GABRIEL ALVES E YURI EIRAS
FOLHAPRESS
O Brasil deve ter cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) no Dia Mundial de Combate ao Câncer, 4 de fevereiro.
Essa previsão representa um aumento em relação ao período anterior (2023-2025), que esperava 704 mil casos ao ano. O câncer está se tornando uma das principais causas de doenças e mortes no país, chegando perto das doenças do coração.
Excluindo os cânceres de pele que não são melanomas, a previsão é de cerca de 518 mil casos por ano, esses tipos são mais comuns, menos perigosos e têm grande chance de cura.
Segundo Paulo Hoff, professor da Universidade de São Paulo e presidente da Oncologia D’Or, a tendência de aumento dos casos é prevista também pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima que o Brasil pode chegar a 1 a 1,5 milhão de casos por ano. Isso mostra a necessidade de preparar o sistema de saúde para atender esse número crescente de pacientes e sobreviventes.
Nos homens, os cânceres mais comuns são os de próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e boca (4,8%). Nas mulheres, os mais frequentes são os de mama (30%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%).
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, presente na divulgação dos dados, disse que mais de 7 milhões de pessoas fizeram quimioterapia no SUS no ano passado, um aumento de 80% em relação ao início do governo. Ele ressaltou que, mesmo com avanços no tratamento, a prevenção é essencial para conter o câncer.
O câncer de cólon e reto tem crescido e já é o segundo mais comum entre homens e mulheres, atrás apenas dos cânceres de próstata e mama, respectivamente. Exames como teste de sangue oculto nas fezes e colonoscopia ajudam a detectar lesões precoces, recomendando início do rastreio aos 45 anos.
O câncer de mama tem afetado mulheres mais jovens, levando especialistas a sugerirem rastreio a partir dos 40 anos, apesar de dificuldades no acesso e na realização regular dos exames.
Paulo Hoff explica que o exame mamográfico detecta câncer já formado, ajudando a tratar precocemente e aumentando a cura.
O Brasil apresenta diferenças regionais, ligadas a fatores demográficos, ambientais, hábitos e desigualdade no acesso à saúde. No Norte e Nordeste, predominam cânceres associados à pobreza, como o de colo do útero, prevenível com vacina contra HPV e exame Papanicolau. A incidência nessa região é 60% maior que no Sudeste.
O câncer de estômago é mais comum no Norte e Nordeste, devido à bactéria Helicobacter pylori, consumo de alimentos salgados e álcool. No Sul e Sudeste, predominam cânceres ligados a hábitos de vida, como dietas ricas em carnes processadas, sedentarismo, obesidade e envelhecimento.
Os cânceres relacionados ao tabagismo, como pulmão e boca, são mais frequentes no Sul e Sudeste, reflexo do hábito de fumar dessas regiões há décadas.
Padilha mencionou avanços como a taxação de produtos prejudiciais à saúde e alertou sobre o uso crescente de dispositivos para fumar entre os jovens.
Hoff observou que, após quedas, o tabagismo no Brasil está estabilizado ou aumentando, recomendando vigilância para evitar retrocessos.
Além do controle do tabaco e vacinação contra HPV, cuidados como alimentação equilibrada, exercício regular, redução do álcool e proteção solar ajudam a diminuir o risco de vários tipos de câncer. Diagnósticos precoces aumentam as chances de cura.
As estimativas do Inca são feitas a cada três anos para ajudar no planejamento e vigilância da saúde, focando nos cânceres mais relevantes. A metodologia segue padrões internacionais e usa modelos estatísticos de previsão.
Paulo Hoff destaca que os números auxiliam gestores a planejar atendimentos, infraestrutura e treinamento de especialistas para lidar com o aumento dos casos.
Apesar dos desafios, Hoff reforça que é possível investir em hábitos saudáveis, prevenção e acesso justo à saúde para tentar conter essa tendência de crescimento do câncer no Brasil.
