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Saúde

Mpox pode surgir sem febre e com uma única ferida: aprenda a identificar

Matheus Oliveira/ Agência Saúde DF

Uma ferida que parece uma espinha, uma bolha isolada ou uma lesão dolorida na área genital. Os sinais da mpox nem sempre vêm com febre e várias manchas pelo corpo. A doença pode aparecer com poucas lesões, e saber reconhecê-las é fundamental para procurar ajuda médica, evitar problemas e impedir a transmissão.

No Distrito Federal, foram registrados 23 casos de mpox em 2026, dos quais oito ocorreram em outubro, segundo a Secretaria de Saúde (SES-DF). Causada pelo vírus MPXV, a mpox afeta a pele e as mucosas, até mesmo em regiões onde as feridas não são facilmente vistas.

“Mesmo uma única lesão suspeita, sem febre, merece avaliação médica, principalmente após contato próximo com alguém infectado”, destaca o dermatologista Wesley Ferreira, CEO da Clínica Singular e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

As lesões geralmente começam como pequenas elevações na pele, chamadas de pápulas, que podem virar bolhas com líquido. Depois, apresentam uma substância esbranquiçada formando pústulas, até que surjam crostas. O número de lesões varia: algumas pessoas têm poucas, outras podem ter mais de cem.

Podem surgir no rosto, tronco, braços, pernas, palmas das mãos, plantas dos pés e nas áreas genital, perianal, boca e garganta. Além disso, sintomas como ínguas, desconforto geral, dor de garganta e dores musculares podem aparecer, e a ausência de febre não descarta a doença.

Lesões parecidas, causas diferentes

Novas alterações na pele sem explicação, especialmente se dolorosas, duras ou com uma depressão no centro, devem ser avaliadas. Elas podem parecer outras doenças, como herpes, catapora, sífilis e molusco contagioso.

De acordo com Wesley, o herpes simples provoca pequenas bolhas agrupadas que aparecem várias vezes no mesmo lugar. O herpes-zóster aparece numa faixa de um lado do corpo, acompanhada de dor ou queimação. A catapora tem lesões mais superficiais em diferentes estágios.

Essas características ajudam na avaliação, mas não bastam para confirmar ou descartar a mpox somente pela aparência. O médico considera onde as lesões estão, os sintomas, o histórico de contato e a necessidade de exames.

Há sinais menos visíveis. Dor ao evacuar, sangramento e desconforto anal ou retal podem acontecer mesmo sem feridas externas e precisam ser investigados.

Quando buscar atendimento urgente

O quanto a dor é forte, onde as lesões estão e o estado geral do paciente são decisivos para saber se a situação é grave. Feridas perto dos olhos, mudanças na visão, dificuldade para urinar, engolir ou respirar e sinais de desidratação exigem atendimento rápido.

“A gravidade da mpox não depende da quantidade de lesões ou da febre. Mesmo uma única ferida pode precisar de ajuda urgente, dependendo da localização e dos sintomas”, reforça o dermatologista.

Vermelhidão que cresce rápido, calor, inchaço e secreção com cheiro ruim indicam complicações. Lesões profundas ou extensas, sangramentos que não param e piora do estado geral também são alertas. Pessoas com sistema imunológico fraco, principalmente quem tem HIV avançado, correm maior risco e devem ser avaliadas logo.

Cuidados para evitar complicações e marcas

A limpeza das lesões deve ser suave, usando água e sabonete neutro, sem esfregar. Lave as mãos antes e depois de tocar nas áreas lesionadas ou trocar curativos. Se houver risco de contato com outras pessoas, proteja as feridas com roupas ou curativos.

“Não estoure, fure ou esprema as bolhas e pústulas, pois isso aumenta o risco de infecção e ajuda a espalhar o vírus”, orienta Wesley.

As crostas devem cair sozinhas. Evite depilação, esfoliação e produtos que possam irritar a pele nas áreas afetadas, e não use antibióticos ou corticoides por conta própria.

A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com lesões e secreções, podendo ocorrer também pelo contato com objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis. Até a avaliação médica, evite contato íntimo e não compartilhe objetos pessoais. O preservativo sozinho não impede o contato direto entre áreas da pele.

Mesmo depois de curado, manchas claras ou escuras e cicatrizes podem ficar, algumas parecidas com as deixadas por acne ou catapora. Evitar tocar nas feridas e tratar infecções secundárias ajuda a diminuir esses riscos.

“O tratamento dermatológico das marcas só deve começar quando as lesões estiverem completamente cicatrizadas, sem crostas ou feridas abertas e sem sinais de infecção”, esclarece o especialista.

O tipo de tratamento varia conforme a alteração. Manchas podem melhorar com proteção solar e, quando indicado, medicamentos prescritos. Procedimentos para cicatrizes, como laser e microagulhamento, precisam de avaliação e podem ter que esperar alguns meses até a pele estabilizar.

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