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Brasil

ONU premia grupo brasileiro pela proteção do cerrado

Foto: Divulgação/Embrapa

MAUREN LUC
FOLHAPRESS

A ONU (Organização das Nações Unidas) reconheceu nesta quarta-feira (26) um grupo brasileiro como um dos três melhores exemplos no mundo de recuperação de áreas naturais degradadas. Esse grupo se chama Araticum e trabalha para proteger o cerrado.

O prêmio foi anunciado pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). Os vencedores foram divulgados na COP17 (conferência para combater a desertificação), que aconteceu na Mongólia.

O prêmio World Restoration Flagship foi dado também para projetos na África, na região do Sahel, e na Arábia Saudita. Essas regiões, como o Brasil, enfrentam problemas como seca, desertificação e mudanças no clima. Esta é a segunda vez que o Brasil tem um projeto de restauração escolhido para esse prêmio.

“Investir em terras saudáveis é uma das melhores formas de combater esses problemas”, afirmou Inger Andersen, diretora do Pnuma. “Esses projetos mostram que recuperar áreas naturais traz muitos benefícios, como segurança alimentar, criação de empregos e ajuda para milhões de pessoas terem mais proteção contra as mudanças climáticas.”

O cerrado já perdeu mais da metade de sua vegetação original, principalmente por causa da transformação de terras para agricultura, diz Inger Andersen. Essa destruição prejudica os povos indígenas, a biodiversidade, a produção de alimentos, a água disponível e a resistência às mudanças do clima.

Criada em 2020, a Araticum – Articulação pela Restauração do Cerrado – cuida de 27 mil hectares do cerrado. O trabalho acontece no Distrito Federal e nos estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, São Paulo e Tocantins.

O projeto usa várias técnicas, como a recuperação natural, o plantio direto, a restauração ecológica e sistemas agroflorestais com plantas nativas. As ações combinam a recuperação das florestas, savanas e campos com o fortalecimento das comunidades locais e a garantia de autonomia para as pessoas dessa região.

A meta é recuperar 2 milhões de hectares do cerrado até 2030, o que equivale ao tamanho do estado do Sergipe.

A Araticum reúne 180 organizações com representantes de indígenas, quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações sociais e instituições do governo e privadas.

“Este reconhecimento mostra que nós, povos e comunidades tradicionais, que cuidamos do cerrado todos os dias, não somos mais apenas um número, mas sim os protagonistas desse esforço”, destaca Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum.

Carol Sacramento, secretária-executiva da Araticum, explica que o prêmio ajuda a chamar atenção para a criação de políticas públicas e novos investimentos. “Restaurar a natureza é uma das formas mais eficientes para garantir água, proteger contra as mudanças climáticas e diminuir as desigualdades sociais.”

O cerrado é fundamental para manter a água das principais bacias hidrográficas do Brasil, além de ajudar a capturar e armazenar carbono. Porém, segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a expansão da agricultura e a fragmentação do solo já destruíram metade da vegetação original.

“Recuperar o cerrado não é só plantar árvores: é restaurar o funcionamento dos ecossistemas, gerar empregos e renda justa, e resgatar a identidade das pessoas que vivem nessa região”, explica Daniel Vieira, pesquisador da Embrapa.

De acordo com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, esse prêmio mostra que o Brasil está construindo uma política ambiental que une proteção da natureza, combate ao clima e desenvolvimento.

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