Esther Duflo, economista francesa e vencedora do Nobel de Economia em 2019, ministrou uma palestra na Escola Nacional de Administração Pública (Enap) em Brasília para servidores, acadêmicos e convidados. Durante o evento, foi firmado um convênio da Enap com a Fundação Lemann e a Universidade de Zurique, em parceria com o Laboratório J-PAL, para capacitar servidores na análise contínua dos resultados das políticas públicas.
Duflo destacou três problemas que dificultam a gestão pública: falta de conhecimento da realidade local, uso de crenças e não de dados para tomar decisões, e a manutenção de programas ineficientes apenas por costume. Para superar isso, ela sugeriu o uso de avaliações científicas que funcionam como testes médicos para identificar o que funciona ou não nas políticas.
Um exemplo apresentado foi o programa Ensino no Nível Certo, que, apesar de enfrentar resistência inicial na Índia, foi aprimorado graças a essas avaliações e hoje atende milhões de crianças em vários países, incluindo o Brasil, onde atua em parceria com o J-PAL e a Fundação Lemann.
No Brasil, Duflo citou o uso de inteligência artificial na educação pública do Espírito Santo, que ajuda estudantes com correção imediata de redações e já beneficia 100 mil alunos. Também mencionou iniciativas da Confederação Nacional de Municípios, que aumentaram significativamente a adoção de políticas públicas eficazes entre os municípios.
A ministra Esther Dweck encerrou o evento ressaltando a importância de usar dados para guiar decisões, citando exemplos como a reformulação do Bolsa Família, que ajudou milhões de famílias, e melhorias em programas sociais baseadas em análises e feedback da população.
O convênio prevê bolsas para cursos online, mestrado, doutorado sanduíche, pesquisas e intercâmbio para gestores públicos brasileiros, visando aprimorar a formação e o desenvolvimento de projetos estratégicos.
