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Saúde

Brasil pode ter até 860 mil casos de dengue em 2027

Divulgação/Agência Brasil

O Brasil pode registrar até 860 mil casos prováveis de dengue em 2027. Essa informação foi divulgada em um webinário recente realizado por importantes instituições como a Fundação Oswaldo Cruz e a Fundação Getúlio Vargas. O evento reuniu especialistas para discutir as previsões sobre a próxima temporada da doença.

As projeções mostram que a situação da dengue em 2027 será similar à dos anos de 2025 e 2026, mesmo com a possibilidade de um fenômeno climático El Niño mais intenso no verão. Essas estimativas foram feitas por um grupo de 130 pesquisadores de oito países, que trabalharam juntos para analisar dados e oferecer previsões confiáveis ao Ministério da Saúde.

A partir de 2026, o estudo também passou a incluir previsões para a Chikungunya, outra doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, responsável por causar febre e dores nas articulações.

Projeções

As projeções foram desenvolvidas pelo Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate, um esforço internacional que reúne cientistas para criar modelos que ajudam a prever a dengue no país. Este ano, 27 equipes de oito países participaram, trazendo um conjunto de 22 modelos criados por mais de 130 pesquisadores.

O modelo conjunto tende a ser mais preciso do que os modelos isolados. Flávio C. Coelho, pesquisador da FGV e do Mosqlimate, destaca que essa colaboração global é importante para transformar dados em informações úteis para gestores de saúde pública.

Para o próximo período, o modelo estima cerca de 860 mil casos de dengue, com uma margem de erro que pode variar entre 560 mil e 1,6 milhão. O pico de casos deve ocorrer em abril de 2027, com aproximadamente 40 mil casos.

Embora o número previsto seja menor que os 1,66 milhão de casos registrados em 2025, essa situação não deve ser vista com tranquilidade, pois a dengue ainda é considerada uma doença endêmica no Brasil.

“As projeções não indicam uma epidemia tão grave quanto a de 2024, que teve um aumento atípico de casos, mas mostram que a dengue continuará exigindo atenção. Agora é o momento de organizar a rede de saúde e reforçar as ações de prevenção”, afirma a pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, Claudia Codeço.

El Niño

Este ano, três modelos utilizam variáveis climáticas para suas projeções, mas apresentam diferenças em relação ao impacto e locais afetados. Isso mostra que o efeito do El Niño é incerto e deve ser considerado como um alerta para intensificar ações conforme necessidade, sem basear o planejamento somente nessa variável.

Estados

O estudo aponta que os estados do Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais devem registrar aumento nos casos de dengue em relação à temporada anterior. Já os demais estados devem apresentar números semelhantes ou menores. Mesmo assim, todos devem manter a vigilância para evitar surpresas, especialmente por causa do El Niño.

Chikungunya

Para a Chikungunya, 11 modelos indicam mais de 90 mil casos prováveis em todo o país. Na temporada 2024-25, foram 127 mil casos, e em 2025-26, 76 mil. A região Nordeste deve ter crescimento de casos, principalmente nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí, além da Região Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul, este último com a maior incidência da doença.

Nos outros estados, a situação deverá ficar próxima à da temporada anterior. O Espírito Santo não entrou nas projeções devido a problemas nos dados de notificações.

Prevenção

Evitar a dengue e a Chikungunya depende principalmente da prevenção. É fundamental eliminar água parada em recipientes como vasos e pneus e procurar atendimento médico ao surgirem os primeiros sintomas, como febre, dores no corpo e manchas na pele. Essas projeções ajudam no planejamento, mas a vigilância contínua é imprescindível para controlar as doenças.

*Com informações da Agência Brasil.

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