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segunda-feira, 02/03/2026

Preço do petróleo sobe após ataques no Irã

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SÃO PAULO, SP
FOLHAPRESS

Os valores do petróleo aumentaram bastante no começo das negociações deste domingo (1º), após os ataques feitos pelos Estados Unidos e Israel no Irã, que resultaram na morte do líder supremo do país, Ali Khamenei.

Por volta das 4h10 (horário de Brasília) desta segunda-feira (2), o barril tipo Brent, que é o principal parâmetro mundial, estava com alta de 9%, sendo negociado por cerca de US$ 79,48. Na abertura, o preço chegou a subir 13%, atingindo o maior valor desde junho de 2025. Ao mesmo tempo, os índices da bolsa americana, como o S&P 500 e Nasdaq 100, registravam queda de cerca de 1%, e o ouro subia 1,5%.

O aumento no preço do petróleo é consequência da preocupação dos investidores com as restrições de navegação no estreito de Hormuz, importante passagem por onde circulam 20% da produção mundial de petróleo, área que é amplamente controlada pelo Irã. Especialistas indicam que os preços podem ultrapassar US$ 100 por barril.

Embora o grupo Opep+, liderado pela Arábia Saudita e que reúne grandes produtores de petróleo, tenha decidido neste domingo aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, analistas alertam que esse aumento representaria pouco impacto no mercado se o conflito causar interrupções no fornecimento. Esse incremento equivale a menos de 0,2% da oferta global.

Nos últimos dias, os riscos para a navegação comercial dispararam. Mais de 200 navios, incluindo petroleiros e embarcações que transportam gás natural liquefeito, estão ancorados próximos ao estreito de Hormuz e áreas vizinhas, segundo dados de tráfego marítimo.

Na sexta-feira (27), o preço do barril Brent já havia subido cerca de 2%, fechando a US$ 72,48, com os investidores se preparando para possíveis dificuldades no fornecimento. Desde o início do ano, o preço do petróleo subiu cerca de 19%.

Empresas e países que exportam petróleo, como a Petrobras e o Brasil, tendem a ganhar com essa alta prolongada do preço, mas o aumento também pode causar elevação na inflação global, pressionando governos e bancos centrais a tomarem medidas.

Analistas do Citigroup afirmaram que esperam o preço do barril Brent entre US$ 80 e US$ 90 durante esta semana.

O banco britânico Barclays elevou suas projeções de preço do petróleo Brent para cerca de US$ 100 por barril, destacando que os mercados estão receosos e que podem enfrentar os piores cenários caso ocorram interrupções sérias no fornecimento devido às tensões no Oriente Médio.

Outro fator que contribui para o aumento dos preços é que seguradoras avisaram que vão cancelar apólices e aumentar os preços do seguro para embarcações que transitam pelo golfo Pérsico e estreito de Hormuz, refletindo o maior risco percebido.

Grande parte do petróleo que passa pelo estreito de Hormuz é vendida por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Kuwait e Iraque para mercados asiáticos, especialmente a China, e para a Europa.

As restrições na passagem do estreito preocupam mais do que possíveis impactos diretos do petróleo iraniano no mercado global.

O Irã possui a quarta maior reserva comprovada de petróleo bruto do mundo, mas anos de sanções e falta de investimentos limitaram sua produção e exportação. Em janeiro, o país produziu 3,45 milhões de barris por dia, o que representa menos de 3% da oferta global, sendo que quase toda essa produção é destinada à China.

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), comentou que o aumento do preço pode beneficiar as exportações brasileiras, que em 2022 chegaram a US$ 44,5 bilhões. Ele ressaltou que o preço só deve ultrapassar os US$ 100 se o estreito de Hormuz for fechado.

Do lado das tensões, no domingo o Irã atacou pelo menos dois petroleiros na região do estreito: um navio de bandeira de Palau foi atingido, deixando quatro feridos e exigindo evacuação; outro navio, o MKD Vyon, de bandeira das Ilhas Marshall, também foi atingido.

Esses incidentes resultaram em uma queda drástica no tráfego marítimo no final de semana.

Duas das maiores empresas de transporte marítimo mundial, CMA CGM e Hapag-Lloyd, ordenaram que seus navios evitem navegar pela região. Outras empresas como Mitsui OSK Lines e NYK Lines também suspenderam o trânsito para garantir a segurança dos marinheiros, cargas e navios.

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