BÁRBARA SÁ
FOLHAPRESS
O 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte (MG) inocentou nesta terça-feira (24) uma mãe que matou um homem encontrado abusando da filha de 11 anos dela. O Ministério Público acusava a mulher de homicídio qualificado, destruição de corpo e corrupção de menor, mas os jurados entenderam, por 4 votos a 3, que ela agiu em defesa da criança.
A mãe, de 42 anos, reagiu para proteger a filha, segundo os jurados. A advogada Elida Fábrica, que defendeu a mulher, afirmou que o homem morto era conhecido da família desde a infância e frequentava a casa. Na noite de 11 de abril de 2025, ele teria pedido para passar a noite após beber bastante durante o dia.
A filha já havia informado à mãe sobre mensagens inapropriadas enviadas pelo homem. Ao entrar no quarto, a mãe flagrou o homem sobre a criança, com a boca dela tampada e as calças abaixadas. Ela puxou o agressor para a sala, onde ocorreu a reação que culminou na morte dele, conforme relato da defesa.
O depoimento da menina, acompanhado por profissionais, confirmou a versão apresentada pela defesa. O Ministério Público alegava que a mulher teria dopado o homem com clonazepam, esfaqueado, atacado com um pedaço de madeira, cortado o órgão genital dele ainda vivo e colocado fogo no corpo, com a ajuda de um menor.
Durante seu depoimento, a ré explicou que, ao ver o abuso, levou o agressor para a sala, o esfaqueou várias vezes e, com a ajuda de um jovem que ouviu o barulho, arrastou o corpo para uma área de mata próxima, onde colocou fogo.
Para a defesa, a reação da mãe foi uma resposta natural diante do choque emocional causado pela situação. “Não se pode esperar autocontrole de uma mãe ao presenciar uma cena dessas. Foi uma reação imediata para proteger a criança”, disse a advogada.
A mãe negou ter dopado o homem ou mantido qualquer contato íntimo naquela noite. Um exame confirmou que não havia vestígios do remédio mencionado pela acusação no corpo do homem.
O Ministério Público ainda não informou se irá recorrer da decisão.
Após o crime, a mulher chegou a ser presa e ficou cerca de 11 meses detida. Inicialmente, ela tinha saído da prisão usando tornozeleira eletrônica, mas retornou por descumprir as regras. Durante esse período, ela não conseguiu iniciar o tratamento para um câncer de mama, diagnosticado anteriormente, segundo a defesa.
Sem a mãe, os filhos ficaram sob os cuidados da filha mais velha da mulher, que assumiu a guarda dos irmãos menores.
Com a absolvição, a mãe foi liberada e já voltou para casa. A defesa pretende regularizar a guarda dos filhos.

