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Brasília

Manifesto das Mulheres Negras para as Eleições de 2026

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em Brasília, a Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) lançou um manifesto que chama a atenção para a importância das mulheres negras nas eleições de 2026. O documento propõe a construção de um sistema político que valorize a justiça, a solidariedade e a vida digna para todos.

O manifesto defende que, a partir de 2027, as mulheres pretas e pardas sejam parte central da política como cidadãs, eleitoras, líderes em suas comunidades e candidatas, além de ocuparem outros espaços de poder. O texto destaca a capacidade de gestão e criatividade dessas mulheres, reforçando a necessidade de sua presença nos legislativos e executivos.

Jolúzia Batista, coordenadora nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), ressaltou que o manifesto busca igualdade, justiça e reparação para corrigir as desigualdades causadas por séculos de escravidão no Brasil. As diretrizes apresentadas têm como objetivo cobrar e implementar políticas públicas efetivas.

Durante o lançamento, as participantes criticaram o racismo e o sexismo nas eleições, além da pouca valorização das mulheres pelos partidos políticos e da baixa destinação de recursos para suas campanhas. Foi lançada a campanha nacional #EuVotoEmNegra, para incentivar a presença de mulheres negras na política.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas Eleições Gerais de 2026, entre 20.560 candidaturas, 6% são de mulheres pretas e 12,2% de mulheres pardas. Esses números são baixos comparados aos 28,2% da população brasileira que são mulheres negras, conforme dados do IBGE de 2021.

Nádia Estela Ferreira Mateus, promotora de Justiça e coordenadora de combate ao racismo no Ministério Público de Minas Gerais, lamentou a pequena presença de servidoras negras no Ministério Público, onde apenas 0,7% das procuradoras e promotoras são pretas.

O evento também abordou o contexto atual das eleições e alertou para uma ‘guerra híbrida’ que tenta enfraquecer os direitos humanos e sociais, afetando grupos historicamente marginalizados. A coordenadora executiva da AMNB, Janira Sodré, chamou essa situação de “tecno autortarianismo”, ressaltando o papel das grandes empresas de tecnologia na divulgação de informações políticas.

Janira destacou ainda os ataques virtuais de discurso de ódio, além das ameaças em serviços públicos e aos servidores que defendem direitos sociais. Ela espera que os candidatos eleitos garantam a presença do Estado com políticas públicas eficazes para a população.

O lançamento reuniu mulheres negras de várias gerações para fortalecer o pacto intergeracional que visa ocupar espaços de decisão. Entre as participantes estava Caiene Reinier Freitas, mestranda e engenheira, que ressaltou a importância da presença de mulheres trans em espaços de poder e denunciou a violência que mulheres trans e travestis enfrentam no Brasil.

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