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Brasil

PT alcança resultado inédito nas redes sociais e manterá pressão no Congresso

Ricardo Stuckert/PR

O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai continuar exercendo pressão que tem constrangido o Congresso nas redes sociais, diante da resistência do Legislativo em discutir a taxação dos mais ricos e a cobrança de impostos a setores da economia atualmente isentos.

Apesar do apelo por um acordo, o líder do partido na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), declarou ao Metrópoles que o “campo progressista” não deve recuar ou se calar na luta por justiça fiscal.

“É certo que a pressão prosseguirá, não podemos desistir. Existe um debate legítimo na sociedade sobre esses programas… Precisamos defender nossa posição. Querem que fiquemos silenciosos? Não vejo problema algum em o PT e as forças progressistas atuarem e defenderem uma tributação mais justa, onde os ricos paguem a conta”, destacou Lindbergh Farias em relação à campanha iniciada na esquerda após a derrubada pelo Congresso do reajuste no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Essa vitória rara da esquerda na batalha das narrativas nas redes sociais tem causado desconforto no Congresso.

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Nas redes sociais, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi alvo de críticas e teve detalhes do seu mandato analisados. Perfis progressistas questionaram a coerência entre seu discurso de corte de gastos, o custo de seu gabinete e sua atuação para ampliar o número de deputados federais. Isso desagradou o chefe e os líderes do Centrão na Câmara.

No X, o termo “Congresso da mamata” virou um dos assuntos mais comentados. Motta também foi chamado de “traidor” por ter ascendência ao cargo com apoio do Planalto e por impor uma derrota histórica aos aliados ao derrubar abruptamente o reajuste do IOF e resistir a alternativas para taxar os mais ricos e alcançar a meta fiscal.

A crise entre Planalto, Congresso e STF

  • O governo anunciou no final de maio o aumento do IOF para arrecadar cerca de R$ 20 bilhões para cumprir a meta fiscal de 2025.
  • O Congresso reagiu negativamente. Após reunião com os presidentes da Câmara e do Senado, o governo recuou e diminuiu o reajuste.
  • Houve acordo entre Executivo e Legislativo para envio de Medida Provisória (MP) para compensar a perda da arrecadação com o recuo do IOF.
  • O clima azedou e o presidente da Câmara, Hugo Motta, pautou e aprovou a urgência do projeto que derrubava o reajuste do IOF, com aprovação em 16/6 e promessa de 15 dias para o governo achar uma solução.
  • Antes do prazo, Motta surpreendeu ao pautar e aprovar a derrubada total do reajuste do IOF em 25/6.
  • O governo teme precisar cortar programas sociais e bloquear emendas sem a receita do IOF e da MP.
  • Depois da derrota, o governo acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), o que poderia provocar uma nova tensão entre os poderes.

Em 4/7, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu as medidas do Executivo e Legislativo e convocou uma audiência de conciliação.

“Falam muito sobre ajuste fiscal, mas consideram cortar áreas sociais, saúde e educação… Na hora de contribuir, porque os ricos no Brasil pagam muito pouco imposto, bancos e fintechs não querem. Este é um debate legítimo que não abriremos mão. Afinal, eles fazem um debate contínuo contra trabalhadores para desvincular salário mínimo da previdência. Imagine para um trabalhador ou aposentado ganhar menos que um salário mínimo”, ressaltou Lindbergh Farias.

O líder do PT finaliza dizendo: “Eles expressam todas as suas posições e ficam incomodados quando também manifestamos as nossas”.

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