acompanha cenário internacional

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O dólar começou o dia com uma forte queda nesta quarta-feira, seguindo o padrão de desvalorização que acontece em outros países.

Os investidores estão preferindo ativos mais arriscados e observam as críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a decisão da Suprema Corte que impediu o uso de uma lei antiga para aplicar tarifas de importação.

No Brasil, especialistas analisam os dados recentes sobre as finanças do governo e o crédito, divulgados nesta manhã.

O governo central mostrou um superávit de R$ 86,9 bilhões em janeiro, segundo o Tesouro Nacional. Já o crédito encolheu 18,9% em relação ao mês anterior, de acordo com o Banco Central.

Às 9h10, o dólar caiu 0,59%, valendo R$ 5,1254. Na terça-feira, o dólar já tinha caído 0,26%, fechando a R$ 5,154, o menor valor em quase dois anos. Enquanto isso, a Bolsa brasileira subiu 1,39%, atingindo 191.490 pontos, um recorde histórico.

O mercado de câmbio está cauteloso por causa das novas regras de tarifas criadas pelo presidente Donald Trump. A alíquota adotada foi de 10%, conforme anunciada pela CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA), diferente dos 15% que o presidente havia dito no sábado.

A redução na taxa confundiu os agentes econômicos, e as autoridades americanas ainda não deram explicações claras. Inicialmente o dólar chegou a subir para R$ 5,184, mas depois perdeu força, refletindo um maior interesse dos investidores por ativos mais arriscados.

“Com a redução da taxa, temos visto valorização das moedas e ações de mercados emergentes. Esse cenário de maior apetite ao risco tende a beneficiar economias com juros altos e bons retornos, como o Brasil”, comenta Lucca Bezzon, analista da StoneX.

A nova tarifa é uma resposta à decisão da Suprema Corte dos EUA que considerou ilegais as tarifas anteriores, baseadas na IEEPA, uma lei de emergência de 1977 que permitia o presidente aplicar sobretaxas sem aprovação do Congresso.

Os juízes entenderam que essa lei não dava esse poder ao presidente, com um placar de 6 a 3 votos.

Agora, as tarifas são aplicadas sob uma lei de 1974, que permite taxas temporárias de até 15% em casos de déficits na balança comercial.

Essas tarifas duram 150 dias, a menos que o Congresso aprove uma extensão. O governo americano irá trabalhar para criar tarifas que estejam dentro da legalidade, segundo Trump.

Isso pode gerar dúvidas sobre os acordos comerciais recentes dos EUA, já que as tarifas podem se sobrepor ao que foi negociado. Na segunda-feira, Trump avisou países para não recuarem nos acordos, caso contrário ele aplicará tarifas ainda maiores com outras leis comerciais.

O Japão pediu garantias de que seu tratamento no novo sistema tarifário será tão bom quanto o acordo atual. A União Europeia e o Reino Unido também querem manter os acordos já firmados.

Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, observou que mesmo com o limite de 150 dias, a incerteza nos negócios provavelmente continuará.

“É possível que o presidente Trump renove as tarifas indefinidamente a cada 150 dias”, disse.

A China pediu que os EUA parem com as tarifas unilaterais e indicou disposição para novas negociações.

No mercado internacional, o dólar ganhou força contra o iene, o euro e a libra. O índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas fortes, subiu 0,13%, para 97,87 pontos.

No Brasil, a visão é diferente. As novas tarifas são vistas como potencialmente benéficas, por serem menores do que as taxas antigas sobre produtos brasileiros.

Isso aumenta o interesse pelo mercado brasileiro, que já é favorecido pela entrada de investidores estrangeiros.

“Tecnicamente, o dólar quebrou o suporte de R$ 5,20, o que levou a ajustes nas carteiras e favoreceu a valorização do real, com investidores reduzindo sua exposição ao dólar”, explica Jaqueline Neo, especialista em câmbio da be.smart.

O índice Ibovespa também se recuperou. “Tensões entre os EUA e Irã puxaram o preço do petróleo para cima, beneficiando a Petrobras e o setor bancário, além da entrada de investidores estrangeiros, ajudando a reduzir o dólar”, diz Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos.

Bolsas europeias ficaram estáveis, enquanto Wall Street subiu, impulsionada por ações de tecnologia. A empresa Anthropic lançou dez novas ferramentas de inteligência artificial, animando o setor.

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