Uma ação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal revelou nesta quarta-feira (18/3) uma rede criminosa que usava agentes de segurança pública para facilitar a entrada ilegal e venda de produtos eletrônicos no Brasil. Esta ação foi nomeada Operação Iscariotes.
As investigações, feitas durante meses, mostraram que o grupo trazia produtos caros sem a documentação correta, burlando os controles alfandegários. Depois de entrar no país, os produtos eram vendidos principalmente em Campo Grande (MS) e enviados para outras regiões, principalmente em cidades de Minas Gerais.
Foi descoberto que servidores públicos, ativos e aposentados, ligados a forças de segurança, ajudavam o esquema usando suas funções para facilitar a logística do crime. Diversos flagrantes foram registrados durante as investigações.
Os crimes incluíam contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, violação de sigilo e crimes financeiros.
Com a autorização da Justiça Federal e o apoio do Ministério Público Federal, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão e 4 mandados de prisão preventiva. Também foi aplicada uma medida de monitoramento eletrônico e afastados dois servidores de suas funções.
Outras medidas foram a suspensão do porte de armas de seis investigados e o bloqueio de bens de 12 pessoas e empresas, avaliados em R$ 40 milhões. Entre os bens bloqueados estão pelo menos 10 imóveis e 12 veículos, além do fechamento de seis empresas.
Ao todo, cerca de 90 ordens judiciais foram cumpridas com a ajuda de mais de 200 policiais nas cidades de Campo Grande e Dourados (MS), e em Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros (MG).
A operação também contou com o apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros do estado.
