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Tecnologia

Meta apagou provas de abuso sexual infantil, diz ex-funcionário

Foto: JIJI/AFP

A Meta, empresa dona das redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp, apagou provas sobre assédio e exploração sexual de crianças em várias ocasiões, segundo Jason Sattizahn, ex-pesquisador de segurança da empresa na área de realidade virtual.

Esse depoimento faz parte de uma ação judicial nos Estados Unidos contra a Meta, acusada de práticas que visam viciar jovens usuários. Recentemente, a Meta concordou em pagar até US$ 17,1 bilhões em multas e fazer mudanças significativas em seus serviços para proteger crianças, após pressão de 47 estados americanos e outros territórios.

Jason Sattizahn afirmou que recebeu ordens diretas para apagar evidências que pudessem prejudicar a imagem da empresa. Ele relatou que, enquanto trabalhava na Alemanha, foi instruído por sua gerente e uma advogada da Meta a eliminar completamente dados sobre abusos sexuais contra menores coletados em um estudo.

O ex-funcionário explicou que a empresa começou a ver as investigações sobre danos causados pelas redes sociais como riscos à sua reputação, especialmente após vazamentos internos em 2021 que mostraram efeitos negativos das redes na saúde mental de adolescentes.

Além disso, pesquisas envolvendo jovens entre 13 e 17 anos sofreram restrições severas, com forte intervenção do departamento jurídico, o que limitava o tipo de perguntas e registros permitidos.

A Meta nega as acusações e afirma que suas políticas visam proteger os dados dos usuários e seguir as leis locais. Porém, as provas e depoimentos indicam que houve manipulação de relatórios científicos para minimizar os problemas.

Recentemente, também foram identificados anúncios abusivos em redes sociais envolvendo inteligência artificial, que foram removidos após denúncias, mas indicam que conteúdos perigosos ainda circulam.

Especialistas e ativistas destacam a contradição entre o discurso da Meta, que diz querer proteger crianças, e a prática de permitir ou lucrar com conteúdos que colocam menores em risco.

O acordo judicial firmado encerra um processo em que estados buscavam indenizações bilionárias, afirmando que a empresa priorizou lucro sobre segurança das crianças na criação dos seus produtos.

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, reconheceu que a empresa enfrenta riscos legais importantes relacionados ao uso das redes sociais por jovens, o que pode impactar suas finanças. No Brasil, o tema está em discussão no Congresso, com projetos que buscam regular o uso dessas plataformas entre menores.

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