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segunda-feira, 20/04/2026

Papa Leão XIV faz missa para multidão em Angola

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Mais de 100 mil fiéis participaram neste domingo (19/4) de uma missa ao ar livre perto de Luanda, capital de Angola, celebrada pelo papa Leão XIV. O pontífice pediu esperança durante o segundo dia de sua visita ao país, que enfrenta grandes desigualdades econômicas e sociais.

Desde que chegou a Angola, terceira etapa de uma viagem de 11 dias pela África, o papa criticou os sofrimentos e as crises sociais e ambientais causadas pela exploração dos recursos naturais na ex-colônia portuguesa, que é rica em petróleo e minerais. Ele fez essas declarações na presença do presidente João Lourenço.

Durante a visita, marcada por críticas recentes do presidente americano Donald Trump ao pontífice, papa Leão XIV adotou um discurso firme. Ele presidiu uma grande missa em Kilamba, a cerca de 30 quilômetros de Luanda.

Leão XIV convidou os angolanos a olhar para o futuro com esperança. Ele afirmou que é possível construir um país onde as divisões antigas sejam superadas, o ódio e a violência desapareçam e a corrupção seja erradicada por uma nova cultura de justiça e solidariedade.

O padre angolano Pedro Chingandu comentou que a riqueza em Angola está concentrada nas mãos de uma pequena minoria e que a guerra que o país viveu entre 1975 e 2002 agravou a situação. Ele enfatizou a necessidade de uma verdadeira democracia, redistribuição de riqueza e justiça.

Patrício Musanga, 32 anos, natural de Kinshasa, na República Democrática do Congo, e morador de Luanda há dez anos, usava um boné branco com a foto do papa e esperava uma mensagem de esperança para os jovens, além de reconciliação nacional e paz. Segundo ele, essa mensagem é válida para toda a África, onde muitos jovens enfrentam problemas como o desemprego.

Muxima, símbolo da fé angolana

Leão XIV é o terceiro papa a visitar Angola, após João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009. O pontífice deve visitar de helicóptero o santuário mariano de Muxima, cidade pequena a 130 km da capital, que é o maior centro de peregrinação católica no sul da África.

Construída às margens do rio Kwanza, que dá nome à moeda local, a igreja de Nossa Senhora da Muxima é um templo colonial português do século 16 que atrai quase 2 milhões de peregrinos por ano. Muitos viajantes buscam a estátua da Virgem Maria, chamada carinhosamente de Mamã Muxima, que segundo a lenda teria aparecido ali para batizar os escravizados antes da travessia do Atlântico.

Veronica Simão Teka, 60 anos, descreve Mamã Muxima como a alma e o coração do povo angolano, uma mãe que os abençoa e guia.

Manifestações e desafios sociais

Meraldo Amon Daniel, estudante de enfermagem, espera que a visita do papa fortaleça a fé dos fiéis e também das autoridades do país. Ele ressaltou que quase um terço da população vive abaixo da linha internacional da pobreza, estabelecida em 2,15 dólares por dia.

Em julho de 2025, Angola presenciou três dias de protestos contra o alto custo de vida, que envolveram saques e resultaram em quase 30 mortes e centenas de prisões. Organizações de direitos humanos denunciaram o uso excessivo da força por parte das autoridades.

Especialistas dizem que esses conflitos refletem o descontentamento com o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que está no poder desde a independência do país em 1975. Após Angola, o papa seguirá para Guiné Equatorial, última etapa de sua viagem de 18 mil quilômetros por quatro países africanos.

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