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Por que Turquia se opõe à entrada de Finlândia e Suécia na OTAN e o que Rússia tem a ver com isso?

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As objeções turcas à entrada da Suécia e Finlândia na OTAN levaram a uma semana de intensa atividade diplomática em Washington, Ancara, Estocolmo e Helsinque. A Sputnik explica por que a Turquia não quer os escandinavos na aliança militar ocidental.

© Sputnik / Sergei Guneev / Abrir o banco de imagens

 

Nesta quarta-feira (18), durante reunião de embaixadores da OTAN, a Turquia bloqueou o debate sobre a adesão da Finlândia e Suécia na aliança militar do Atlântico Norte, relatou o jornal Financial Times. De acordo com o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, a posição turca pode atrasar o processo de adesão em uma ou duas semanas.
Membro da OTAN desde 1952, a Turquia alega que a Finlândia e Suécia garantem abrigo a organizações consideradas terroristas por Ancara, como o Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK na sigla em curdo) e o movimento Gulen.
“Nós explicamos aos países-membros da OTAN […] que há apoio por parte da Suécia e Finlândia a organizações terroristas. Elucidamos nossa posição abertamente, em especial em relação ao envio de armas por parte da Suécia”, disse o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, a repórteres neste domingo (15).
De acordo com a agência turca Anadolu, sistemas antitanque de fabricação sueca AT-4 foram encontrados em poder de grupos curdos durante operações antiterroristas conduzidas por Ancara entre 2017 e 2021.
“As declarações do ministro das Relações Exteriores da Suécia até agora não têm sido construtivas, mas provocadoras”, disse Cavusoglu.
O imbróglio gerou intensa atividade diplomática entre Turquia, EUA, Suécia, Finlândia e OTAN nesta semana.
Na quarta-feira (18), o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, se reuniu com seu homólogo turco às margens de um encontro das Nações Unidas em Nova York.
Apesar de o diálogo ter sido classificado como “extremamente positivo” por Cavusoglu, a declaração conjunta emitida pelas partes não cita a entrada da Suécia e Finlândia na OTAN.
No mesmo dia, o ministro da Defesa da Suécia, Peter Hultqvist, se encontrou com o seu homólogo norte-americano, Lloyd Austin, no Pentágono, para discutir a adesão de Estocolmo ao bloco.
“Precisamos lembrar que essas são Forças Armadas que não são estranhas para nós”, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, após o encontro dos ministros da Defesa. “Nós os conhecemos bem, operamos e conduzimos exercícios militares com eles.”
Nesta quarta-feira (18), o conselheiro de Defesa Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, se mostrou otimista quanto à possibilidade de um acordo entre Finlândia, Suécia e Turquia.
Mevlut Cavusoglu, ministro das Relações Exteriores turco em coletiva de imprensa em Ancara, Turquia, 19 de abril de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 19.05.2022
Mevlut Cavusoglu, ministro das Relações Exteriores turco em coletiva de imprensa em Ancara, Turquia, 19 de abril de 2022
“A Finlândia e a Suécia estão trabalhando diretamente com a Turquia para isso, mas nós também estamos em contato com os turcos para facilitar”, disse Sullivan.

Movimentos curdos

Para o pesquisador em Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) Jonuel Gonçalves, o momento é propício para a Turquia minar o apoio de países europeus aos movimentos pró-curdos.
“O problema do governo turco não é a entrada de mais dois países na OTAN, mas sim a entrada de um país que dá apoio a um grande adversário interno desse governo, que é o movimento curdo”, disse Jonuel Gonçalves. “A impressão que ficamos é que o governo turco está aproveitando a situação para negociar através da OTAN uma redução desse apoio da Suécia aos movimentos curdos.”
O pesquisador aponta que o Partido Social Democrata sueco tradicionalmente fornece apoio a grupos que buscam a autodeterminação ou lutam em favor da democracia.
“O Partido Social Democrata sueco tem apoiado os curdos não só na Turquia, mas também no Iraque e na Síria”, aponta o pesquisador.
Militante do PKK no norte do Iraque - Sputnik Brasil, 1920, 19.05.2022
Militante do PKK no norte do Iraque
De fato, em 27 de abril deste ano, por exemplo, membros do partido sueco se reuniram com apoiadores do PKK para debater a possibilidade de retirar a organização curda da lista de movimentos terroristas da União Europeia.
Para Gonçalves, será difícil garantir um recuo do apoio aos curdos por parte das forças políticas suecas.
“Pelo que conheço do Partido Social Democrata sueco, não acho que eles vão abrir mão de nada. Para eles, estes assuntos são questões de princípio”, considerou Gonçalves.
De acordo com o jornal turco Sabah, Ancara teria elencado uma série de demandas aos países escandinavos, como designar os PKK como uma organização terrorista, interromper apoio financeiro e encerrar atividades do PKK e do movimento Gulen em território finlandês e sueco.

Posição no Ocidente

Na quarta-feira (18), o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, expressou ressentimento em relação a seus aliados militares, que não seriam sensíveis aos interesses e demandas turcos.
“Esperamos que nossos aliados entendam, respeitem e apoiem as nossas sensibilidades. Temos uma sensibilidade em relação à proteção de nossas fronteiras do terrorismo. Nenhum de nossos aliados tem demonstrado o respeito que esperávamos em relação a essas sensibilidades”, disse Erdogan.
Para Gonçalves, além da questão curda, a Turquia tem interesse de renegociar a sua posição no Ocidente.
“A Turquia quer renegociar a sua posição em relação ao Ocidente de forma geral. Quer mais destaque e acredita que pode recuperar a sua função histórica”, apontou o pesquisador da UFF.
Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (C) cumprimenta o presidente dos EUA Joe Biden (D) durante sessão plenária na cúpula da OTAN em Bruxelas, segunda-feira, 14 de junho de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 19.05.2022
Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (C) cumprimenta o presidente dos EUA Joe Biden (D) durante sessão plenária na cúpula da OTAN em Bruxelas, segunda-feira, 14 de junho de 2021
De acordo com a professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) Monique Sochaczewski, o contexto geopolítico atual devolve à Turquia a “relevância internacional que ela tinha perdido há muito tempo”.
“O primeiro intuito é fazer barulho, chamar a atenção para essa relevância internacional”, revelou a especialista. “Além disso, a Turquia quer deixar a sua marca, já que se ressente muito de dificuldades para aderir à União Europeia.”
Ancara tem várias arestas a aparar com seus aliados ocidentais, e em particular com os EUA, que impuseram sanções contra Ancara em função da compra de sistemas de defesa antiaérea S-400.
De acordo com a agência Bloomberg, a Turquia quer ser readmitida no programa avançado de operação de caças F-35 da OTAN, da qual foi retirada em função da compra dos S-400. Os turcos também demandam a entrega dos caças F-35 norte-americanos pelos quais já pagaram, mas nunca receberam.
Sistemas de defesa antiaérea S-400 Triumf em desfile militar que marca o 76º aniversário da Grande Guerra pela Pátria (parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945, e limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados) em 9 de maio de 2021, Sevastopol, Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 19.05.2022
Sistemas de defesa antiaérea S-400 Triumf em desfile militar que marca o 76º aniversário da Grande Guerra pela Pátria (parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945, e limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados) em 9 de maio de 2021, Sevastopol, Rússia
“Por incrível que pareça, eu acho mais fácil garantir maior margem de manobra para a Turquia nos acordos ocidentais, sejam econômicos, políticos ou militares, do que garantir que a Suécia recue em relação ao apoio a movimentos curdos”, considerou Gonçalves.

Fator Rússia

Nesta segunda-feira (16), o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, disse que a estrutura de segurança europeia será prejudicada com a entrada da Finlândia e Suécia na OTAN.
“Em Washington, em Bruxelas e outras capitais da OTAN […] eles não devem ter nenhuma ilusão de que a gente vai simplesmente aceitar isso calados”, disse Ryabkov a repórteres. “O nível total de tensões militares vai aumentar e haverá menos previsibilidade na região.”
Gonçalves, autor do livro ‘”As Imposturas Identitárias”, aponta que a resistência turca em relação à entrada dos escandinavos na OTAN pode enviar um sinal positivo para Moscou e reforçar sua posição de mediadora no conflito ucraniano.
“A Turquia pode estar fazendo um gesto em direção à Rússia, dizendo que não assina sem questionamentos a ampliação da OTAN”, considerou Gonçalves.
Sochaczewski concorda, e diz que “esse tipo de movimento mostra alguma reticência que possa ser entendida pela Rússia como algo positivo”.
Presidentes da Rússia e Turquia conversam com ajuda de tradutor em cerimônia de abertura de gasoduto comum, em Istanbul, em 8 de janeiro de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 19.05.2022
Presidentes da Rússia e Turquia conversam com ajuda de tradutor em cerimônia de abertura de gasoduto comum, em Istanbul, em 8 de janeiro de 2020
Nesta quinta-feira (19), a presidente do Senado russo, Valentina Matvienko, declarou que a reação russa à nova expansão da aliança militar ocidental vai depender das armas a serem instaladas em Estocolmo e Helsinque.
“A resposta das Forças Armadas russas será proporcional e de acordo com a presença da OTAN nesses países, com quais armas serão instaladas lá. Mas eu posso te garantir que a segurança russa será assegurada”, disse Matvienko ao jornal Izvestia.

Público interno

Apesar dos fatores geopolíticos estarem em alta, Monique Sochaczewski nota que retórica das autoridades turcas pode estar voltada para o público doméstico.
“Acho que esse barulho todo tem o intuito de desviar a atenção da grande crise econômica e social que existe dentro da Turquia nos últimos tempos”, declarou a especialista.
Segundo ela, “a partir do momento que você fala grosso e tenta chamar para si um papel importante”, acaba seguindo “aquele velho esquema de desviar a atenção das dificuldades internas”.
Homens negociam preço em mercado em Istanbul, na Turquia - Sputnik Brasil, 1920, 19.05.2022
Homens negociam preço em mercado em Istanbul, na Turquia
Além disso, a luta contra o movimento pela independência curdo pode consolidar o apoio do eleitorado nacionalista ao presidente Recep Tayyip Erdogan, que enfrenta eleições no ano que vem.
Apesar da barganha turca ser complexa, ela é natural e “faz parte do jogo político normal”, acredita Gonçalves. Sochaczewski concorda, lembrando que a Turquia tem “voz forte na OTAN e deve fazer uso dela”.
Nesta quarta-feira (18), os chanceleres da Turquia e EUA se reuniram em Nova York para debater as objeções turcas à entrada da Finlândia e Suécia na OTAN. Nesta quinta-feira (19), o presidente dos EUA, Joe Biden, se reunirá com seu homólogo finlandês, Sauli Niinisto, e com a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, em Washington, para dar continuidade às negociações sobre a adesão da Finlândia e Suécia à OTAN.

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Lavrov: expansão do BRICS dá um passo adiante com candidaturas de Argentina e Irã

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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que tanto a Argentina quanto o Irã são candidatos à altura para o BRICS, e que é com eles que a expansão do bloco começará.

© Sputnik / Pavel Bednyakov

Lavrov ainda afirmou que a decisão da adesão dos dois países no BRICS ocorrerá através de um consenso, e que ambos são candidatos à altura.
“Entende-se que a Argentina e o Irã estão à altura, e são candidatos respeitáveis, assim como os demais países que também são mencionados nas discussões, mas a decisão será tomada em consenso”, declarou.
De acordo com Lavrov, “o mais importante é que o processo preparatório tenha sido lançado e os principais critérios serão, acima de tudo, garantir a eficiência, e elevar o impacto prático do trabalho sobre esta estrutura”.

Expansão do contingente da OTAN

Ao falar sobre a OTAN, Lavrov afirmou que a expansão do contingente no flanco leste foi planejada pela aliança, independentemente do que for aceito na cúpula de Madri.
“Com relação aos planos que estão sendo preparados pela cúpula da OTAN, para nos declarar uma ameaça, e a China como um desafio – eles gostam de brincar com as palavras, mas isso não muda nada […]”, declarou.
Segundo Lavrov, a Rússia foi declarada inimiga da OTAN há muito tempo, simplesmente pelo fato de não concordar com o mundo neoliberal imposto pelos EUA sob o slogan de uma ordem mundial baseada em regras.
“Portanto, isso não nos surpreende. E não trará nada de novo para a política dos EUA e de seus satélites. A expansão no flanco leste da OTAN, na minha opinião, de até 200.000 ou mais soldados, foi planejada independentemente do que será definido em Madri. Isso foi anunciado há muito tempo. É uma continuação inaceitável, que viola todos os acordos e promessas. O desenvolvimento da OTAN no território da antiga União Soviética, sua infraestrutura militar próxima das fronteiras russas”, explicou.

Zelensky no G20

Com relação à presença de Zelensky no G20, o ministro russo afirmou que pouco interessa à Rússia se o presidente ucraniano caminhará pelos “cantos” na cúpula do G20 na Indonésia.
O país-sede sempre convida representantes que não são membros do G20, e agora não será diferente, e como dizem, não se pode ficar sem Zelensky, ele é intrusivo e irritante, comentou Lavrov.
“Provavelmente, nos intervalos, entre receber ordens de Washington, ele tem tempo livre e, portanto, fica satisfeito em se encaixar em aparecer de alguma forma e dizer algo com lágrimas nos olhos. Mas pouco interessa se ele vai para algum lugar ou não. Sempre respeitamos as ações do país anfitrião do G20”, afirmou.
Além disso, ele explicou que a Rússia aborda o “trabalho do G20 com base nos princípios fundamentais para os quais foi criado”.
Com relação às declarações do Ocidente sobre a inviabilidade das negociações entre a Rússia e a Ucrânia, Lavrov enfatizou que são uma manifestação de esquizofrenia.
“Estas declarações, atualmente, são feitas regularmente por Boris Johnson, Olaf Scholz ou Josep Borrell, que constantemente pedem mais dinheiro para armas a serem enviadas à Ucrânia do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz. Essa esquizofrenia já está sendo manifestada”, concluiu Lavrov.
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Casa Branca duvida que Ucrânia consiga reconquistar territórios perdidos, diz CNN

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O governo norte-americano duvida cada vez mais que a Ucrânia volte a controlar os territórios perdidos desde o início da operação militar especial russa, comunicou a emissora CNN.

© Sputnik / STRINGER / Abrir o banco de imagens

 

Segundo a mídia, os assessores do presidente dos EUA, Joe Biden, debatem se é necessário que a Ucrânia reconheça que deve “ceder seus territórios a Donetsk e Lugansk” para pôr fim ao conflito que se desencadeou em 2014 e se agravou em fevereiro deste ano.
Um alto funcionário do Congresso, segundo o canal, considera que a perda do território por parte da Ucrânia é inevitável. Supõe que a possibilidade de Kiev conseguir reconquistar os territórios depende do fornecimento à Ucrânia de armas norte-americanas.
Anteriormente, o deputado canadense Yvan Baker, membro do Partido Liberal, afirmou ao canal de televisão Ukraina 24 que os países ocidentais estavam se cansando tanto da Ucrânia, que chegaram a solicitar ao presidente ucraniano Vladimir Zelensky a ceder uma parte do território do país a Donetsk e Lugansk.
Seguindo a linha, vários altos funcionários na África, Ásia e Oriente Médio pediram à Ucrânia para que deixasse de resistir, de acordo com o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Dmitry Kuleba.
A Rússia iniciou uma operação militar especial em 24 de fevereiro em resposta aos pedidos de assistência das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk para defesa dos bombardeamentos ucranianos.
Donetsk e Lugansk declararam independência da Ucrânia em maio de 2014 por não terem reconhecido as novas autoridades, que chegaram ao poder depois do golpe de Estado realizado em Kiev em fevereiro do mesmo ano.
Em fevereiro de 2022, a Rússia reconheceu a independência das repúblicas de Donetsk e Lugansk e declarou o início de uma operação militar, cujo objetivo é “salvar as pessoas que ao longo de oito anos têm sofrido genocídio por parte do regime de Kiev”, segundo o presidente russo Vladimir Putin.
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Dmitry Medvedev diz que ação de membros da Otan na Crimeia pode significar 3ª Guerra Mundial

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Ex-presidente da Rússia é atual vice-presidente do Conselho de Segurança do país.

Dimitri Medvedev, ex-primeiro-ministro da Rússia, e Vladimir Putin, o presidente, em reunião governamental no dia 15 de janeiro de 2020 — Foto: Sputnik/Alexey Nikolsky/Kremlin/ via Reuters

Qualquer invasão na península da Crimeia por um estado-membro da Otan pode ser entendida como equivalente a uma declaração de guerra contra a Rússia, o que pode levar à “3ª Guerra Mundial”, disse o ex-presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, nesta segunda-feira (27).

“Para nós, a Crimeia é parte da Rússia. E isso significa para sempre. Qualquer tentativa de invadir a Crimeia é uma declaração de guerra contra nosso país”, disse Medvedev ao site de notícias Argumenty i Fakty.

“E se isso for feito por um estado membro da Otan, isso significa conflito com toda a aliança do Atlântico Norte; uma Terceira Guerra Mundial. Uma catástrofe completa.”

Comboio de veículos blindados russos em rodovia na Crimeia, região da Ucrânia que foi invadida e anexada pela Rússia em 2014, em foto de 18 de janeiro de 2022 — Foto: AP

Comboio de veículos blindados russos em rodovia na Crimeia, região da Ucrânia que foi invadida e anexada pela Rússia em 2014, em foto de 18 de janeiro de 2022 — Foto: AP

Medvedev, que atualmente é vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, um órgão que assessora o presidente Vladimir Putin em suas decisões sobre defesa, também disse que se a Finlândia e a Suécia se juntarem à Otan, a Rússia fortaleceria suas fronteiras e estaria “pronta para medidas de retaliação”, e isso poderia incluir a perspectiva de instalar mísseis hipersônicos Iskander “em seu limite”.

A Crimeia, que tem mais de 2,5 mil quilômetros de litoral, está unida ao resto do continente europeu somente pelo Istmo de Perekop, que tem aproximadamente oito quilômetros de extensão.

Além disso, a península está ligada desde maio de 2018 ao restante do território russo por uma ponte de aproximadamente 17 quilômetros de comprimento, que cruza o Estreito de Kerch.

O Kremlin considera que a Crimeia é território russo porque assim ficou decidido pelos cidadãos da península em um referendo realizado em 2014. Mas a Ucrânia, que deteve o controle da região entre 1954 e 2014, ainda tem pretensão de recuperá-la.

 

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Caminhão com 46 migrantes mortos é encontrado nos EUA

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Corpos estavam ‘empilhados’ no baú do veículo achado no estado do Texas; 16 pessoas foram resgatadas com vida, entre elas 4 crianças

Texas: San Antonio, a 250 km da fronteira, é uma importante rota de trânsito para os traficantes (AFP/AFP)

Quarenta e seis migrantes foram encontrados mortos na segunda-feira, 27, dentro e ao redor de um caminhão abandonado em uma rodovia de San Antonio, Texas, informaram as autoridades.

A descoberta macabra é uma das piores tragédias com migrantes nos Estados Unidos nos últimos anos e aconteceu cinco anos após um incidente fatal com características similares na mesma cidade do Texas, que fica  poucas horas da fronteira com o México.

“Até o momento registramos 46 corpos”, disse o comandante dos bombeiros de San Antonio, Charles Hood. Ele informou que 16 pessoas – 12 adultos e quatro crianças – foram levadas para o hospital vivas e conscientes.

“Os pacientes que vimos estavam quentes ao toque, estavam sofrendo de insolação, exaustão pelo calor e sem sinais de água no veículo. Era um caminhão refrigerado, mas não havia unidade de ar condicionado visível em funcionamento”, disse Hood.

“Esta noite estamos lidando com uma horrível tragédia humana”, lamentou o prefeito de San Antonio, Ron Nirenberg, em uma entrevista coletiva.

“Por isso, peço a todos que pensem com compaixão e rezem pelos falecidos, pelos feridos, pelas famílias”, disse. “E esperamos que os responsáveis por colocar estas pessoas em condições tão desumanas sejam processados em todo o rigor da lei”.

San Antonio, a 250 km da fronteira, é uma importante rota de trânsito para os traficantes. A cidade sofre com uma onda de calor, que na segunda-feira chegou a 39,5 ºC.

O veículo foi encontrado em uma estrada perto da rodovia I-35, que segue de maneira direta até a fronteira com o México. Uma grande operação de emergência foi mobilizada com a presença de policiais, bombeiros e ambulância.

O chefe de polícia de San Antonio, William McManus, afirmou que as autoridades foram alertads às 17H50 locais. “Um funcionário de um dos edifícios atrás de mim ouviu um grito de socorro”, disse. “(Ele) saiu para investigar, encontrou um contêiner com as portas parcialmente abertas, ele abriu para dar uma olhada e encontrou vários indivíduos falecidos”.

Três pessoas foram detidas, mas o chefe de polícia não sabe se “estão absolutamente conectadas com isto ou não”. A investigação foi transferida para o Departamento de Segurança Nacional.

Quase 60 bombeiros foram enviados ao local e devem receber apoio psicológico, confirmou Charles Hood. “Não estamos preparados para abrir um caminhão e ver diversos corpos lá”, explicou.

O governador do Texas, Greg Abbott, republicano que defende a linha dura contra a migração, atacou o presidente Joe Biden e culpou as “mortais políticas de fronteiras abertas” do democrata. “Estas mortes estão na conta de Biden”, tuitou Abbott. “Mostaram as consequências mortais de sua recusa em fazer cumprir a lei”.

O ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, lamentou a tragédia. Ele disse que as nacionalidades das vítimas não foram determinadas, mas que entre os sobreviventes estão dois guatemaltecos.

Caminhões como o encontrado em San Antonio são um meio de transporte amplamente utilizado por migrantes que buscam entrar nos Estados Unidos.

A viagem é extremamente perigosa, principalmente porque os veículos desse tipo geralmente não possuem sistemas de ventilação ou refrigeração.

“O Senhor tenha misericórdia deles. Esperavam uma vida melhor”, escreveu no Twitter o arcebispo de San Antonio, Gustavo Garcia-Siller.

“Mais uma vez, a falta de coragem para lidar com uma reforma migratória está matando e destruindo vidas.

Tragédia repetida

San Antonio foi cenário de uma tragédia similar em 2017, quando 10 pessoas morreram sufocadas em um contêiner que seguia para os Estados Unidos. O ar condicionado do caminhão estava danificado e os espaço de ventilação cobertos.

Dezenas foram hospitalizadas por insolação e desidratação, embora se acredite que o caminhão transportasse até 200 pessoas – a maioria fugiu quando o veículo parou em um estacionamento.

O motorista do caminhão, que alegou não saber que transportava mais de 100 pessoas no veículo, foi condenado em abril de 2018 à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

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Rússia dá calote em dívida externa pela primeira vez desde 1917

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No final do dia de domingo, o período de carência para pagamentos de juros de cerca de US$ 100 milhões que venceram em 27 de maio expirou, caracterizando o default

Rússia: país contestou a designação de default , dizendo que tem fundos para cobrir quaisquer contas e foi forçada a não paga (Getty Images/Getty Images)

A dívida externa da Rússia entrou em default pela primeira vez em um século após as sanções ocidentais cada vez mais duras fecharem as rotas de pagamento aos credores estrangeiros.

Durante meses, o país encontrou caminhos para contornar as penalidades impostas após a invasão da Ucrânia pelo Kremlin. Mas no final do dia de domingo, o período de carência para pagamentos de juros de cerca de US$ 100 milhões que venceram em 27 de maio expirou, caracterizando o default.

Foi um marco na rápida transformação do país em um pária econômico, financeiro e político. Os eurobônus do país têm sido negociados em níveis de estresse desde o início de março, as reservas estrangeiras do banco central permanecem congeladas e seus maiores bancos estão isolados do sistema financeiro global.

Mas, dados os danos já causados à economia e aos mercados, o calote também é sobretudo simbólico por enquanto, e pouco importa para a população russa que lida com inflação de dois dígitos e a pior contração econômica em anos.

A Rússia contestou a designação de default , dizendo que tem fundos para cobrir quaisquer contas e foi forçada a não pagar. Na tentativa de contornar as sanções, o país anunciou na semana passada que passaria a pagar seus US$ 40 bilhões em dívida soberana em rublos, criticando uma situação de “força maior” que disse ter sido artificialmente fabricada pelo Ocidente.

“É uma coisa muito, muito rara, onde um governo que teria os recursos é forçado por um governo externo a entrar em default ”, disse Hassan Malik, analista de dívida soberana sênior da Loomis Sayles & Co. “Será um dos maiores defaults da história.”

Uma declaração formal de default normalmente viria de agências de classificação de risco, mas as sanções europeias levaram-nas a retirar a cobertura de entidades russas. De acordo com os documentos das notas cujo período de carência expirou no domingo, os detentores de 25% dos títulos em circulação podem declarar um calote se concordarem que ocorreu um “evento de inadimplência”.

O foco agora muda para o que os investidores vão fazer daqui para frente.

Eles não precisam agir imediatamente e podem optar por monitorar o progresso da guerra na esperança de que as sanções sejam eventualmente suavizadas. O tempo pode estar do seu lado: os créditos só se tornam nulos três anos após a data do pagamento, de acordo com os documentos do título.

“A maioria dos detentores de títulos manterá a abordagem de esperar para ver”, disse Takahide Kiuchi, economista do Nomura Research Institute em Tóquio.

Durante a crise financeira da Rússia e o colapso do rublo de 1998, o governo do presidente Boris Yeltsin deu calote em US$ 40 bilhões de sua dívida local, e declarou uma moratória sobre a dívida externa.

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Mídia: Israel cogita permitir exportação de petróleo do Irã à Síria sob supervisão dos EUA

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Tel Aviv consentirá ao Irã transportar petróleo à Síria, mas para isso é necessário evitar que Teerã forneça armas aos inimigos de Israel, de acordo com funcionários israelenses citados pela mídia.

CC BY 2.0 / Flickr.com / zeevveez

 

Israel pode aprovar um acordo de transferência de petróleo iraniano para a Síria, negociado pelos EUA, segundo o Canal 12 israelense.
Em meio às discussões travadas do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), ou acordo nuclear iraniano, funcionários israelenses teriam consentido permitir o transporte desde que os EUA supervisassem o processo.
A mídia explica que Israel quer evitar que o Irã use a ocasião para transferir armas, incluindo foguetes avançados e drones, a seus aliados regionais, para o Hamas e o Movimento da Jihad Islâmica na Palestina em Gaza, e o Hezbollah no Líbano. Essa é a única forma de Tel Aviv concordar com a exportação do petróleo iraniano, explica o Canal 12.
Em 2015, sob a administração de Barack Obama (2009-2017), os EUA se juntaram a vários países para assinar o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), que limitou o enriquecimento de uranio do Irã para evitar que Teerã criasse armas nucleares, em troca de o país ter algumas de suas sanções suspensas, incluindo na exportação do petróleo.
No entanto, o novo presidente Donald Trump (2017-2021) retirou Washington do acordo, alegando sem provas violações por parte de Teerã, e reimpôs sanções duras ao Irã, levando a nação persa a se retirar gradualmente dos termos do acordo a partir de 2019.
Joe Biden retomou em 2021 as negociações do JCPOA, mas também impôs ao Irã mais sanções do que as que retirou. No entanto, ele tem negociado a exportação de petróleo venezuelano e iraniano em meio à subida dos preços petrolíferos desencadeada pelos crescentes embargos ocidentais ao petróleo da Rússia, que também tem aumentado os níveis de inflação.
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