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quarta-feira, 25/03/2026

Nobel alertam que IA pode piorar desigualdade e destruir empregos no Brasil

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Em Brasília

Christian Policeno
FOLHAPRESS

Esther Duflo e Abhijit Banerjee, vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019, acreditam que a inteligência artificial tem o potencial de eliminar muitos empregos e aumentar a desigualdade social no Brasil.

“As máquinas farão trabalhos como contabilidade e pesquisas jurídicas melhor do que as pessoas. Isso deve atingir muitos tipos de emprego”, afirmou Banerjee.

O casal de economistas esteve em São Paulo no dia 25, participando de um evento na Pinacoteca, que marcou o começo da Lemann Collaborative, um projeto que visa ajudar na criação de políticas públicas melhores para o país.

A Lemann Collaborative é ligada à Fundação Lemann, organização criada pelo empresário Jorge Paulo Lemann, e trabalha em parceria com a Universidade de Zurique, na Suíça, e o J-PAL, laboratório de combate à pobreza liderado por Banerjee e Duflo.

Durante o evento, os economistas conversaram com a imprensa e destacaram que os empregos da classe média correm maior risco com a disseminação da IA. Para Banerjee, a redução desses empregos em escritórios ocorrerá mais rápido que a diminuição dos trabalhos manuais, que também podem ser substituídos, mas mais lentamente.

Duflo comentou que o Brasil pode sofrer mais, pois sua economia depende muito dos serviços.

“No Brasil, empregos em serviços são uma porta para que pessoas de famílias pobres subam para a classe média. Se esses empregos forem tomados pela IA, vai haver um vazio, dificultando essa ascensão social e tornando o país um lugar pior”, explicou.

Por outro lado, a economista vê um lado positivo: a IA pode ajudar o Brasil a crescer no setor de serviços, quebrando barreiras de idioma e permitindo que o país ofereça serviços internacionais hoje dominados por países de língua inglesa.

Sobre os ganhadores do Nobel

O casal recebeu o Nobel em 2019 junto com Michael Kremer, dos Estados Unidos. Eles foram premiados por experimentos com educação em países pobres, como Quênia e Índia, que mostraram resultados positivos.

O estudo mostrou que oferecer refeições grátis nas escolas e mais livros no currículo ajuda a melhorar a aprendizagem, especialmente para os alunos com maiores dificuldades.

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